segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

9º Curso sobre Ordens Militares, em Palmela.

Assisti no último dia 7 de Fevereiro, sábado, a uma série de conferências que se realizam anualmente sobre Ordens Militares – também podem chamar-se cursos, aulas, classes, independentemente de como se queiram interpretar ou assimilar –, patrocinadas pela Câmara Municipal de Palmela e realizadas no teatro S. João, daquela belíssima vila extremenha.

Apraz-me salientar a de José Mattoso, Apresentação do tema, que foi o primeiro a abrir a sessão – depois de cumpridas as formalidades habituais e oficiosas por parte das entidades organizadoras –, comunicação que me pareceu distinta, ponderada e correcta nos termos, modos, assuntos, e principalmente no conhecimento das matérias tratadas. Aliás, a organização do evento distinguiu-o este ano, convidando-o como Consultor Científico para este 9º Curso sobre Ordens Militares. Ainda bem que o fez.
A seguinte foi a de Luís Filipe Oliveira, Fontes para o estudo da religiosidade dos freires, comunicação que nos deu uma panorâmica ou perspectiva do modo e comportamento dos monges-cavaleiros e dos freires-clérigos, no seu aspecto religioso e guerreiro para os primeiros e nos seus aspectos celebrante e litúrgico para os segundos. Não sendo extraordinária, foi interessante.
Já a comunicação de Hermínia Vilar, Ordens Militares, bispos, paróquias, me pareceu eivada de uma certa confusão na exposição do tema e na abordagem dos assuntos, tão variados e pouco esclarecidos eles se mostraram. Assim sendo, não explicou nem deixou explicado. Uma pena, porque me parece ser alguém com conhecimentos adquiridos, não tanto no campo das Ordens Militares, é verdade, mas com mais evidência sobre assuntos de jurisdição de paróquias e prelazias, principalmente as que se dissiminam pelo sul do País.

Seguiu-se um tempo para a refeição do almoço, igualmente necessário para quem fala e quem ouve. A abrir a sessão da tarde, a comunicação apresentada por Saúl António Gomes. Confesso que era aquela, a par da de José Mattoso, que mais me entusiasmava assistir e consequentemente ouvir. E não sai defraudado. De facto, a exposição e o tema Monges e cavaleiros no Portugal medieval: os horizontes espirituais, foram explanados de uma forma prática, directa, visual, com o rigor que a historiografia transmite e o homem sabedor sabe pôr em evidência. Sendo, como é, um dos melhores conhecedores da história da Ordem do Templo em Portugal, o investigador soube elucidar-nos sobre a formalização da Regra templária – escrita ou ditada por S. Bernardo – não só quanto à consequente obediência e prática que os monges-guerreiros se determinaram seguir, como meio e acção, mas igualmente quanto a ideia do profundo querer religioso que estes professos se impunham e praticavam. Aliás, como todos os demais elementos que integravam a nobre Instituição. Aulas deste teor não se devem perder e só ganha quem as assiste.
Seguiram-se as de Pedro Picoito, As Ordens Militares e o culto dos mártires e de João Luís Fontes, Mestres, freires e eremitas, bem enquadradas e equilibradas nas respectivas exposições.
No intervalo que imediatamente se seguiu, ficaram à venda as Actas do V Encontro sobre Ordens Militares (2006) e o livro A Coroa, os Mestres e os Comendadores: as Ordens Militares de Avis e de Santiago (1330-1449), de Luís Filipe Oliveira. Ambas as adquiri, porque eram do meu interesse. Como a comunicação seguinte, e última, A religiosidade dos freires cavaleiros (sécs. XVI-XVIII), de Fernanda Olival, não pertencia propriamente a um período histórico que me interessasse, isto é, para o âmbito do que pretendo conhecer e aprender sobre a Ordem do Templo, o seu tempo e o seu espaço, resolvi sair.

Parece, pelo que deixou dito a responsável pela edilidade, que no próximo ano se irão realizar os quadrienais Encontros sobre Ordens Militares, que darão a possibilidade de se ouvirem comunicações de inegável interesse historiográfico e documental, por parte de investigadores portugueses e estrangeiros de nomeada, e que possibilitará de facto ter-se um maior leque de conhecimento e aprendizagem, nas áreas desta componente histórica, que a cada um mais interesse. Esperemos então pelo seu sucesso.
Pena é que outras Câmaras Municipais com igual património histórico e acervo arquitectónico, no que diz respeito às Ordens do Templo, Avis e Hospital, como Tomar, Castelo Branco ou Idanha-a-Nova (para a Ordem do Templo), Avis (para a Ordem de Avis) ou Crato (para a Ordem do Hospital) não sigam o exemplo da Câmara Municipal de Palmela e do seu Gabinete de Estudos sobre a Ordem de Santiago (GEsOS), na realização de Cursos ou de Encontros com o valor histórico e patrimonial que esta propõe e vem realizando anualmente. Sendo necessariamente uma mais valia, era uma forma útil e capaz de educar e entusiasmar não só as gerações presentes como as vindouras sobre a realidade medieval deste Portugal ainda de todo desconhecido.
Pedro Alvites.
Até breve.

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