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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

As origens modernas do romance. (II)

A novela é um género em prosa, mas tem origem em narrativas jogralescas que eram versificadas e cantadas. Vimos em obra anterior que o reportório jogralesco era muito vasto e procurava corresponder a curiosidades diversamente orientadas.
Quando, no século XII, aumentou o número de pessoas alfabetizadas, as estórias dos jograis foram postas em verso escrito para leitura, como é o caso de várias narrativas de Chrétien de Troyes, compostas no século XII. O verso narrativo é ainda um atestado de oralidade. O livro não se destinava só aos leitores, mas também aos ouvintes, que assistiam em grupos à sua leitura em voz alta
.
[António José Saraiva, O Crepúsculo da Idade Média em Portugal, p. 59.]

Até breve.

sábado, 9 de janeiro de 2010

As origens modernas do romance. (I)

A palavra portuguesa «romance», no sentido que tomou no século XIX e conservou até hoje, é um galicismo semântico. Anteriormente, «romance» significava na Espanha estória em verso, rimada na língua vulgar. O falar românico do povo usado nessas estórias contrapunha-se ao falar latino dos clérigos. Mas esta palavra adquiriu em Portugal o sentido de narrativa de ficção em prosa, por influência do francês roman. O antigo significado não desapareceu. Só que passou a haver duas palavras homónimas. Para evitar equívocos designamos o romance rimado pela palavra «rimance» e reservamos a sua variante para a ficção em prosa, como já explicámos em obra anterior. Nos séculos XVI e XVII, o nome que se dava em português e castelhano às estórias em prosa de amor, aventuras e semelhantes era o de «novelas», nome de origem italiana. Este significado da palavra ainda hoje subsiste em castelhano.
[António José Saraiva, O Crepúsculo da Idade Média em Portugal, pp. 58-59.]

Até breve.

sábado, 24 de outubro de 2009

Poemas de oposição.

Um acontecimento deixou um eco apaixonado e sentido, embora breve, nos cancioneiros: a guerra civil do Bolonhês contra D. Sancho II, que inspirou duas composições, ambas adversas ao conde. O tema e o espírito de ambas são idênticos. Trata-se da traição dos alcaides que entregaram os castelos ao conde de Bolonha, infringindo assim o juramento senhorial. (…) Ambas atacam, do ponto de vista da nobreza, a intervenção do clero a favor de D. Sancho II. Nesta guerra interveio a favor de D. Sancho o futuro Afonso X, que recordará o episódio, a propósito de acções cometidas contra ele próprio, como um caso típico de traição:

Nunca assi foi vendido
Rei Don Sanch’ en Portugal. (1)

É de crer que partiram da corte de Afonso, o Sábio, os poemas de oposição ao Bolonhês, tanto mais que este rei cultivou pessoalmente a sátira castigadora da cobardia e da traição aos valores cavaleirescos.
[António José Saraiva, O Crepúsculo da Idade Média em Portugal, p. 42.]

Nota do Autor:

(1). — Cantigas de Santa Maria, n.º 235.
Até breve.