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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Ordens Militares na Península Ibérica. (I)

As circunstâncias mudaram na segunda metade do século XII, no momento em que surgem as Ordens militares hispânicas e também um pouco depois — a começos do XIII — as centroeuropeias. É este o contexto em que se produz o aparecimento ascencional — bem mais visível na Península Ibérica — das monarquias feudais cujos programas de institucionalização e integração territorial começam a desenhar um modelo de Cristandade regionalizada, a par com o universalismo pontifício. A fronteira da Cristandade, pelo menos no seu extremo Ocidental, compartimenta-se e os reis fazem particulares os seus projectos de Cruzada que, estando menos mediatizados que a iniciativa papal, não deixam de requerer instrumentos próprios, porém adequados às suas necessidades. E os instrumentos são as novas Ordens militares.
[Carlos de Ayala Martínez, Las órdenes militares hispánicas en la Edad Media (siglos XII-XV), p. 22.]
[tradução nossa, do original em castelhano.]

Até breve.

sábado, 3 de outubro de 2009

A ideia de Cruzada na Península Ibérica (V)

A militarização do culto jacobino e as suas implicações no desenvolvimento ideológico da Cruzada hispânica, é um terceiro aspecto digno de consideração. O fenómeno, como já tivemos oportunidade de referir, teve o seu pleno desenvolvimento desde meados do século XII e não acaba senão até á primeira metade do século XIII. Não se tornará necessário referir se encontra fortemente vinculada a presença crescente da Ordem Militar de Santiago no contexto peninsular. De facto, os santiaguistas, em boa medida, converteram-se numa garantia de protecção dos cristãos na sua peregrinação pelos caminhos de Santiago.
[Carlos de Ayala Martínez, Órdenes militares peninsulares y cruzada hispânica, Una aproximacíon historiográfica, p. 84.]
(Tradução nossa.)


Até breve.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A ideia de Cruzada na Península Ibérica. (IV)

Mas pensemos, igualmente, e em segundo lugar, nas Ordens Militares como bandeira de assomo — autêntico chamariz — capaz de mobilizar para o campo de batalha importantes recursos humanos. Nas décadas centrais do século XIII os papas preocuparam-se em fazer recordar a todos os fiéis que combater junto aos monges e debaixo das duas bandeiras em qualquer iniciativa bélica, supunha assumir, como realidade espiritual, a desejável função de Cruzados. (1)
[Carlos de Ayala Martínez, Órdenes militares peninsulares y cruzada hispânica, Una aproximacíon historiográfica, pp. 83-84 e nota 45.]

Nota do Autor:

(1). — De facto, desde 1220 Honório III tornava extensiva a indulgência próprio do voto de um cruzado a quem combatesse com os monges de Calatrava nos seus castelos fronteiriços. Privilégios papaias posteriores identificavam como autêntico cruzado a todo aquele que combatesse e morresse sob o estandarte dos monges calatravos. Conhecemos bulas pontifícias concedidas, neste mesmo sentido, a favor dos de Alcântara (1238), Calatrava (1240) e Santiago (1250).

(Tradução nossa.)

Até breve.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

A ideia de Cruzada na Península Ibérica (III)

Cavaleiro de Santiago na altura da conquista de Sevilha.


Na Cruzada que conduziu à conquista de Sevilha, de 1248, participaram quase todas as milícias, castelhanas, portuguesas e aragonesas, num esforço que se traduziu mais em rentabilidades políticas que militares. Algo não muito diferente ocorreu, cerca de cem anos depois, na batalha do Salado.
[Carlos de Ayala Martínez, Órdenes militares peninsulares y cruzada hispânica, Una aproximacíon historiográfica, p. 83.]
(Tradução nossa.)

Até breve.

sábado, 8 de agosto de 2009

Início das Ordens Militares, estrangeiras e nacionais, em Espanha.

Figuração de elementos das Ordens Militares existentes na Península Ibérica.

Uma nova invasão vinda da África do Norte, em 1146, a dos Almohadas, rigoristas, intolerantes e partidários da guerra santa inclusive contra os seus correligionários, os Almorávidas, obrigou os cristãos, aliás confrontados com numerosas perturbações, a reorganizar-se. Uma reorganização tanto mais necessária quanto, daí em diante, os «cruzados» estrangeiros, franceses na maior parte, já não vinham lutar contra os muçulmanos da Península. A resistência foi então confiada às Ordens Militares estrangeiras — como os Cavaleiros do Templo, que receberam do rei Afonso VII a fortaleza de Calatrava em 1147, ou os Hospitalários de S. João de Jerusalém, a quem o rei de Aragão, Afonso, o Batalhador, legou o reino aquando da sua morte, em 1134 — e, sobretudo, nacionais, como a Ordem de Calatrava — fundada em 1157-1164 para defender a fortaleza que os Templários tinham abandonado —, a Ordem de Santiago, nascida em 1170, e a de Alcântara, que data de 1176.
[Adeline Rucquoi, História Medieval da Península Ibérica, p. 169.]

Até breve.

sábado, 11 de julho de 2009

A ideia de Cruzada na Península Ibérica (II)

Cavaleiro de Santiago dos anos do mestrado de D. Paio Peres Correia.

(…) contar com a presença legitimadora das Ordens Militares como obedientes e submissas instituições nascidas da monarquia e consagradas ao seu serviço, era o meio para gerar em torno dela a imagem de um poder excepcional, mas necessário e correcto desde a própria lógica da Cristandade.
Deste modo, mais que pelo interesse estritamente militar, as Ordens Militares seriam rentabilizadas politicamente pela monarquia necessitada de assegurar o seu poder sobre uma base de legitimação
.
[Carlos de Ayala Martínez, Órdenes militares peninsulares y cruzada hispânica, Una aproximacíon historiográfica, p. 81.]
(Tradução nossa, do castelhano.)

Até breve.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

A ideia de Cruzada na Península Ibérica (I)

Figuração de Cavaleiros das várias Ordens Militares
existentes na Península Ibérica.

Mas que significa fazer presente e efectiva a ideia de Cruzada? Significa, em primeiro lugar, colaborar com a monarquia nos seus projectos de afirmação territorial e institucional, em boa medida fundamentados na legitimidade trazida pela ideia de Cruzada. Esses projectos foram materializados através de dois objectivos:

1º. — A busca de fronteiras capazes de tornar viável uma consolidada formação política, fenómeno que fundamentalmente se desenrolou entre meados do século XII e meados do XIII no conjunto do âmbito peninsular. O facto tem, logicamente, uma dimensão bélica, mas não só. Em qualquer caso, é certo que se verifica à custa do Islão, e a Cruzada era a formulação de guerra santa mais apropriada para justificá-lo.
2º. — A afirmação, por outra parte, de um poder cada vez mais adequado ao conceito de soberania que desenvolvem ou praticam os reis igualmente a partir daqueles cem anos (1150-1250), e que torna a submissão da Igreja uma peça de insubstituível valor político. Assim, não podemos duvidar que somente a partir da justificação proveniente da dimensão cruzadista do poder, a da defesa da própria Igreja, era possível levar a cabo semelhante projecto
.
[Carlos de Ayala Martínez, Órdenes militares peninsulares y cruzada hispânica, Una aproximacíon historiográfica, p. 81, As Ordens Militares e as Ordens de Cavalaria na Construção do Mundo Ocidental — coord. de Isabel Cristina Ferreira Fernandes —, Edições Colibri/Câmara Municipal de Palmela, Lisboa, 2005.]
(Tradução do castelhano de Pedro Alvites.)

Até breve.

domingo, 22 de março de 2009

Cartórios das Ordens Militares.

(…) os actos documentais conservados nos cartórios das Ordens Militares medievais portuguesas correspondem às tendências dos demais arquivos de institutos eclesiásticos. Caracterizam-se, em síntese, pela acumulação de diplomas de origem pontifícia (bulas, breves) e/ou episcopal (sentenças, concórdias, procurações, monitorias), régia (doações, privilégios jurisdicionais) e, finalmente, por documentação particular, emanada quer da chancelaria e escrivaninhas de cada Ordem, quer, sobremodo, de oficinas notariais.
[Saúl António Gomes, Observações em torno das Chancelarias das Ordens Militares em Portugal, na Idade Média, pp. 116-117, As Ordens Militares e as Ordens de Cavalaria na Construção do Mundo Ocidental — Actas do IV Encontro sobre Ordens Militares.]
Até breve.

domingo, 8 de março de 2009

Actos escritos.

Monge copista da Idade Média.

(…) todas as instituições recorreram à produção de actos escritos como garantia eficaz de salvaguarda dos seus interesses e afirmação propagandística de uma identidade e ideologia.
[Saúl António Gomes, Observações em torno das Chancelarias das Ordens Militares em Portugal, na Idade Média, p. 115, As Ordens Militares e as Ordens de Cavalaria na Construção do Mundo Ocidental — Actas do IV Encontro sobre Ordens Militares.]
Até breve.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Tabeliães públicos.

Entre meados do século XII e finais do século XIII, o documento produzido pelos tabeliães públicos — instrumentum publicum — seria reconhecido na legislação canónica e civil promulgada pelas diversas entidades soberanas na região da Cristandade Latina do ocidente.
(…) O facto de não ser especificamente referida a obediência do tabelião à tutela do Mestre/Prior ou do Convento da Ordem sobre o tabelião significará, só por si, que a mesma não existiria? No estado actual dos conhecimentos não é possível afirmá-lo.
[Bernardo de Sá-Nogueira, Primeiros tabeliães nas vilas do reino sob jurisdição das Ordens Militares (1212-1279), Ordens Militares: guerra, religião, poder e cultura, Vol. 2, pp. 176 e 179.]
Até breve.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Implantação das Ordens Militares em Portugal.

Os mapas da implantação das Ordens Militares em Portugal, publicados em qualquer uma das várias histórias de Portugal disponíveis no mercado livreiro português, dão-nos bem essa imagem cartográfica de distinções espaciais entre elas. Sobre o tema, e entre nós, mencionaremos como importantes as reflexões de João Carlos Garcia, O espaço Medieval da Reconquista no Sudoeste da Península Ibérica, Lisboa, Faculdade de Letras de Lisboa, 1986, passim. Importam também as páginas de Robert Durant, Les Campagnes Portugaises Entre Douro et Tage aux XII et XIII siécles, Paris, Fundação Calouste Gulbenkian-Centro Cultural Português, 1982, pp. 319-320.

[Saul António Gomes, As Ordens Militares e Coimbra medieval: tópicos e documentos para um estudo, Ordens Militares: guerra, religião, poder e cultura, Vol. 2, pp. 46-47, nota 12.]

Até breve.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Ideologia de guerra.

É indesmentível que, de início, todas as Ordens Militares se apresentavam debaixo de uma ideologia unanimemente centrada na luta contra os sarracenos e na recuperação dos antigos e santos lugares da Cristandade. Ideologia que S. Bernardo bem incorporou no seu Elogio da Nova Milícia (1), propondo não só a justificação moral de uma guerra santa contra os inimigos da Cruz, como sobretudo um modelo ético e perfectível que impressionava os candidatos às honras da cavalaria e da nobreza, particularmente sedutora para aqueles numerosos iuvenes que nada herdavam das avoengas familiares nobiliárquicas.
[Saul António Gomes, As Ordens Militares e Coimbra medieval: tópicos e documentos para um estudo, Ordens Militares: guerra, religião, poder e cultura, Vol. 2, pp. 44-45.]

Nota do Autor:

(1). — Liber as Milities Templi De Laude Novae Militae, redigido entre os anos de 1130 e 1136 e dedicado a D. Hugo, Mestre da Ordem do Templo. Publicado com tradução em Obras Completas de San Bernardo. I. Introducción General y Tratados, Madrid, BAC, 1993, pp. 494 e ss.

Até breve.

sábado, 18 de outubro de 2008

Guerra civil.

Também as ordens militares, aproveitando a situação tumultuária do reino, disputavam umas às outras, não perante os magistrados, mas com a espada na mão, a posse de bens cujo domínio era duvidoso entre elas. Assim os templários iam arrancar os padrões em que estava a cruz dos hospitalários e que demarcavam as herdades de que se criam espoliados por estes, e o Hospital retribuía ao Templo em igual moeda. Travavam-se então combates entre os freires e homens de armas das respectivas comendas, de que resultavam feridas, mortes e depois vinganças que azedavam cada vez mais uma contra a outra estas duas poderosas corporações.
E em nota de rodapé [44] salienta:
É o que resulta da curiosa composição feita posteriormente (Janeiro de 1231) entre o Templo e o Hospital (Gav. 7, Maço 6, nºs 8 e 14, do Arquivo Nacional).
[Alexandre Herculano, História de Portugal, Desde o começo da monarquia até o fim do reinado de Afonso III, Tomo I, Livro V, pp. 386-387, e nota 44, p. 387.]
Até breve.