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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Herdade de Alferroze. (II)

Esta herdade era uma das mais antigas que a Comenda de Elvas possuía no seu termo, herdade que lhe adviera por doação feita na era de 1268 [1230 da era de Cristo] nos termos seguintes:
«
Notum sit omnibus tam presentibus quam fucturis quod Martinus menendii vna cum vxore mea dona Domjnica: damus et concedimus fratribusd Templi turre de Alfarose cum suis terminis sicut habemus confirmatos per litteras concilii de Elbie in die sancti Stephan mense decembris millessima duocentessima sexagessima octaua. Et quis uenirit super hoc factum sit maledictus a deo Amen et pectet ccc morabitinos predictis fratribus Templi. Et hoc fuit eoram pretore. Testis. Marcus Egidio Rodirici. Joane martini fratre pretoris. Domjnico Taujra Pelagius Marcus consanguíneo Egidii Rodericii Menendus Caneliam Stefano carpentario Pelagius pelagii Balestacio Marcus pelagii mantiz. Martinus garfie homjne pretorie. Jo martinj».
[P. M. Laranjo Coelho, As Ordens de Cavalaria no Alto Alentejo, O Archeologo Português, pp. 247-248.]

Até breve.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

D. Martin Anes, o Sangalho.

(…) a carta de foral de Vila Viçosa, datada de 5 de Junho de 1270 e comunicada, precisamente, de Monsaraz onde figura como «pobrador» e primeiro alcaide um D. Martim Anes, dito Sangalho, inclui na lista das personalidades que testemunham a sua outorga pública o referido D. Martim Anes «do Vinhal», que assina o documento com precedência sobre várias figuras de grande nível social e, entre elas, o próprio Prior do Hospital, D. Afonso Pires Farinha (1).
[José Pires Gonçalves, Monsaraz da reconquista, Anais, Academia Portuguesa de História, Volume 25, p. 49.]

Nota do Autor:

(1). — Padre Espanha, Compendio de Notícias de Vila Viçosa, pp. 113-114, Redondo, 1892.


Até breve.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Herdade de Alferroze. (I)

Finalmente, no termo da mesma vila e no mesmo caminho de Badajoz tinha a comenda de Elvas uma grande e importante herdade denominada de Alferroze (1), com três folhas, cada uma das quais levava dez moios de pão e, semeadura, a qual estava arrendada nessa época por oito moios de trigo, cinco de cevada postos na vila, três mil reis de pitança, vinte velos de lã, dois carneiros, dois queijos, quatro cabritos e meia dúzia de galinhas».
[P. M. Laranjo Coelho, As Ordens de Cavalaria no Alto Alentejo, O Archeologo Português, p. 247.]

Nota nossa:

(1). — Nos dias de hoje esta comenda tem o nome de Alfarofe.


Até breve.

sábado, 2 de janeiro de 2010

O castelo de Salvaterra do Extremo.

Castelo de Salvaterra do Extremo,
segundo Duarte d'Armas.

O castelo de Salvaterra do Extremo faz parte, com Penha Garcia, de um grupo de castelos erigidos para vigilância do Erges e tinha como opositor directo, edificado para o mesmo fim, o castelo de Penafiel, em Castela.
A planta representa um castelo constituído pela residência do alcaide, com a forma quadrada, num dos lados da qual se implantou a torre de menagem, também ela de forma quadrangular. Devido à circunstância de se localizar num outeiro, bem diferente das fragas do de Penha Garcia ou dos penhascos do de Monsanto, a residência foi cercada por uma larga cerca circular, formato muito raro nos castelos portugueses, desprovido de qualquer torreão de defesa, que criou em redor do edifício um vasto terreiro, em círculo
.
[António Lopes Pires Nunes, Os castelos Templários da Beira Baixa, p. 84.]

Até breve.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Ocupação e povoamento. (IV)

Por inícios do século XIII, efectuou-se uma outra inquirição motivada pelas discórdias reinantes entre a Canónica coimbrã e o Bispo diocesano para as quais havia contribuído, consideravelmente, a passagem pela cátedra episcopal daquela cidade de D. Miguel Salomão e os favores por este prelado oferecidos ao cenóbio dos cónegos regrantes. As testemunhas de ambas as partes afirmam unanimemente que foi D. Afonso Henriques que promoveu o povoamento de Leiria: “Dominus rex populauit illam”, “dominus rex alfonsus populauit eam”, “populauit illam”, são expressões reafirmadas prontamente por todos. Precisamente porque não era essa a matéria de controvérsia. A fundação do castelo e o coevo povoamento do território envolvente era um acto bastante objectivo e claro nas mentes das testemunhas depoentes. As divergências surgiam a propósito da discussão sobre os direitos eclesiásticos nas igrejas leirienses, sobre o privilégio da consagração dos seus altares, da administração dos sacramentos ou da ordenação e apresentação de clérigos.
[Saul António Gomes, Introdução à História do Castelo de Leiria, p. 29.]

Até breve.

domingo, 22 de novembro de 2009

Ocupação e povoamento. (III)

Primeiro tomava-se a terra, a herdade, na qual se passava a cultivar vinhedo, edificar casas e oratório religiosos e todas as outras coisas necessárias à vida humana. A herdade acabava por ser uma administrativa área que exigia delimitação administrativa escrita, isto é, uma afirmação visível da propriedade e o reconhecimento desta por uma entidade superior, no caso, o rei.
[Saul António Gomes, Introdução à História do Castelo de Leiria, p. 28.]
Até breve.

domingo, 8 de novembro de 2009

Ocupação e povoamento. (II)

Oito anos após a conquista de Lisboa, um quarto de Ega começara a ser explorado permanecendo as outras áreas desse território incultas, se bem que os homens de Soure tentassem trabalhá-las de uma forma algo marginal. Significa isto que a necessidade comunitária empurrava os homens para espaços não arroteados e no sentido do seu aproveitamento, mas não nega o estado inicial de ermamento dessas mesmas áreas territoriais.
Atesta também que após a conquista de Lisboa e Santarém (1147) se criaram condições mais eficazes para o povoamento daquelas áreas do termo de Soure e, como maior razão ainda, de Leiria
(1) e das suas comunidades rurais nascentes.
[Saul António Gomes, Introdução à História do Castelo de Leiria, p. 28.]

Nota nossa:

(1). — Logo no seu início, possivelmente em 1135, chamou-se à nova povoação Leirena. Excepcionalmente, em 1175, foi denominada Lairena, num escrito, muito possivelmente devido a erro gráfico. Por outro lado, e saliente-se, na Chronica Adefonsis Imperatoris o topónimo vem designado por Erena, por mais que uma vez [ver ob. cit., p. 30-31.]. Mas a realidade é que, desde o seu primeiro foral, em 1142, ficou com aquele designativo. O actual topónimo aparece muito naturalmente com a correcção aportuguesada da própria palavra.
Para uma melhor elucidação sobre o assunto, cf. ob. cit., p. 31, e notas 77 a 79.
Até breve.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Ocupação e povoamento. (I)

Tem alguma importância a bula de Alexandre III, de 13 de Abril de 1179, relativa a Pombal, povoação nela classificada como “quondam siluam” no momento em que fora dada aos Templários. Esta designação manter-se-ia nas bulas de Urbano III, de 29 de Janeiro de 1187, e de Celestino III, de 8 de Agosto de 1196, onde se reafirma: “quam siluam cum dificultate máxima de Sarracenorum manibus liberantes, peru os et homines uestros (…) coluistis ibique tres acclesias, Columbar uidelicet, Rodinam et Egam (…).”
Estas bulas sobre uma área a norte do território de Leiria, e num concelho fronteiriço, referem uma situação da década de 1150, altura em que Leiria já existia há mais de década e meia. Tanto a norte como a sul de Leiria, a paisagem florestal dominava nos anos de 1140-1160 (…).
[Saul António Gomes, Introdução à História do Castelo de Leiria, p. 27.]
Até breve.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Comenda do Torrão. (II)

Da opulência desta comenda nos dá testemunho a relação que em resumo publicamos a seguir, o que entendemos ser de algum interesse como subsídio para a história da propriedade da região:
«Na rua da Judearia, além das casas que serviam de aposentamento ao Comendador, possuía a Ordem umas catorze moradas de casas, algumas com quintal onde existiam várias árvores de fruto.
Na rua dos Mercadores duas casas com celeiros.
Na ribeira de Chinches, abaixo do castelo, uma extensa propriedade com um forno de cal, e junto desta muitas vinhas, várias courelas e olivais, com casas de morada, celeiros e lagar de azeite.
Junto à Horta do Paraíso um chão de ferragial.
Uma vinha e olival com árvores de fruto no sítio de Poço das Pias.
No termo da vila uma herdade onde chamam o Torrão, com um assento de casas com seu alpendre; e perto desta herdade, no Ribeiro da Charruada, um moinho e duas azenhas.
Mais duas herdades juntas denominadas respectivamente de Barbacena e Pena Clara, cada uma delas com seu assento de casas, celeiros, pomares com variadas árvores de fruto e videiras. A de Barbacena lavrava-se em três folhas, levando cada folha quatro moios de pão, e a de Pena Clara com três folhas, igualmente levando cada folha moios e meio.
No caminho de Balhadouçe (Badajoz), mais quatro herdades, cada uma das quais tinha também sua casa e celeiros, com três folhas que levavam respectivamente dois a três moios de pão em semeadura, denominadas respectivamente o Outeiro, Taipas, Onde entra o Caya e herdade do Caya. O seu arrendamento no ano de 1503 era por vinte moios de trigo e sete de cevada pagos nas eiras, quatro mil reis de pitança e vinte e quatro galinhas.
Junto do rio Caia tinha a Ordem cinco moinhos
.
[P. M. Laranjo Coelho, As Ordens de Cavalaria no Alto Alentejo, O Archeologo Português, p. 246.]

Até breve.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Comenda do Torrão. (I)

Em Elvas tiveram os Templários grossas rendas e mercês como galardão dos actos de bravura que cometeram na luta contra os mouros, especialmente na célebre empresa da tomada da porta de ferro que, em comemoração do dia em que teve lugar, se passou depois a chamar porta de S. Pedro. Aí edificaram uma ermida com a invocação de Santa Maria Madalena, e mais tarde dois grandes aposentamentos de casas que serviram de sede da primeira comenda da Ordem. Quando foram extintos os Templários no ano de 1311 e se deram os seus bens à nova Ordem de Cristo foi instituída a comenda chamada do Torrão, não só uma das mais importantes e ricas do Alentejo como também da Ordem, a julgar pelos avultados haveres que possuía.
[P. M. Laranjo Coelho, As Ordens de Cavalaria no Alto Alentejo, O Archeologo Português, vol. 26 (1923/24), pp. 245-246.]
Até breve.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

O castelo de Penha Garcia. (II)

Castelo de Penha Garcia.
[foto de João Pereira.]


O castelo de Penha Garcia é um pequeno castelo tardio, provavelmente edificado sobre as ruínas de um velho castelo árabe, após a atribuição do foral de 1256, que se insere na vigilância do rio Erges, quando o inimigo era já Leão e não o mouro.
Conforme se pode verificar na planta da fortaleza, o castelo era constituído pela residência do alcaide e por um conjunto de defesas exteriores. A residência inscreve-se num quadrado de 14 varas de lado, que continha um pátio de entrada, uma cisterna e duas salas no andar térreo. Embora não se vejam desenhadas quaisquer escadas exteriores, a altura deste edifício, analisadas noutros desenhos, faz admitir a possibilidade de ter havido um andar superior com mais salas. Um dos vértices deste quadrado residencial era cortado pela alterosa torre de menagem de forma hexagonal irregular a fazer lembrar a do castelo de Castelo Branco. O castelo de Penha Garcia era, pois, uma sentinela vigilante nestas paragens
.
[António Lopes Pires Nunes, Os castelos Templários da Beira Baixa, p. 80.]

Até breve.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

O castelo de Penha Garcia. (I)

Castelo de Penha Garcia.
[foto de IHRU-DGEMN-DSID.]
O Castelo de Penha Garcia, admite-se ter sido edificado pelos Templários, sobre uma fortificação romana que fora antecedida por um castro pré-histórico. Todavia há opiniões no sentido de que a sua edificação se terá iniciado com D. Sancho I, vindo a ser doado por D. Afonso II, à Ordem de Santiago, por volta de 1220.
Nesta linha, Castelo de Penha Garcia e os seus domínios, chegam à posse da Ordem dos Templários, pelas mãos de D. Dinis, por volta de 1300, mas regressam à posse da Coroa, com a extinção das ordens, no século XVI.
A partir do século XIX, esta edificação militar foi-se degradando e restam apenas fragmentos de muralhas bem conservados. É um património que não se encontra classificado.

O castelo está ligado a uma lenda, que conta o rapto da filha do governador de Monsanto, D. Branca, pelo alcaide do Castelo de Penha Garcia, D. Garcia.
Perseguido pelo pai da jovem, acabaria por ser capturado, incorrendo na pena de morte, todavia D. Branca, apelou ao pai o perdão para o raptor, que em vez da pena de morte, o condenou a ficar sem um braço
.
Segundo a lenda, o decepado continua a vaguear pelas torres do castelo.
[retirado da net:

Até breve.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Portas de Ródão.

Portas de Rodão.
(fotografia de António Mateus)

As Portas de Ródão ocupam um espaço importante no imaginário local. Apoiada em vários acidentes naturais ou antrópicos (1), a tradição oral regista várias lendas (2). A mais notável é a lenda do rei Wamba ou a Maldição de Ródão (3)
A lenda fala do amor adúltero de uma rainha cristã (umas vezes identificada como mulher do rei Wamba, outras com princesa Urraca), que vivia no Castelo de Rodão, com um rei mouro residente do outro lado do rio, nos Castelinhos da Senhora da Graça, a norte de Nisa, sítio onde existe um povoado proto-histórico (?). Diz a lenda que se namoravam sentados em cadeiras de pedras situadas num e noutro lado das Portas, enquanto o rei cristão andava na caça ou na guerra. Diz-se ainda que o rei mouro decidiu raptar a rainha cristã. Com esse fim escavou um túnel, com início no Buraco da Faiopa (mina antiga situada na encosta ocidental da serra de São Miguel), para passar por baixo do rio. Mas falhou o propósito e o túnel (que não existe) terminou a grande altitude, no morro sul das Portas de Ródão, onde existe uma cavidade a que chamam Buraca da Moura.
O rei mouro acabou por fugir com a amante que atravessou o rio sobre uma teia de linho. Segundo a lenda, o rei Wamba conseguiu raptar a mulher. Esta foi julgada em tribunal familiar que a condenou à morte por despenhamento presa a uma mó
(4). Na queda a rainha lançou a seguinte maldição sobre Ródão: “nesta terra não haverá cavalos de regalo, nem padres se ordenarão e putas não faltarão”. Por onde a rainha passou, arrastada pela mói, jamais nasceu mato.
[João Carlos Caninas, Francisco Henriques e Jorge Gouveia, O Castelo de Ródão e a Capela da Senhora do Castelo (Vila Velha de Ródão), Ibn Marúan: Revista Cultural do Concelho de Marvão, nº 7, pp. 183-203, 1997.]

Notas dos Autores:

(1). — É o caso das Portas, de um penhasco a que chamam Cadeira da Rainha, de uma cavidade natural a que chamam Buraco da moura, da mina da Faiopa, do castelo e da capela.

(2). — É o caso das lendas dos Gigantes de Ródão, do Refúgio de Herodes, de Nossa Senhora do Castelo, do Juízo de Deus e da maldição de Ródão. (v. SOROMENHO, 1965.)

(3). — SOROMENHO, Paulo Caratão, 1965, Lendário Rodanense, Revista de Portugal, série A, vol. XXX, pp. 430-447; HENRIQUES, Francisco, 1974, Património Artístico Ignorado — Lendas, Portas de Ródão, 25 de Setembro, Vila Velha de Ródão.

(4). — O despenhamento está também presente nas festividades de Monsanto da Beira. Sacrifícios com despenhamento estão presentes em cultos mediterrânicos como é o caso de Prantos de Adónis (v. Moisés Espírito Santo, 1993, Origens do cristianismo Português, Instituto de Sociologia e Etnologia das Religiões, Universidade Nova de Lisboa, Lisboa, p. 225.).

Nota nossa:

É óbvio que no tempo do rei Wamba os mouros ainda não estavam presentes neste espaço do território português. Que a lenda refira uma rainha D. Urraca é bem mais verosímil e bem melhor aceite como ficção histórica.

Até breve.

domingo, 25 de janeiro de 2009

O “território” de Idanha-a-Velha e os Templários.

Mapa mostrando a reconquista cristã contra os Almohadas, em 1157.

Para leste, D. Afonso Henriques começou por doar aos Templários, em 1165, no Vale do Tejo, toda a enorme área de Idanha-a-Velha que ia do Rio Cera (Tomar) ao Erges. A doação era feita pelos limites da velha Diocese da Egitânia e correspondia a um autêntico Território, como o eram os de Braga, porto ou Coimbra, o que constituía uma enorme honra concedida aos Templários e uma prova de confiança, tanto mais que todo este vale do Tejo estava em poder dos mouros.
A doação passava para os Templários uma difícil área e equivalia a dar a D. Gualdim Pais, a envergadura de um Sesnando, a figura grada de Fernando magno no Território de Coimbra, um século antes
.
[António Lopes Pires Nunes, Os castelos Templários da Beira Baixa, Cadernos de Património Cultural da Beira Baixa, p. 21, Ed. Câmara Municipal de Idanha-a-Nova, Idanha-a-Nova, 2005.]

Até breve.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Territórios templários.

Não sabemos que relações mediavam entre o território de Pombal-Redinha e o de Soure-Ega, como nem se os templários haviam ou não conquistado para si aquele território. A tradição, a esse respeito, tornou-se sumamente confusa por causa dos ulteriores conflitos dos dízimos com o bispo de Coimbra.
[Carl Erdmann, A ideia de Cruzada em Portugal, p. 36, nota 3, Publicações do Instituto Alemão da Universidade de Coimbra, Coimbra, 1940.]

Até breve.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

A função de vigia.

torre de Santa Maria dos Olivais, em Tomar.

A função de vigia poderia ser exercida por qualquer membro da comunidade, mas verificamos por exemplo pelos foros de Castelo Rodrigo ou de Alfaiates, a existência de especialistas desta função, os atalaeiros ou talaeiros. Seriam homens experimentados e, sobretudo, especialistas quanto ao local onde se deveriam colocar vigias ou as estruturas de vigilância. Isso mesmo parece poder depreender-se de uma passagem dos foros de castelo Rodrigo, onde se lê que «atalaeiro ou outro homem que estiver em vela e for achado a dormir…», reforçando-se, igualmente, a importância de tal função.
Todo este sistema de castelos, castros, torres e atalaias, se tinha um carácter eminentemente defensivo e ordenador do espaço conquistado, era também, em boa medida, parte integrante do apoio a acções de defesa móvel, como o apelido (que poderia ser geral oi régio, e também da responsabilidade do concelho), e a expedições para lá do «limes». Os fossados e as algaras aparecem como formas de agressão levadas a cabo pelas comunidades de fronteira, mas podemos em alguns casos classificá-las (…), como momentos de defesa dinâmica
.
[Pedro Gomes Barbosa, Reconquista cristã. Nas origens de Portugal. Séculos IX a XII, p. 94, Esquilo, Lisboa, 2008.]


Até breve.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Distrito da Açafa.

Vasta área doada aos Templários, em 1199, que englobava uma parte da Guidintesta hospitalária, com a qual a Ordem do Templo atingia, pela segunda vez, terras da Egitânia [inicialmente fora-lhe doado o Território da Egitânea]. Com esta doação os Templários acabaram por se tornar senhores de toda a Beira Baixa, ali construindo, além dos castelos da primeira concessão, os de Vila Velha de Ródão, Castelo Branco, Penamacor, Segura, Zebreira, Salvaterra do Extremo e Penha Garcia. O castelo de Penha Garcia, edificado em 1256, foi o último castelo que a Ordem do Templo construiu (1) na Beira Baixa.
[António Lopes Pires Nunes, Dicionário de Arquitectura Militar, Caleidoscópio, Casal de Cambra, 2005.]

(1) A palavra mais correcta, e que nos desculpe o eminente historiador, tenente- coronel António Lopes Pires Nunes, parece-me ser, possuiu ou reconstruiu e não construiu, já que este castelo foi doado à Ordem do Templo pelo rei D. Dinis, em carta datada de Lisboa, a 17 de Setembro de 1304, segundo nos esclarece José Manuel Capêlo na sua obra Portugal templário, Relação e sucessão dos seus Mestres [1124-1314], p. 198, portanto, muito pouco tempo antes de que se soubera da prisão dos primeiros membros da Milícia em França. Sucedeu, em Portugal, que a grande maioria dos seus membros se ocultaram, com consentimento do monarca português, das vistas dos mais rapaces dos seus inimigos fidagais — a maioria do clero e uma parte da nova nobreza surgida com a aclamação de D. Afonso III, monarca que nunca mostrou simpatia declarada pela Ordem —, até que as deliberações reais fossem tomadas, como foram: na dissolução do Instituto em 1314 — já que em 1311 a finge extinguir, depois de receber a bula Callidis serpentis, de 30 de Dezembro de 1308, enviada pelo papa Clemente V — e na criação da Ordem de Cristo em 1319.
Até breve.