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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

D. fr. Pedro Arnaldo. (II)

Companheiro de jornada, tanto em França quanto na Palestina, de Hugo de Payns, André de Montbard e Godofredo de St. Omer, foi com estes, como cavaleiro cruzado, para o Oriente Médio. Aí combate denodadamente pela sorte dos peregrinos chegados à Palestina, por forma a que cheguem à Cidade Santa sem serem molestados pelos árabes, e, junto com os oito companheiros, ajuda a fundar a Ordem do Templo na cidade de Jerusalém. Em 1123 regressa a França, na comitiva de Hugo de Payns, com André de Montbard, seu grande amigo. No ano seguinte, ou em 1125, chega a Portugal integrando a pequena hoste da Milícia do Templo, comandada por D. fr. Guilherme Ricardo, tudo levando a crer ter sido ele a causa principal desta vinda tão temperana.
[José Manuel Capêlo, Portugal templário, Relação e sucessão dos seus Mestres [1124-1314], A presença templária em Portugal, p. 73-74, e nota 185.]

Nota do Autor:

(1). — Muito provavelmente por volta de 1114 ou 1115.


Até breve.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

D. fr. Pedro Arnaldo. (I)

Se este D. fr. Pedro Arnaldo não for o mesmo D. Arnaldo [da Rocha] de que se escreve e enuncia ter sido um dos nove cavaleiros que na Palestina fundaram a Ordem, e que teria vindo no primeiro grupo de quatro ou cinco cavaleiros, enviados pelo próprio Hugo de Payns — chefiados por D. fr. Guilherme Ricardo quando este chegou a terras do condado portucalense, a pedido da rainha D. Teresa —, então pouco se saberá deste Mestre, a não ser que era adorado entre os seus irmãos como guerreiro valente e homem de profunda ciência e humanidade. Se D. fr. Pedro Arnaldo foi um e o mesmo, como tudo leva a supor que sim, a história é-nos um pouco mais clara, apesar de continuar a mostrar-se um pouco intrigante, ou melhor, omissa, em relação a certas realidades pessoais e históricas.
[José Manuel Capêlo, Portugal templário, Relação e sucessão dos seus Mestres [1124-1314], A presença templária em Portugal, p. 73, e nota 184.]

Nota do Autor:

(1). — Michel Lamy, no seu livro Os Templários — esses grandes senhores de mantos brancos [p. 26], fala do cavaleiro Gondomar, que diz ser, com toda a probabilidade, português.

Até breve.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

D. fr. Raimundo Bernardo.

Qual fosse o primeiro Mestre que esteve à frente dos templários portugueses, não está inteiramente elucidado mas, seguindo as melhores fontes, o primeiro indivíduo que se conhece, que tenha tido um papel importante, é Raimundo Bernardo (1), francês ou catalão, que em Braga aceitou a domínio de Soure.
[Vieira Guimarães, A Ordem de Cristo, p. 8.]

Nota nossa:

(1). — Antes de D. fr. Raimundo Bernardo se tornar Mestre, aliás, o 2º da Ordem em Portugal, já D. fr. Guilherme Ricardo o tinha sido. Para um melhor conhecimento deste assunto, cf. José Manuel Capêlo, Portugal templário, Relação e sucessão dos seus Mestres [1124-1314], A presença templária em Portugal, pp. 57-59 e 200.

Até breve.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Cartas de doação passada pelo Mestre, D. fr. Gonçalo Martins.

Cartas de doação passada pelo Mestre [estas Cartas com minha mão escrevi e meu sinal pusi em testemunho. (1)] e pela Ordem a D. Diogo Lopes e sua mulher D. Urraca Afonso, de herdades em Marmeleiro, Rochoso, Avelanas, Ericeira, Tiares, Antas de Penedono e Gastação. [Datada de Castelo Branco, a 24 de Março de 1266, feita por Rodrigo Anes, tabelião público. (2)]
[José Manuel Capêlo, Portugal templário, Relação e sucessão dos seus Mestres [1124-1314], A presença templária em Portugal, p. 149.]

Notas do Autor:

(1). — Amorim Rosa, Anais do Município de Tomar, Vol. VIII [1137-1453], p. 123.
(2). — Idem, p. 123.
Até breve.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Confirmação de privilégio.

A 7 de Janeiro de 1265, D. fr. Martim Nunes recebe uma carta de confirmação de Privilégio, que lhe tinha sido dado pelo rei de Portugal, e em que corroborava o rei castelhano Afonso X.
Como já não havia mouros a guerrear em Portugal, D. fr. Martim Nunes com os seus Templários, pediu licença a El-Rei D. Afonso III e passou com eles a Castela onde combateu os mouros, que haviam reconquistado Jerez [de los Caballeros], Arcos, Bejar, Medina Sidónia
(...)
Esta campanha durou de 1260 a 1265, ano em que morreu, já regressado a Portugal. (1)
[José Manuel Capêlo, Portugal templário, Relação e sucessão dos seus Mestres [1124-1314], A presença templária em Portugal, p. 147.]

Nota do Autor:

(1). — Amorim Rosa, Anais do Município de Tomar, Vol. VIII [1137-1453], p. 122.
Até breve.

domingo, 7 de junho de 2009

Conquista e reconquista do castelo de Torres Novas.

Castelo de Torres Novas e rio Almonda.
[Foto: Dias dos Reis.]

Praticamente no começo do seu mestrado(a) dá-se uma invasão almohada [princípio de 1200], vinda pelo sul do território português. Culmina com a conquista do castelo de Torres Novas. O contra-ataque cristão faz-se e a reconquista da praça-forte consuma-se a 25 de Agosto de 1200. Sancho I teve nos cavaleiros templários, o principal braço armado desta reconquista.
Julga-se ter sido esta a primeira acção armada em que se achou como Mestre do Templo, fornecendo o exército de El-Rei com um grande corpo de gente dos Tem­plários, familiares e vassalos
.(1)
[José Manuel Capêlo, Portugal templário, Relação e sucessão dos seus Mestres [1124-1314], A presença templária em Portugal, p. 101.]

Nota de Autor:

(1). — Amorim Rosa, ob. cit., p. 65.

Nota nossa:

(a). — Do Mestre D. fr. Fernão Dias [1199-1206].

Até breve.

domingo, 24 de maio de 2009

Dois Mestres Templários de Portugal: D. fr. Fernão Dias e D. fr. Gomes Ramires.

(…) em 23 de Janeiro de 1206 já a Ordem do Templo era governada por D. Fernando Dias (cf. DS, doc. 162). Este também não permaneceria muito tempo à frente dos destinos dos Templários, pois em Setembro de 1208 já a Ordem conhecia o novo Mestre, D. Gomes Ramires (cf. DS, doc. 239), que viria a falecer em 19 de Julho de 1212 (?), como nos revela o seu epitáfio que se conserva, em muito mau estado, na Igreja de Stª. Maria dos Olivais (1).
[Mário Jorge Barroca, A Ordem do Templo e a arquitectura militar portuguesa do século XII, p. 181.]

Nota do Autor:

(1). — Cf. Mário Jorge Barroca, Epigrafia Medieval Portuguesa (862-1422), vol. II, tomo I, Porto, 1995, Insc. Nº. 267, pp. 539-542. Se a leitura da data desta epígrafe está correcta, como julgamos, e se não houve engano do lapicida aquando da criação do letreiro, é impossível que D. Gomes Ramires tenha falecido em consequência de ferimentos recebidos durante o cerco de Úbeda (que decorreu entre 20 e 22 de Julho de 1212), depois de ter participado na Batalha de Navas de Tolosa (18 de Julho de 1212), como se pretende nos Annales Portucalenses Veteres, onde se regista a sua morte no dia de Santiago (25 de Julho) do ano de 1212 (cf. PMH, Scriptores, p. 3; António Cruz, Anais, Crónicas e Memórias Avulsas de Santa Cruz de Coimbra, Porto, 1968, pp. 72-73, e como pretendem diversos autores (cf., por exemplo, fr. António Brandão, Monarquia Lusitana, vol. IV, Lisboa, 1832, p. 72). Ganharia, pelo contrário, algum peso a possibilidade de ter falecido em consequência de ferimentos recebidos durante a própria Batalha de Navas de Tolosa, travada três dias antes da sua morte. D. Gomes Ramires foi, de resto, a pessoa a quem D. Afonso II confiou o comando das forças portuguesas que se deslocaram a Navas de Tolosa
.
Até breve.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

D. fr. Lopo Fernandes. (II)

Breve foi o seu mestrado.
Na investida que D. Sancho fez aos estados leoneses pelo meado de 1199, morre valorosa e gloriosamente no cerco de Ciudad Rodrigo.
Seu corpo, conduzido e depositado honradamente por D. Sancho na igreja de Santa Maria dos Olivais, foi sepultado numa capela que de propósito ali tinha sido feita e que demoliram, sem respeito pelo ilustre Mestre, para se construir a actual sacristia.
Sobre o rico túmulo, que o rei e a Ordem mandaram levantar, puseram o seu busto e numa das faces o epitáfio, que dizia da sua morte em Leão
.
[Vieira Guimarães, A Ordem de Cristo, p. 46.]
Até breve.

domingo, 26 de abril de 2009

D. Lopo Fernandes. (I)

D. Gualdim Pais legava tão honrosa herança a D. Lopo Fernandes que por mais de um título provou ser digno de tão alta escolha.
Continuou na senda gloriosa do seu antecessor, dilatando o reino e repovoando as terras desertas e arruinadas por onde tinha passado o anjo mau da guerra.
Em 1197 doou-lhe D. Sancho I Idanha-a-Velha, que já tinha pertencido aos templários, e em 1199 recebe em paga dos bons e leais serviços e em troca do padroado das igrejas de Mogadouro e Penas-Roias, cujos castelos os templários tinham fundado, a vasta região da Açáfa que é hoje a Vila Nova de Rodão com o seu dilatadíssimo território circunvizinho
.
[Vieira Guimarães, A Ordem de Cristo, p. 46, Imprensa Nacional, Lisboa, 1936.]
Até breve.

sábado, 25 de abril de 2009

D. fr. Gualdim Pais no ano de 1190.

D. fr. Gualdim Pais.
(arranjo visual de Ana Isabel Vieira)

Em 1190 D. Gualdim Pais era pessoa já idosa, com pelo menos cerca de 70 anos. Efectivamente, se confiarmos na tradição que nos diz que foi armado cavaleiro em Ourique (1139) (1), D. Gualdim Pais teria nascido cerca de 1118/1120, pelo que contaria então com perto de 70 anos. Na realidade, pouco mais tempo de vida lhe restava, vindo a falecer cinco anos depois do cerco almohada, em 13 de Outubro de 1195, como esclarece o seu epitáfio, que se conserva em Stª. Maria dos Olivais, em Tomar.
[Mário Jorge Barroca, A Ordem do Templo e a arquitectura militar portuguesa do século XII, p. 181.]

Nota do Autor:

(1). — Fr. Joaquim de Santa Rosa Viterbo, Elucidário das Palavras, Termos e Frases que em Portugal antigamente se usaram…, s. v. Tempreiros, vol. II, Porto, 1966, p. 590
.
Até breve.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

D. fr. Guilherme Fulcon, 16º Mestre da Ordem do Templo em Portugal.

Eleito por reunião do Capítulo [em Maio de 1239] e confirmação real, sucessor no mestrado de D. fr. Pedro Nunes.
Sabe-se eleito, já em Junho de 1239, Mestre nos três Reinos, por uma escritura de doação feita por D. Fruíla Ermiges e emitida em Fonte Arcada, em que a Ordem recebia as herdades de Lauredo, Santa Olaia e Cinfães, com seu eclesiástico e seu termo em Caldas de Arego, e uma outra herdade em Auvaces, igualmente com seu termo, bem como outras herdades: Caria, Granja, Vidrão, Novales, Motendos, S. Marino da Pedreira, Carrazede e Santa Maria de Limares
.
(…)
Deste Mestre, com toda a probabilidade de origem castelhana, pouco se sabe, já que a documentação é parca ou inexistente. Não só relativamente à própria Ordem do Templo como a muito do reinado de D. Sancho II, não só devido aos conflitos, intrigas e divisões surgidos anteriormente, como os que se começaram a fazer sentir no princípio deste mestrado, mas, igualmente, à intranquilidade existente nos reinos de Castela-Leão e de Portugal.
[José Manuel Capêlo, Portugal templário, Relação e sucessão dos seus Mestres [1124-1314], A presença templária em Portugal, p. 131.]
Até breve.

terça-feira, 24 de março de 2009

Aparece pela primeira vez, em Portugal, a denominação de Mestre.

Num documento de 1 de Maio de 1151, regista-se pela primeira vez, em Portugal, a denominação de «Mestre» do Templo em vez de «Procurador» do Templo:

Vobis Fratribus Templi S. Petro Gratyial, & Martino Pelais,
qui in Bracara habitatis submanu Magistri Domnis Ugonis &c. (1)
[José Manuel Capêlo, Portugal templário, Relação e sucessão dos seus Mestres [1124-1314], A presença templária em Portugal, p. 71.]
Nota do Autor:

(1). — Fr. Bernardo da Costa, ob. cit., p. 15.

Até breve.

sábado, 21 de março de 2009

D. fr. Rodrigo Dias [1242], 17º Mestre do Templo em Portugal.

Nada se sabe sobre a sua vida e mestrado, que teria sido de muitos poucos meses de duração. A época conturbada em que viveu será disso provável prova. Não há documentos comprovativos a atestarem factos e feitos. Apenas se sabe (1) que foi eleito Mestre da Ordem do Templo neste ano de 1242.
Provavelmente terá resignado ou morrido no mesmo ano em que foi eleito Mestre da Milícia templária
.
[José Manuel Capêlo, Portugal templário, Relação e sucessão dos seus Mestres [1124-1314], A presença templária em Portugal, p. 133.]

Nota do Autor:

(1). — Por Viterbo.

Até breve.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

D. fr. Pedro Arnaldo «da Rocha» e a casa de Borgonha.

Vários autores afirmam que um dos primeiros nove templários seria português. Alexandre Ferreira fala-nos de Arnaldo Rocha, Michel Lamy diz-nos que o cavaleiro Gondomar poderá ser nativo de Portugal. Por outro lado, não subsistem dúvidas de que vários dos fundadores do Templo são da Borgonha, terra de origem do Conde D. Henrique e com a qual Portugal manteve laços no decorrer dos séculos. Algum destes factores poderá explicar o desenvolvimento precoce da Ordem do Templo em Portugal relativamente a outros reinos europeus.
[Paulo Alexandre Loução, Os Templários na formação de Portugal, pp. 141-142.]
Até breve.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Sobre o local de nascimento de D. fr. Gualdim Pais.

D. fr. Gualdim Pais [1118-1195]

Sobre o local de nascimento de D. fr. Gualdim Pais há controvérsia declarada, já que, inicialmente, se lhe dera como lugar de nascimento a actual vila de Amares. Também se sabe que D. fr. Gualdim Pais era natural de Marecos, que não era mais do que um lugar onde se situa a actual Barcelinhos — povoação próxima de Braga e fronteira a Barcelos — e não de Amares, como ainda hoje se crê e esta vila faz menção e tem orgulho de divulgar. Julgo que mais por facilidade do que por razão, entendeu fr. António Brandão colocar Braga em vez de Barcelinhos. Sobre este assunto ver uma monografia de um natural de Amares, Domingos M. da Silva — autor da Monografia do Concelho de Amares —, que nos diz que haveria erro na denominação de Marecos como Amares, dado serem vocábulos inteiramente distintos e desde sempre inconfundíveis na toponímia portuguesa já que Amares vem a pronunciar-se e a escrever-se invariavelmente assim desde muito cedo (p. 82), isto é: desde os seus primórdios. Marecos seria — segundo afirma — a actual freguesia de Santo André, situada e identificada no antigo julgado de Faria — em terras de Santa Maria de Faria —, lugar próximo onde se levanta Barcelinhos, freguesia fronteira de Barcelos e de que hoje faz parte integrante como cidade. (p. 83) Poder-se-á deduzir que Amares nunca foi Marecos e que D. Gualdim Pais, se foi de Marecos, nunca foi de Amares? [Ob. cit., Amares — Marecos (Grave confusão), pp. 79-87.] Como este será um assunto para que o tempo o resolva, se os homens quiserem corrigir a História mal contada, deixemo-lo no pé em que está, porque alguém muito mais informado do que eu — sobre este tema específico — irá demonstrar o verdadeiro lugar de nascimento de D. fr. Gualdim Pais, que, na minha opinião, é, e continuará a ser, Barcelinhos.
[José Manuel Capêlo, Portugal templário, Relação e sucessão dos seus Mestres [1124-1314], A presença templária em Portugal, p. 77, nota 195, Zéfiro, Lisboa, 2008.]

Até breve.

domingo, 28 de setembro de 2008

Memória do Mestre, D. fr. Martim Martins.

Sobre a porta do castelo de Idanha-a-Velha, até ao início do século XX, se conservaram as memórias deste Mestre [D. fr. Martim Martins], numa lápide de pedra.
A sua laje sepulcral (que deveria ter estado primitivamente no panteão de Santa Maria dos Olivais de Tomar), foi oferecida ao coronel Garcês Teixeira, cerca de 1924, pelo proprietário duma Quinta situada cerca da Igreja de Santa Maria do Olival (possivelmente o sr. Albino de Lima Simões), servia de ponte sobre o ribeiro Salgado. A laje, que mede 2, 02m X 0,80 cm, é plana. A pedra tem uma cruz chã, firmada, de pé alto. O primeiro e segundo quartéis formados pela cruz nada mostra no centro; o terceiro é ocupado por uma espada de folha larga, arredonda na ponta, com punho maçanetado e as guardas curvas, voltadas para a lâmina, na qual se encontram distribuídos três escudos boleados, um junto das guardas e os dois restantes no terço médio, afastados; o quarto, ostenta um escudo boleado, com sete faixas, armas que também se encontram nos escudos da espada, embora só com três peças. A legenda, em caracteres latinos de transição, diz
:

E: FOI: MAEST’:DO: TEPLE: NOS: T’S: REINOS
Este escudo, faixado, podia muito bem ter sido o de D. Martim Martins, como neto de D. Pedro Pais, o Alferes, c. c. D. Elvira Viegas, visto que D. Sancha Rodrigues de Briteiros, bisneta de «o Alferes» usava um escudo com três faixas enxadrezadas. O que está de acordo com os costumes da época.
[Amorim Rosa, Anais do Município de Tomar, Vol. VIII (1137-1453), p. 108 (citando um artigo de António Machado de Faria, publicado no Vol. II, dos Anais da União dos Amigos dos Monumentos da Ordem de Cristo, sobre elementos fornecidos pelo arqueólogo Francisco Garcês Teixeira), Ed. Câmara Municipal de Tomar, 1972.]

Até breve.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

D. fr. Pedro Gomes [?-1250]

19º Mestre. [de 1248 a 1250]
[no reinado de D. Afonso III]
6º Mestre eleito nos três Reinos.

Cavaleiro português.
Eleito, no campo de batalha [em Maio de 1248], sucessor no mestrado de D. fr. Martim Martins. Era Comendador e alcaide-mor de Tomar, sendo eleito logo a seguir à morte do seu antecessor, ainda durante o cerco de Sevilha, que seria finalmente tomada a 22 de Novembro de 1248. Eleito Mestre para os três reinos.

Ao voltar da conquista daquela cidade andaluza, este Mestre templário apresenta-se perante o novo rei português, D. Afonso III, beijando-lhe a mão e colocando-se — e à Ordem — ao seu serviço. É reconhecido, por ele, como novo Mestre da Milícia do Templo em Portugal, seguindo a tradição de reconhecimento e concordância, por parte dos reis portugueses, dos Mestres eleitos por Capítulo ou por nomeação vinda do Ultramar — termo por que era conhecida a cabeça da Ordem na Palestina. Igualmente se põe, bem como os esquadrões templários, ao lado do rei para a conquista final das povoações e terras que, no Algarve, ainda se mantinham na posse das forças agarenas. Estes foram, ao que parece, desnecessários
.
[José Manuel Capêlo, Portugal templário, Relação e sucessão dos seus Mestres [1124-1314], A presença templária em Portugal, p. 141, Zéfiro, Lisboa, 2008.]

Até breve.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

O 1º Mestre Templário em Portugal.

D. fr. Guilherme Ricardo [1124 ou 1125-1128].

Cavaleiro franco.
Chega ao condado portucalense em finais de 1124 ou inícios de 1125, acompanhado de alguns cavaleiros, enviados, segundo parece confirmar-se, pelo Mestre Hugo de Payns, a pedido da rainha D. Teresa
, (1) que em carta dirigida, a conselho de alguns ilustres cavaleiros portugueses, lhes oferecia casa e emprego para o seu Instituto nas fronteiras dele, em que o braço Português ia despojando ao Mouro inimigo do que tiranicamente tinha usurpado. (2) É com este Procurador (3) que a Ordem recebe, de facto [por aqueles anos], e em doação, as primeiras casas e propriedades, (4) na região de Braga, sendo confirmado que D. Teresa — rainha do condado de Portucale desde 1112 (5) — lhes doa Fonte Arcada (6), próximo de Braga, com todos os seus termos e benefícios.

Do Deo, & Militibus Templi Salomonis
Villa quæ vocatur =Fonte Arcada =&c.
E assina em ella o dito D. Guilherme Ricardo.
Guilhermus Procurator Templi in ipfis
Partibus accipio Cartam &c
. (7)

muito provavelmente já em 1126, tendo recebido, neste mesmo ano, mais dezassete doações de terras, (8) de membros da alta nobreza portucalense, aquela mesma que incitara a rainha a pedir a sua vinda e presença.
[José Manuel Capêlo, Portugal templário, Relação e sucessão dos seus Mestres [1124-1314], A presença templária em Portugal, pp. 57-58, Zéfiro, Sintra, 2008.]

Notas do Autor:

(1) — A rainha D. Teresa reinou desde a morte de seu marido, o conde D. Henrique — ocorrida em 1112 —, até 1128 ou 1129, conforme fr. Bernardo da Costa nos refere. [História da Militar Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo, p. 3.]
(2) — Frei Lucas de Santa Catarina, Catálogo dos Mestres da Ordem do Templo portugueses, que tiveram, e exercitaram este título, e cargo nesta Coroa Portuguesa, e em outras de Hespanha. Segundo o que refere, seriam vários os cavaleiros vindos ao condado Portucalense, a pedido da rainha D. Teresa. Salienta, entre os chegados, o já citado D. fr. Guilherme Ricardo, que «superintendia sobre os outros», D. Hugo Martoniensis, D. fr. Pedro Arnaldo [da Rocha] e D. fr. Gualdim Pais. [Referido por André Jean Parashi, ob. cit., pp. 95-96.]
(3) — Viterbo [ob. cit., p. 585.] diz-nos que, umas vezes se intitulavam Preceptores, outras Comendadores-mores, outras Mestres, outras Procuradores, outras Ministros, e outras Mestres provinciais (...).
(4) — Uma delas, metade da Quinta de Vila Nova, a doou Afonso Anes que por Deo, se fez Fratribus Militiae Templi, para o caso de morrer sine haerede bonae, et legitamae mulieris [Viterbo, ob. cit., p. 585].
(5) — Ano da morte do conde D. Henrique, acontecida em Astorga — devido a ferimentos recebidos em combate, aquando da tentativa de conquista desta cidade pelas forças de Afonso I de Aragão — nos finais de Abril [a 26] ou princípios de Maio [a 5].
(6) — Estudos mais recentes, mas não de todo confirmados ou publicados, parecem querer indicar que a original Fonte Arcada templária não terá sido a povoação — com o mesmo nome — existente perto de Penafiel, como nos indica fr. Bernardo da Costa, mas uma outra que se encontra a poucos quilómetros de Póvoa do Lanhoso, e cujos visíveis vestígios se nos caracterizam como a do primeiro mosteiro construído pelos templários no condado Portucalense.
(7) — Fr. Bernardo da Costa, ob. cit., p. 6.
(8) — Viterbo diz que são dezoito, as doações. [Ob. cit., p. 584.]
Encontramos sobre o assunto, de qual teria sido a verdadeira das três Fonte Arcada que se conhecem e primeiro convento construído pelos Templários em Portugal, material muito interessante para uma investigação apurada sobre a verdadeira Fonte Arcada templária. Que ela é minhota, não parecem restar muitas dúvidas. No entanto, deixe-se aos laboriosos e criteriosos investigadores o dado e o parecer, porque é deles que virá certamente a nota final.
Até breve.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

A História, o imaginário e o sonho.

Representação de Hugues de Payns,
fundador e 1º Mestre da Ordem no Outremer.

(…) existe a história do Templo e a história da sua lenda. O historiador não se ocupa apenas do verdadeiro; ele ocupa-se igualmente do falso que se tem acreditado verdadeiro; ocupa-se também do imaginário e do sonho. No entanto, recusa-se confundi-los.
[Alain Demurger, Vie et Mort de l’Ordre du Temple, p. 8, Éditions du Seuil, Paris, 1985.]

Até breve.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Sobre as funções do Mestre da Ordem do Templo.

Estas funções eram aplicadas ao Mestre da Casa-mãe, em Jerusalém, a principal Casa que a Ordem possuía, dela emanando todas as directrizes e nomeações [as que indigitava e as que, já concretizadas, dava normalmente o seu aval] para as restantes Províncias — cujos Mestres, no seu geral, aplicavam e tomavam com veneração e respeito, seguindo-as escrupulosamente.

O Mestre.

(…) O Mestre tem o báculo para sustentar os fracos, e a vara, para castigar os delitos — «Magister, qui baculum, e virgam manu tenere debet; baculum videlicet, quo aliorum virilium imbecilitates sustentet; virgam quoque, qua vitia delinquentium zelo rectitudinis feriat»1. Este poder de castigar será exercido em obediência ao Patriarca, e segundo o parecer deste. A Regra invoca o ensinamento de S. Máximo, para que nem a brandura relaxe o justo rigor, nem a aspereza desespere os delinquentes.
Se algum cavaleiro comete pecado, venial ou mortal que seja, o Mestre tem o privilégio de tomar disso conhecimento pela boca do próprio infractor, proferindo a sentença correctiva apropriada. Ou leve penitência, se o caso não for grave, ou castigo maior, se a pena for grave ou, ainda pior, se a falta chegou ao conhecimento do Mestre, não pela palavra do infractor, mas através de outro freire.2 Assim como tem o poder de admitir, tem o poder de expulsar e de separar. Se algum freire comete falta muito grave, o Mestre separa-o da comunidade e em tudo fica sujeito à disposição do Mestre.
O poder do Mestre, sem atingir as raias do discricionário, abrange o direito de dar armas e cavalos, e tudo o mais, a quem lhe parecer.3 Neste aspecto ele decide sózinho.
O Mestre preside aos Capítulos, tanto ao secreto como ao geral. O Capítulo reúne, ou toda a comunidade, ou apenas o Mestre e os conselheiros, para estudo de problemas e adequada decisão. Apesar de possuir, por escolha electiva, o báculo e a vara, símbolos do poder de governar e de ensinar, o Mestre ouve o Conselho, por lhe ser necessário ouvir e escutar quem saiba mais acerca da paz e da guerra, ou da forma de proceder adequada nesta ou em estoutra situação. O Mestre chamará ao Conselho, ou Junta (Consilium) aqueles frades que lhe parecerem de maior juízo e prudência. Se houver de decidir sobre questões maiores, ele ouvirá toda a congregação. Ouvirá, mas, tendo ouvido, o Mestre decide o que julgar melhor4.
O Mestre aplica a Regra, mas sempre há casos a considerar. São aqueles que a Regra não contempla de forma casuística, e que melhor devem constar das posteriores e necessárias Constituições. Por isso, o Mestre dispõe de poderes para julgar as excepções, os casos particulares, e determinar o procedimento em cada caso. Sabido o que se deve dar aos capelães, o Mestre decide, por «sua graciosa vontade») «Magistri sponte»)5 o que poderá dar a mais. Ele pode também alterar a ordem das orações matinais a cumprir pelos frades achacados, que dispensará do dever, caso o entenda justo. O mesmo poder se aplica ao número de cavalos a possuir por cada soldado. Se forem necessários mais de três, o Mestre dará, ou não, a respectiva licença.6 Quanto à liberdade de os cavaleiros saírem do Templo em passeio pela cidade, salvo em visita ao Santo Sepulcro, só o Mestre pode conceder licença e, por outro lado só ao Mestre incumbe o direito de autorizar que um cavaleiro saia sozinho do convento7. Neste particular, cada um deve sujeitar-se, sem constrangimento, ao que o Mestre lhe ordenar8. Idêntico poder lhe inere acerca dos arreios luxuosos, detendo ainda o poder de ouvir ler as cartas que os religiosos recebam de seus familiares, ou de qualquer outra pessoa. A leitura das cartas é devida, mas o Mestre tem o poder de dispensar o freire dessa leitura, se ele quiser, «si ei placit»9. O Mestre está isento desta obrigação de ler as cartas que recebe. Ele e o Procurador da casa têm isenção desse dever. Por fim, quanto à admissão de soldados seculares, e mediante o processo determinado pelo artigo 58.º da regra, pertence-lhe o arbítrio sobre o tempo de provação a conceder ao candidato e a sua posterior admissão. O Mestre é um abade, um pai, o primeiro responsável pelo exercício da Regra
.
[Pinharanda Gomes, A Regra Primitiva dos Cavaleiros Templários, pp. 25-27, Hugin, Lisboa, 1999.]

Notas:
1 Regula, art. 68.
2. id., art. 67.
3. id., art. 39.
4. id, art. 59.
5. id, art. 4.
6. id., art. 30.
7. id., art. 34.
8. id., art. 35.
9. id., art. 41.

Aqui podemos notar que se fala de Mestre e nunca de grão-mestre, título ou coisa inventada em tempos mais ou menos recentes — séculos XVII-XVIII — e que na Ordem do Templo — aquela de que aqui falamos, por ser a verdadeira e a única! — nunca teve existência, por nunca ter tido, ou usado, este nome, tornado deveras enigmático e ridículo pelo oportunismo da colagem, próprio, aliás, dos diabólicos e fantasmagóricos seres humanos que a inventaram. Apenas Bailío, Procurador e Mestre se lhes aplicara na verdade. Nunca este ridículo termo de grão-mestre, espécie de título de pavoneio e manta de muitos remendos, fora usado pelos Templários: quer no Outremer quer em qualquer das suas Províncias espalhadas por vários reinos europeus.

Deixo, assim e desta forma, mais alguns elementos de conhecimento que nos serão bastante úteis para a aprendizagem que desejamos possuir.

Até breve.