segunda-feira, 25 de agosto de 2008

A ideia de monge-guerreiro. (3)

A Regra de São Bento é um manual de vida espiritual para monges cenobitas, um guia para a organização de um mosteiro, e um admirável resumo da espiritualidade monástica tradicional.
Entre os séculos X e XII, e na medida em que é possível falar do monacato como uma entidade, todos os monges do Ocidente seguem a Regra de São Bento. Este monolitismo, imposto pela legislação carolíngia, adapta-se perfeitamente a uma sociedade simples e estática. Mas as orações e a liturgia dos mosteiros eram diferentes daquelas das catedrais. Tudo se encontrava orientado para o culto, e os monges foram promotores de novas técnicas de arquitectura religiosa e civil, os scriptoriums transformaram-se em “editoras” de todo o tipo de livros que enriqueciam as incipientes bibliotecas de nobres, escolas e universidades. O desenvolvimento desta “manufactura” do livro, promoveu igualmente a circulação de ideias novas.
O ideal monástico exerceu em todos os espíritos do seu tempo, incluindo nos espíritos menos cultivados, um fascínio incomparável. E a espiritualidade dos monges — com uma enorme bagagem cultural, patrística e bíblica — foi recuperada
por outros, clérigos ou laicos, que a levaram à praxis das suas vidas
.
[Francisco Rafael de Pascual, A Continuidade do Templo nas Ordens Militares e de Cister. Valores e Ideais dos Templários, Codex Templi, Cap. XIV, p. 312, Zéfiro, Sintra, 2007.]

Até breve.

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