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segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Primeiro sucesso, provavelmente!...

Combate entre cristãos e muçulmanos. (Azulejo)

O primeiro grande sucesso da Ordem Templária em terras portuguesas parece ter sucedido somente em 1147 com a conquista de Santarém. A sua acção foi suficientemente notada para que D. Afonso Henriques lhes concedesse riquezas e direitos jurisdicionais nessa vila.
[Saul António Gomes, As Ordens Militares e Coimbra medieval: tópicos e documentos para um estudo, Ordens Militares: guerra, religião, poder e cultura, Vol. 2, p. 49.]

Até breve.

domingo, 14 de setembro de 2008

A ordenação do cavaleiro.

Se bem que a Igreja tenha sempre desempenhado um papel importante nos rituais de iniciação cavaleiresca, devemos advertir que quase sempre era um cavaleiro laico quem investia o aspirante a cavaleiro — ou lhe dava o abraço —, pois este era o procedimento correcto para manter uma linhagem ou filiação iniciática.
A ordenação de um cavaleiro não é, por isso, um sacramento nem uma bênção sacerdotal. Uma ordenação cavaleiresca conferida por um sacerdote é incorrecta, ou puramente simbólica.

O mestre sufi, originário de Múrcia, Ibn Arabí (1165-1240) — o maior dos mestres do esoterismo islâmico — explicou, na sua obra Futuhat al Makkiya, em que consistiam o silêncio e a vigília, as duas condições previstas para a ordenação do cavaleiro:

“Entendo por silêncio a abstenção de falar aos homens, e a ocupação com o dhikr [a invocação do Nome divino] no coração, a palavra na alma e não com a língua [...]. Quanto ao silêncio interior, que é a abstenção de falar consigo mesmo, o aspirante não deve entreter-se com a sua alma, pensando no que espera obter de Alá e ao que está obrigado para tal, posto que isto seria uma pura perda de tempo sem nenhum proveito, “desejos vãos”. Quando se distrai no diálogo com a sua alma, o aspirante depara-se com a invocação de Alá no coração, o coração não se pode ocupar ao mesmo tempo deste diálogo e da invocação; quando isto sucede, perde-se o objectivo do isolamento e do silêncio, que é a invocação de Alá, invocação que vai polir o espelho do coração para que possa revelar-se o Senhor”.

Noutra obra, intitulada El adorno de los Abdal, o mestre acrescenta ao seguinte:

“Aquele que cala a sua língua, mesmo se o seu coração não cala, aligeira a sua carga; o que cala a sua língua e o seu coração purifica o seu “centro secreto”
[sirr] e revela o seu Senhor. O silêncio da língua é um dos traços comuns a todos os homens espirituais e a todos os homens do caminho. O silêncio do coração é uma das características distintivas dos “próximos”, que são as gentes da contemplação.”

No que diz respeito à vigília, Ibn Arabí explica o seguinte:

“A vigília é suportada pelo jejum, como efeito da diminuição da qualidade húmida e dos vapores que atraem em direcção ao sonho [...]. A utilidade da vigília consiste em manter o indivíduo num estado de consciência para que se ocupe continuamente de Alá, tal como lhe é requerido; uma vez que se o homem adormece, a sua consciência passa para o mundo intermédio
[alamu al barzai] enquanto dorme, deixando desta forma passar o proveito que pode obter-se permanecendo em estado de vigília. Se o aspirante se liga a esta regra, a vigília penetra no “olho do coração” e a partir do olho da visão subtil purifica-se pela continuidade do dhikr; é quando chega a ver, como um bem, o que Alá quer mostrar.”
[José António Mateos Ruiz, A Cavalaria Cristã. A Iniciação Templária, Codex Templi, Cap. XVI, p. 345, Zéfiro, Sintra, 2007.]

Até breve.

sábado, 6 de setembro de 2008

Muçulmanos e Templários.

Alguns falsários da história do Templo fizeram supor que entre a Ordem e os muçulmanos existiram relações mais que amistosas e que estes cavaleiros cristãos e certos sábios muçulmanos teriam mantido encontros secretos nos quais os ulemas (*) lhes teriam transmitido ocultos conhecimentos. Mas as crónicas muçulmanas, sem excepção, indicam exactamente o contrário.
Os muçulmanos definiram os cruzados que lutaram na Terra Santa, nos séculos XII e XIII, como «cães», «infiéis», «homens sem escrúpulos», «assassinos»…, termos tornados ainda mais azedos quando se referiam aos templários. O Templo foi o principal e mais odiado inimigo do Islão no Oriente, e assim permaneceu quando Saladino, o caudilho muçulmano, recuperou Jerusalém em 1187: mandou de imediato destruir todas as construções levantadas pelos templários na mesquita de al-Aqsa, sede da Ordem, para depois purificar o lugar lavando os chãos e as paredes com água de rosas trazida de Damasco. Templo e Islão sempre foram incompatíveis
.
[José Luis Corral Lafuente, Templarios en Tierra Santa, los monjes de la guerra, Historia, National Geographic, nº 42, p. 90.]

(*). — Mestres da lei islâmica e grandes conhecedores das tradições corânicas. Do árabe ‘ulama’ e de ‘alim, que era um mestre em matérias teológicas e jurídicas. (Diccionario de uso del Español actual, SM, pp. 1815-1816, 1997, Madrid.)
Até breve.