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domingo, 21 de fevereiro de 2010

Templários no Outremer. (II)

Carga de cavalaria, de Boccioni.

Ao que tudo indica, as primeiras acções militares de que os Templários participaram foram no norte da Terra Santa — distante da sua suposta tarefa de guardar a estrada dos peregrinos de Jaffa até Jerusalém. Riley-Smith sustentou que a Ordem pode ter adquirido a posse da importante região fronteiriça de Amanus, no principado de Antioquia, já em 1131; o mais tardar, os Templários controlavam Amanus em 1137, antes de qualquer actividade militar na Terra Santa seja registada. Essa região consistia num maciço ao norte de Antioquia que constituía uma barreira natural entre a cidade e a província da Cilícia, ou a Ásia Menor, a norte. Ela foi criada a fim de controlar as duas estradas que levavam através dos portões sírios até à cidade de Antioquia. O rei Fulk de Jerusalém, sucessor de Balduíno II, viajou para Antioquia em 1131 e pode ter conferido a região aos Templários nesse ano.
[Edward Burman, Templários: os Cavaleiros de Deus, pp. 60-61.]

Até breve.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Morte de Balduíno III.

A 10 de Janeiro de 1162, em Beirute, Balduíno III morreu envenenado, diz-se, pelo seu médico. O povo chorou-o. Os seus inimigos renderam-lhe justa homenagem e Nuredin em primeiro lugar. Conta-se que recusou atacar os francos durante o cortejo fúnebre do seu príncipe. Este facto merece ser realçado. A Balduíno III sucedeu Amaury I.
No Templo, Bernardo de Tremelay teve como sucessor, primeiro a André de Montbard, tio de S. Bernardo; e depois de 1156, a Bernardo de Blanquefort, de uma ilustre família da região do Languedoc
.
[Georges Bordonove, Os Templários — história e tragédia, pp. 84-85, Ed. Fondo de Cultura Económica de España, Madrid, 2001.]
[tradução nossa, da edição em castelhano.]


Até breve.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O reino franco do Oriente. (V)

Alguns importantes governantes muçulmanos invadiam constantemente os limites das terras dos cruzados das cidades de Alepo, Damasco e Homs, que ficavam a uma pequena distância de castelos e cidades dos quatro estados. Mais para leste, os seldjúcidas de Bagdad e os fatimidas de Fustat estavam prontos para se aproveitar de qualquer fraqueza, ao passo que o sultão do Egipto ameaçava constantemente a fronteira sul do Reino de Jerusalém.
[Edward Burman, Templários: os Cavaleiros de Deus, p. 60.]

Até breve.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Templários no Outremer. (I)

Templários em combate no Outremer.

Os Templários foram obrigados a agir dentro dessa teia complexa de alianças mutantes, a fim de desenvolver e consolidar o seu poder. Portanto, não é de surpreender que numa das primeiras acções registadas eles se tenham aliado ao imperador João de Constantinopla e às tropas do conde de Edessa contra os interesses do Reino de Jerusalém. Poder-se-ia argumentar, à luz das acusações posteriores de traição, que o tipo de idealismo inspirado por um homem como São Bernardo tinha necessariamente de ser modificado na turbulência e confusão da vida no Oriente.
[Edward Burman, Templários: os Cavaleiros de Deus, p. 60.]

Até breve.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Ordens Militares no Outremer.

Templário (à esquerda) e Hospitalário.
Os Templários e, à imitação destes, os hospitalários e os monges de outras Ordens que foram surgindo ao largo do século XII na Terra Santa constituem, neste sentido, os mais fiéis expoentes da ideia pontifícia de Reconquista cristã, uma ideia universalista que implicava, através da Cruzada, a libertação de quantos cristãos se achassem oprimidos pela ilegítima ocupação do Islão. Neste sentido, as primeiras Ordens, as nascidas na Terra Santa, são «universais».Tenha como cenário de actuação o campo cruzado do Oriente ou o exponencial da Reconquista Peninsular, os seus objectivos não podem ser outros senão os de actuar em defesa dos interesses da Cristandade, sob a chefia pontifícia, e ao longo dessas fronteiras, mais ideológicas que geográficas, que separavam estas terras fiéis a Cristo e à sua Igreja de que injustamente haviam sido arrebatadas pelos Infiéis. Esta teórica dependência pontifícia e este objectivo generalizador das Ordens militares conferiam aos seus monges, pelo menos num primeiro momento, uma certa auréola de autonomia respeitante ao poder secular da realeza.
[Carlos de Ayala Martínez, Las ordenes militares hispânicas en la Edad Media (siglos XII-XV), pp. 21-22.]
(Tradução nossa, a partir do castelhano.)

Até breve.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

O reino franco do Oriente. (IV)

O imperador de Bizâncio, embora governante cristão, mantinha um delicado equilíbrio de poder com os seus vizinhos muçulmanos e tinha o cuidado de não permitir que os estados cruzados se tornassem poderosos o bastante para perturbar esse equilíbrio. Ao norte ficava a Cilícia arménia, de importância fundamental para o caminho terrestre da Europa mas pronta a fazer alianças com os inimigos dos cruzados sempre que necessário. Também ao norte estavam os seldjúcidas de Mas’ud, e a nordeste as terras do emir Mohammed Ibn Ghazi — a principal potência da Ásia Menor.
[Edward Burman, Templários: os Cavaleiros de Deus, pp. 59-60.]

Até breve.

sábado, 5 de dezembro de 2009

A espiritualidade religiosa-militar no Outremer.

(…) O que deixámos explícito nas páginas precedentes explica que a primeira de todas as Ordens militares, a Milícia do Templo, nascera na Terra Santa, no recém-constituído reino de Jerusalém. Era este a fronteira mais exposta da Cristandade latina, a que punha termo ao expansivo projecto pontifício que tornava o papa no chefe do Ocidente, um chefe necessitado de instrumentos capazes de tornar realidade e, sobretudo, de poder manter o sonho legítimo da Cruzada.
[Carlos de Ayala Martínez, Las ordenes militares hispânicas en la Edad Media (siglos XII-XV), p. 21, Marcial Pons Historia/Latorre Literaria, Madrid/Arganda del Rey, España, 2007.]
[Tradução nossa, a partir do castelhano.]


Até breve.

sábado, 21 de novembro de 2009

O reino franco do Oriente. (III)

As cidades fronteiriças, tais como Edessa e Antioquia, eram disputadas pelas potências cristãs e não-cristãs circundantes, que mudavam, fundiam-se, aliavam-se ou atacavam, conforme exigiam as conjunturas do momento. A religião era, muitas vezes, subserviente a necessidades políticas e militares imediatas: o governador Isaac, irmão do imperador João de Constantinopla, fugiu da corte em 1130 e passou os nove anos seguintes a conspirar com vários príncipes muçulmanos e arménios. O sobrinho do mesmo imperador, também chamado João, tornou-se muçulmano e casou-se com a filha de Mas’ud ibn Kilij Arslan, sultão seldjúcida da Turquia e um dos maiores inimigos de seu tio.
[Edward Burman, Templários: os Cavaleiros de Deus, p. 59.]
Até breve.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

O reino franco do Oriente. (II)

Esses quatro estados muitas vezes entravam em conflito por causa de política e tornavam-se mais enfraquecidos pela presença de emirados muçulmanos independentes e das fortalezas dos Assassinos dentro da área que eles procuravam controlar. Esse paradoxo é explicado pelo facto de que a “ocupação da totalidade da Síria era um ideal (…) talvez nunca percebido e certamente nunca perseguido pelos francos sírios”. (1) Smail mostrou que as estradas que passavam dentro do território franco eram regularmente usadas por exércitos muçulmanos e que as comunicações entre Alepo e Damasco com a Mesopotâmia nunca eram interrompidos pelos cruzados. (2)
[Edward Burman, Templários: os Cavaleiros de Deus, p. 59.]

Notas do Autor:

(1). — R. C. Smail, Crusading Warfare (1097-1193), p. 19.
(2). — Ibid., pp. 20-21.

Até breve.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

O reino franco do oriente. (I)

A situação militar em que os cavaleiros Templários começaram a actuar era de uma complexidade tortuosa. O domínio franco do Oriente era dividido em quatro Estados Cruzados: o Reino de Jerusalém, o principado de Antioquia, o condado de Tripoli e o condado de Edessa. O Reino de Jerusalém tinha o mar como limite a oeste, desde as-Darum até Nah al-Kalb, ao norte de Beirute; a sua fronteira oriental ia do golfo de Aqaba, no mar Vermelho, em direcção ao norte, até a leste do mar Morto e do rio Jordão e pelas montanhas libanesas adentro. O Principado de Antioquia era muito mais antigo, como o seu patriarca. Até recentemente, fora parte do Império Bizantino, e portanto nunca fora “perdido” para os muçulmanos como os outros três estados. Antioquia controlava o caminho terrestre até aos estados da Europa e a costa marítima desde o castelo de al-Marqab, no sul. A sua fronteira norte ia ao norte de Misis até Marash, então contornava Alepo em direcção ao norte e estendia-se a leste do rio Orantes até Kafartab, a partir de onde a sua fronteira sul se estendia até ao mar ao norte de Ahaizar e do território ocupado pelos Assassinos. O Condado de Tripoli estendia-se do litoral perto de Nahr al-Kalb até um ponto a norte de Tortosa, e então, a partir de Ba’rin, a fronteira seguia a sudoeste do rio Orantes e da cidade de Homs. Em seguida prolongava-se de Jubail até ao mar. Por último, o efémero Condado de Edessa ficava situado a nordeste de Antioquia e estendia-se até ao outro lado do rio Eufrates. A sua fronteira norte ia de Marash, na actual Turquia, até Besni e Samsat; ali virava para sul, na direcção da Síria de hoje, e passava entre o próprio condado de Edessa e Harran.
[Edward Burman, Templários: os Cavaleiros de Deus, pp. 58-59, Editora Record.]

Até breve.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Ascensão e queda.

Guerra no Outremer.

Jerusalém estava de novo em mãos muçulmanas, e as outrora gloriosas Ordens Militares foram dizimadas, ou, pelo menos e até certo ponto, manchadas com fracasso e derrota. Todo o Reino de Jerusalém fora tomado, com excepção da inconquistável fortaleza de Belfort e da cidade de Tiro. O principado de Antioquia foi reduzido à cidade de Antioquia — conservada por Boemundo, seu governante, em consequência de uma trégua com Saladino — e ao castelo de al-Marqab. No condado de Tripoli, somente uma única torre em Tortosa, os dois pequenos castelos templários de Chastel Blanc e Chastel Rouge (Qala’at Yahmur), a inconquistável fortaleza hospitalária de Krak des Chevaliers e a cidade de Tripoli ainda estavam em mãos cristãs.
Os Templários emergem disso com pouco crédito: a coragem templária nunca foi posta em dúvida, mas muitas vezes foi colocada fora de lugar. Se a força total da Ordem na Síria latina fora, de facto, os seiscentos cavaleiros citados anteriormente, então metade desse número foi perdido em questão de semanas: 60 em Nazaré e 230 em Hattin.
(1) Outros foram perdidos em Darbsak e nas batalhas de menor importância da campanha de Saladino. Enquanto a Ordem estava no seu auge no Ocidente como potência financeira e proprietária de terras, no final do século XIII os Templários na Terra Santa eram um bando de homens abatidos e derrotados.
[Edward Burman, Templários: os Cavaleiros de Deus, pp. 133-134.]

Nota do Autor:

(1). — Riley-Smith, The Knights of St. John, p. 327n.

Até breve.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Gaza: primeiro castelo templário a sul do Reino Latino de Jerusalém.

Antes de examinar a táctica e as armas empregues pelos Templários, podemos perguntar o que foi feito da sua vocação original de protectores dos peregrinos que se dirigiam a Jerusalém. Quando aparecem na História, já são parte das forças militares regulares dos estados cruzados, ao passo que a sua função original parece ter sido esquecida. É um facto curioso que o seu primeiro castelo ficasse na fronteira norte, a seiscentos quilómetros da estrada de Jaffa para Jerusalém, ao passo que os primeiros castelos na fronteira sul não foram confiados aos Templários nem construídos por eles: Ibelin, construído pelo rei Fulk de Jerusalém a dezasseis quilómetros a sudoeste de Lidda, foi confiado a Balian, irmão do conde de Chartres, que deveria proteger a estrada de Ascalon a Jaffa e Ramlah; Blancheregard foi construído ao sul de Ibelin para proteger a estrada de Ascalon a Jerusalém, e foi colocado nas mãos do conde de Arnulf; um outro castelo, chamado Betgibelin, foi construído para controlar a estrada de Ascalon a Hebron e foi dado aos Hospitalários. Este último castelo foi construído depois do patriarca Guilherme de Jerusalém ter organizado uma campanha contra salteadores na estrada de Jaffa para Jerusalém. (1) O primeiro castelo templário no sul do Reino Latino de Jerusalém (2) foi Gaza, que foi reconstruído, fortificado e confiado aos Templários em 1149-50 como base para represálias contra Ascalon. (3) Nalgum ponto da linha, entre a inspiração original de Hugues [de Payns] e a expansão da Ordem sob o comando de Robert de Craon, os Templários tinham mudado completamente de carácter. É como uma ordem de cruzados plenamente desenvolvida que ouvimos falar pela primeira vez dos notáveis êxitos templários.
[Edward Burman, Templários: os Cavaleiros de Deus, pp. 62-63.]

Notas do Autor:

(1). — Smail, Crusaders’ Castles, p. 140.
(3). — Guilherme de Tiro, History, II, p. 203.

Nota nossa:

(2). — O Reino Latino de Jerusalém foi um reino cristão criado no Outremer, pelo ano de 1099, depois da conquista de Jerusalém durante a 1ª. Cruzada. Teve como capital esta cidade e depois de perdida ante as forças de Saladino, a 2 de Outubro de 1187, fixou-se em Acre. Foi extinto em 1291, com a conquista desta última cidade, pelas forças muçulmanas de Al-Asharaf, a 18 de Abril.

Até breve.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Primeiros combates e nova táctica apreendida.

A história da Ordem no Oriente é extremamente nebulosa nesse período (1), e, na verdade, uma das suas primeiras acções registadas parece ter sido uma derrota humilhante. Durante a campanha de Fulk em Gilead, conta Runciman, “um bando de muçulmanos conseguiu atravessar o Jordão perto da sua junção com o Mar Morto e atacar a Judeia, onde atraíram um grupo de cavaleiros templários enviado contra eles” (2). De facto, isso foi algum tempo antes de os Templários e outros cavaleiros presentes na Terra Santa desenvolverem uma táctica para contraporem à dos muçulmanos e dos turcos seldjúcidas, que empregavam métodos de guerra diferentes daqueles aos quais os cavaleiros europeus tinham sido acostumados. Os Templários fizeram bom uso dessas primeiras experiências e mais tarde tornaram-se os estrategas militares dos reis e cruzados que lutaram na Terra Santa.
[Edward Burman, Templários: os Cavaleiros de Deus, p. 62.]

Notas nossas:

(1). — De 1131 a 1143.
(2). — Steven Runciman, History of the Crusades, II, p. 230.
Até breve.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Demanda da Terra Santa.

Assalto a castelo.

Os decretos papais, sobre a Cruzada, de imediato começaram a publicar-se. Este apelo comunicou-se a todos os reinos europeus. Resultou assim que obtivesse uma resposta tão pronta quanto entusiástica de muitos, já que apelara para a consciência e motivos então predominantes: a inabalável fé e religiosidade; o amor pela aventura e pela luta; e para muitos, a grande maioria dos cavaleiros, o de poderem melhorar materialmente as suas vidas, já que, no fundo, o interesse ao apetecido saque, por poder ser proveitoso, predominava e era ambicionado. A lei mercenária vigoraria, como nunca, em pleno.
A demanda da terra que viu nascer e morrer Cristo — por isso mesmo Santa — a luta contra o muçulmano, a que chamavam, depreciativamente, «infiel», aliado à necessidade de pôr em prática o juramento da fé, pela honra e pela espada, eram o dever e o culto mais importantes para o cavaleiro da Idade Média
(1) em toda a Europa. O espírito da cruzada acentuou ainda mais esta demanda e todo aquele que nela participasse devia trazer cozida uma cruz de pano nas suas vestes. (2)
[José Manuel Capêlo, Portugal templário, Relação e sucessão dos seus Mestres [1124-1314], A presença templária em Portugal, p. 38.]

Notas do Autor:

(1). — Deveras clara, a opinião que Oliveira Martins manifesta sobre a Idade Média e dos conflitos que opunha homens, fé, e deveres: No seio da barbária corrupta em que se revolvia, a Idade Média tinha, porém, não só o instinto dos deveres, inato nos homens, como o medo dos castigos divinos pregados por uma religião que até para o próprio clero baixara às condições de um quase fetichismo.[Oliveira Martins, História de Portugal, p. 73.]
(2). — Assim teria nascido o termo «cruzado».

Até breve.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Forças de fronteira.

Ao que tudo indica, as primeiras acções militares de que os Templários participaram foram no norte da Terra Santa — distantes da sua suposta tarefa de guardar a estrada dos peregrinos de Jaffa a Jerusalém. Riley-Smith sustentou que a Ordem pode ter adquirido a posse da importante região fronteiriça de Amanus, no principado de Antioquia, já em 1131; o mais tardar, os Templários controlavam Amanus em 1137, antes de qualquer actividade militar na Terra Santa seja registada (1). Essa região consistia num maciço ao norte de Antioquia que constituía uma barreira natural entre a cidade e a província da Cilícia, ou a Ásia Menor, ao norte. Ela foi criada a fim de controlar as duas estradas que levavam através dos portões sírios até à cidade de Antioquia. O rei Fulk (2) de Jerusalém, sucessor de Balduíno II (3), viajou para Antioquia em 1131 e pode ter dado a região aos Templários nesse ano.
[Edward Burman, Templários: os Cavaleiros de Deus, pp. 61-62.]

Notas do Autor:

(1). — Riley-Smith, Templars and Teutonic Knights, pp. 93-95.

Notas nossas:

(2). — Fulco d’Anjou [1131-1143].
(3). — Balduíno II [1118-1131].
Até breve.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Castelos Templários no Outremer. (III)

Também La Fève, na região da Galileia, constitui um recinto fortificado numa importante estrada que levava a Acre pelo vale de Jezreel. Rota igualmente muito utilizada por peregrinos era a que unia Jerusalém a Jericó, onde a Ordem ergueu o castelo de Maldoim, vigiando o vale do Jordão. O recinto vulgarmente conhecido por Le Castellet, datado de 1178, foi outra notável estrutura militar templária que, no entanto, veio logo de seguida a soçobrar, devido a ter sofrido o ataque de uma das primeiras acções bem sucedidas das novas técnicas muçulmanas de sapa e minagem, que destruíram uma das suas torres, o que veio a causar a morte à maior parte da guarnição sitiada e a centena de prisioneiros. (1)
Este clima de permanente tensão há muito havia substituído a emotividade que se tinha sentido após a conquista da Cidade Santa e novas soluções tinham de ser rapidamente encontradas para colmatar os enormes problemas de defesa.
[Nuno Villamariz Oliveira, Castelos da Ordem do Templo em Portugal, 1120-1314, Vol. I, p. 130.]

Nota do Autor:

(1). — Cf. Kennedy, H., Crusader Castles, Cambridge University Press, Cambridge, 1994, p. 57.

Até breve.

sábado, 9 de maio de 2009

Castelos Templários no Outremer. (II)

Embora se compreenda que desde cedo os cavaleiros obtiveram, do Rei e da igreja, importantes benefícios, desconhece-se a data a partir da qual terão começado a erguer fortificações para poderem proteger as rotas de peregrinação à Cidade Santa e aos locais da tradição bíblica(1). Os investigadores da presença europeia na Palestina apontam o final da primeira metade do século XII como a data possível das primeiras fortificações templárias, bem como dos seus assentamentos nas principais cidades, como Jerusalém, Acre, Tiro, Giblet, Tortosa ou Antioquia, entre outras. O castelo conhecido como Le Toron de Chevaliers parece ter sido construído, para apoio dos peregrinos, por volta de 1172, no caminho entre o porto de Jaffa e a capital do reino. Nesta mesma estrada, outro castelo, Castrum Arnaldi, iniciado em 1131 pelo Patriarca de Jerusalém, foi, provavelmente por volta de 1160, entregue aos Templários.
[Nuno Villamariz Oliveira, Castelos da Ordem do Templo em Portugal, 1120-1314, Vol. I, p. 130.]

Nota do Autor:

(1). — Este facto levanta, mais uma vez, a questão de saber se os castelos erguidos pelos Templários são ou não ulteriores a outros erguidos na Europa Ocidental, sobretudo na Península. Se os exemplos portugueses e alguns catalães estão documentados a partir do segundo quartel do século XII, os do Oriente parecem pertencer já à segunda metade da centúria. A ausência de informação fidedigna poderá eternizar estas dúvidas, que dificilmente serão esclarecidas.


Até breve.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Castelos Templários no Outremer. (I)

castelo no Outremer.

Não podemos saber com exactidão as datas de fundação dos castelos Templários no Oriente em virtude de os arquivos da Ordem terem sido destruídos após o seu violento processo de extinção. Tanto quanto é possível avaliar pela documentação existente, as mais antigas possessões da Ordem do Templo nesta região datam dos anos de 1137 a 1140, como Roche Guillaume ou Trapesac, a norte do Principado de Antrioquia, nas montanhas de Amanus, na Arménia (1). Temos conhecimento de estes cavaleiros se terem fixado no seu quartel-general em Jerusalém (2), no palácio real, ou Templum Salomonis — Mesquita de al-Aqsa —, por oferta do rei Balduíno, e ainda, na Cúpula do Rochedo, no lugar conhecido como Templum Domini, após cedência desse espaço pelos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho.
[Nuno Villamariz Oliveira, Castelos da Ordem do Templo em Portugal, 1120-1314, Vol. I, pp. 129-130.]

Notas do Autor:

(1). — Cf. Riley-Smith, J., “The Templars and the Teutoic Knights in Cilician Armenia”, The Cilician Kingdom of Armenia, ed. T. S. R. Boase, Londres, 1978.
(2). — Os Templários foram, de todas as Ordens Militares, aqueles que mais beneficiaram da atenção generosa por parte dos governantes de Jerusalém, sobretudo no segundo quartel do século XII, com Balduíno II e o Conde Folque de Anjou, seu sucessor. No entanto, a acreditar no cronista Guilherme de Tiro, também conheceram uma certa oposição política do rei Amalrico, num episódio com a seita dissidente muçulmana dos Assassinos, com a qual o monarca pretendia estabelecer contactos.
Até breve.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Templários nos Estados Latinos do Oriente.

No que toca à acção dos Templários nos Estados Latinos do Oriente também muita investigação tem sido feita, como referimos anteriormente, desde meados do século XIX. Nestas regiões, porém, nunca foram tentadas monografias específicas sobre qualquer das milícias internacionais, tendo estas sido sempre integradas no conjunto da presença conquistadora e colonizadora europeia. O estudo dos castelos dos Cruzados tem sido levado a cabo sobretudo tendo como pano de fundo uma visão global e, até aos nossos dias, o destaque individualizado das Ordens do Templo ou do Hospital nestas paragens nunca foi tratado. (1) Muito menos terão sido ainda pesquisadas as eventuais particularidades que caracterizam cada uma destas Ordens, em todos os domínios territoriais que possuíram, do Norte da Europa ao Sul mediterrânico, ou de Portugal à Terra Santa. Apesar desta evidente lacuna historiográfica avançaremos de seguida para um esboço geral, cujo objectivo é traçar uma pequena síntese, mas que nos permitirá explorar diversas implicações que a questão templária, cujo âmbito foi internacional, teve no nosso país.
[Nuno Villamariz Oliveira, Castelos da Ordem do Templo em Portugal, 1120-1314, Vol. I, pp. 125-126.]

Nota do Autor:

(1). — A investigação sobre a Ordem do Templo, apesar de sempre ter sido abordada em todas as obras sobre a arquitectura militar dos Cruzados, nunca teve a oportunidade de receber um tratamento individual, sendo quase sempre inserida de modo fragmentado.
Até breve.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

A Ordem do Templo, antes e depois de Robert de Craon.

Depois da batalha...

O comando de Robert [de Craon] alterou o carácter dos Cavaleiros Templários profundamente. A Ordem fora fruto da imaginação de homens que eram membros da primeira geração de francos na Síria Latina, com a sua experiência e qualidades especiais, mas com a sua imaginação limitada. Ela agora seria modificada, tanto no campo de acção quanto na prática diária, sendo transformada numa Ordem de cavaleiros que reflectia os valores da nobreza provençal.
[Edward Burman, Templários: os Cavaleiros de Deus, Editora Record, Rio de Janeiro, Brasil, 1994.]
Até breve.