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sábado, 19 de setembro de 2009

Matança dos monges de Cister em 1195. (II)

E que se pode crer piamente alcançaram estes religiosos a palma de mártires, pois em ódio particular da fé cristã deviam ser mortos pelos mouros. Governava então esta abadia D. Fernando, quarto em número entre os abades daquela insigne casa, cuja sepultura não pude achar entre os abades antigos; creio que seus ossos, com os demais religiosos que ali morreram, se trasladaram todos juntos para o capítulo de Alcobaça, aonde está uma campa entre as dos outros abades, em que diz que ali descansam, Hic requiescunt, sem nomear quem e como se nomeiam muitos em plural fora do estilo dos letreiros das outras sepulturas que estão juntas e são dos abades, me não ocorre quem possa ali jazer senão o abade e os monges que nesta ocasião juntamente morreram.
[António Brandão, fr., Crónica de D. Sancho I e D. Afonso II, p. 60.]
Até breve.

domingo, 30 de agosto de 2009

Matança dos monges de Cister em 1195. (I)

Um exército dos árabes entrou em Portugal e, passando o rio Tejo, se estendeu pela comarca de Santarém, fazendo grandes males. Chegou à vila de Alcobaça, distante de Santarém oito léguas e do Mar Oceano quase duas, aonde lhe fizeram os nossos resistência, mas não resultou dela mais que ficarem os cristãos desbaratados e os monges de Cister daquele insigne mosteiro passados a cutelo. Não fazem menção nossos autores deste caso. Mas refere-o Rogério de Hoveden com estas palavras:
Entretanto os pagãos, destruindo a terra de D. Sancho, rei de Portugal, chegaram à Abadia de Alcobaça e mataram os monges de Cister, que serviam a Deus naquela casa e se puseram em defensa. Isto diz aquele autor e, posto que não declare se foi esta resistência em algum recontro que o abade de Alcobaça poderia ter com os mouros, com a gente de suas terras, se foi no próprio mosteiro ou no castelo da vila, que já então era fundado (…), não há dúvida que a matança dos nossos seria grande, pois como coisa notável faz memória dela esse autor estrangeiro.
[António Brandão, fr., Crónica de D. Sancho I e D. Afonso II, p. 60.]

Até breve.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Abades de Alcobaça.

Abadia de Alcobaça.

A abadia de Alcobaça governava D. Martinho, segundo do nome, terceiro abade daquela casa, do qual tratámos em o tomo antecedente, livro II, cap. 15. Faleceu em o fim de Setembro do ano do Senhor de 1191. Entrou em seu lugar D. Fernando, a quem nossos autores fazem segundo abade; mas já temos visto de escrituras como o segundo abade se chamou D. Pero Mendes.
[Fr. António Brandão, Crónica de D. Sancho I e D. Afonso II, p. 38.]

Até breve.

domingo, 16 de novembro de 2008

Privilégios dos abades de Alcobaça.

Fachada barroca do mosteiro de Alcobaça.

Na ordem social, era de assinalar a preeminência dos abades de Alcobaça sobre os demais clérigos: outrora assinavam e confirmavam nas doações reais imediatamente a seguir ao último bispo e, depois deles, os Mestres das Ordens militares, o Prior mor de St.ª Cruz de Coimbra, o Prior de Guimarães, o Prior de Palmela e Avis, e de todas as outras dignidades eclesiásticas com autoridade para assinarem nas confirmações.
[Leonor Correia de Matos, A Ordem de Cister e o Reino de Portugal, p. 47, Fundação Lusíada, Lisboa, 1999.]

Até breve.