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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Estratégia Aquém-Tejo.

Avanço de um exército sarraceno.
Pormenor da pintura: a batalha de Guadibeca.

Como hábeis estrategas, o rei Afonso o Velho, como a Afonso Henriques chama um tomarense de 1317, e o Mestre Gualdim Pais, viram que era mister, para consolidação do Portugal de Aquém-Tejo, defender a via romana que de Scalabis, pelo vale de Tomar, dava acesso ao coração do reino — Coimbra; e evitar que uma travessia fácil da moirama pelo Tejo, fizesse cair, como no final do século XI, de novo Santarém e Lisboa, nas mãos dos infiéis.
[Amorim Rosa, De Tomar, p. 22, 2ª edição.]

Até breve.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Investigadores antigos e modernos da Ordem do Templo, em Portugal.

Também por me parecerem — e serem! — verdadeiramente importantes os estudos históricos realizados por investigadores antigos e modernos — de que destaco, manifestamente, os nomes de Pedro Álvares Seco (1) [séc. XV]; fr. Jerónimo Roman (2) [ou Romano] [séc. XVI]; fr. António Brandão [1584-1637]; Alexandre Ferreira (3) [1664-1737]; fr. Bernardo da Costa [1701-1779] — porventura, estes dois últimos, os mais importantes dos investigadores que, num tempo mais ou menos próximo de quase trezentos anos, se debruçaram e escreveram, quase que exclusivamente, sobre a Ordem do Templo em Portugal; fr. Joaquim de Santa Rosa de Viterbo [1744-1822]; o historiador alemão Eric Schæffer (4) [sécs. XVIII-XIX]; Alexandre Herculano [1810-1877]; Vieira Guimarães [1864-1939]; Amorim Rosa, Manuel da Silva Castelo-Branco, António Lopes Pires Nunes, Mário Jorge Barroca, Saul António Gomes, Paulo Pereira, Nuno Villamariz Oliveira, Maria Sofia Dias Rodrigues, Paulo Alexandre Loução, entre poucos mais —, dados em textos de honestíssima investigação e criteriosa narrativa, contribuindo, desta forma, para um melhor esclarecimento para a História — de personagens e factos — que relembrará a existência e passagem da Ordem do Templo em Portugal.
[José Manuel Capêlo, As Sedes Templárias em Portugal, Castelo Branco, a Cidade-Capital Templária de Portugal: de 1215 a 1314, Codex Templi, Capítulo VII, p. 161, notas 21 a 24.]

Notas do Autor:

(1). — Aquele Pedro Álvares Seco que por mando de El-Rei D. Sebastião, no ano de 1560 escreveu o tombo das rendas e direitos do Convento de Tomar e comendas da Ordem de Cristo, em dois volumes, que se encontram manuscritos na Biblioteca Nacional. (...) [J. Ribeiro Cardoso, Castelo Branco e o seu Alfoz, achegas para uma monografia regional, p. 20.]
(2). — Monge de origem castelhana.
(3). — Que escreveu um Suplemento Histórico ou Memorias, e Notícias da Celebre Ordem dos Templários, para a História da admirável Ordem de Nosso Senhor Jesus Christo, Parte Primeira, Tomo Primeiro; e umas Memorias, e Noticias Históricas da Celebre Ordem Militar dos Templários na Palestina, para a Historia da admirável Ordem de Nosso Senhor Jesus Christo em Portugal, Tomo Segundo da Primeira Parte, ambas publicadas em 1735. Há um terceiro volume, Historia das Ordens Militares que houve no Reyno de Portugal, que nunca chegou a ser publicado, devido à morte do seu autor, mas que corre em edição fac-similada, como os dois anteriores.
(4). — Que escreveu uma belíssima e muito correcta História de Portugal, em cinco volumes, que o próprio Herculano referiu muito elogiosamente, já que lhe teria sido extremamente útil para a sua História de Portugal, desde o começo da monarquia até o fim do reinado de Afonso III, publicada em 4 volumes [1ª edição de 1847].

Nota nossa:

Poderemos acrescentar vários nomes de investigadores portugueses, que, por esquecimento ou desconhecimento à altura da publicação do seu livro, José Manuel Capêlo não citou. São eles: P. M. Laranjo Coelho, Iria Gonçalves, Maria Alegria Fernandes Marques, Manuel Sílvio Alves Conde, Isabel Morgado de Sousa e Silva, Ernesto Alves Jana ou José Manuel Vargas, entre poucos mais.
É apenas uma achega ao número daqueles que se debruçam sobre a documentação, existente e/ou visível, da Ordem do Templo no nosso País.

Até breve.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Templários em Portugal.

Templário em combate.

A Ordem do Templo tinha como bandeira a «balsa», bipartida de negro — terror e morte dos inimigos — e branco — fé e caridade para os cristãos; ao meio, a vermelho, a cruz doada por Pedro Bernardo (Eugénio III) e em volta, padrão de modéstia de tais homens, só ombreada pela sua fé e pela sua valentia, este salmo do rei David: «Não a nós Senhor, não a nós, mas ao Teu nome dá Glória!», que era também o seu grito de guerra.
Tais eram os cavaleiros que em 1126 estabeleceriam a sua cabeça em Braga e a quem, em 1147, D. Afonso Henriques doava os rendimentos eclesiásticos de Santarém
.
[Amorim Rosa, De Tomar, p. 20, 2ª edição, (fac-simile), Edição comemorativa do V centenário da morte do Infante D. Henrique e do VII centenário da cidade de Tomar, Tomar, 1991.]

Até breve.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Doações de padroados.

D. Dinis e a rainha Santa Isabel doam à Ordem do Templo o padroado das Igrejas de S. Mamede [de Mogadouro] e de Santa Maria [de Penas Róias], com todas as suas capelas e ermidas, bem como todos os seus direitos e pertenças. A escritura foi feita em Coimbra, a 25 de Maio de 1297.
[José Manuel Capêlo, Portugal templário, Relação e sucessão dos seus Mestres [1124-1314], A presença templária em Portugal, p. 160.]

Até breve.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Bens Templários. (II)

Alegando o prejuízo que com a sua incorporação na Ordem do Hospital sofreria a coroa e o reino, o nosso D. Dinis propôs à Santa Sé que com os bens dos Templários se fundasse uma milícia portuguesa à qual daria para sede a vila de Castro Marim, lugar forte e quase inexpugnável, situado ainda na fronteira dos sarracenos. Ao fim de sete anos de negociações, o papa João XXII acedeu aos desejos do monarca e pela bula Ad ea ex quibus, expedida de Avinhão, a 14 de Março de 1319, instituiu a Ordem de Cristo, à qual aplicou tudo o que em Portugal pertencia aos Templários. D. Dinis aceitou a bula, por diploma de 5 de Maio do mesmo ano. À nova milícia foi dada a regra de Calatrava e assinada por casa principal a de Castro Marim. Diz-se que passaram para ela muitos dos Templários portugueses. A eleição dos mestres, à excepção do primeiro, D. fr. Gil Martins, nomeado pelo papa, pertencia aos próprios freires; ficou visitador e reformador da Ordem o Dom Abade de Alcobaça. Pelo ano de 1356, a sede da Ordem mudou-se de Castro Marim para Tomar, onde depois se conservou.
[Miguel de Oliveira, pe., História Eclesiástica de Portugal, pp. 110-111.]

Até breve.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Dívidas reais.

Das avultadas somas emprestadas pela Ordem a D. Dinis, estas seriam pagas com os rendimentos de Idanha-a-Nova e Salvaterra do Extremo, para tal fim consignados em documento régio de 1310.
[José Manuel Capêlo, Portugal templário, Relação e sucessão dos seus Mestres [1124-1314], A presença templária em Portugal, p. 165 e nota 482.]

Nota do Autor:

(1). — O rei D. Dinis, em 1310, quando se desenrolava o processo contra os templários, conseguiu reaver Idanha-a-Velha, depois de uma série de discussões, não viesse a fortaleza passar para outro senhorio; tanto que fizera um acordo, nesse sentido, com o rei D. Fernando IV de Castela, onde eram englobados todos os bens da Ordem, tanto lá quanto cá. Foi mesmo mais longe. Os documentos que davam a velha cidade como pertença dos templários foram tidos por suspeitos. Idanha-a-Velha passa, assim, para a Ordem de Cristo, quando esta é criada. [Fernando de Almeida, D., Egitânia — história e arqueologia, pp. 76-78.]


Até breve.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Carta de paz e concórdia.

Bula Ea que pro bono pacis de Adriano IV, passada a 15 de Junho de 1159, confirmando a carta de paz e concórdia estabelecida entre o bispo de Lisboa e a Ordem do Templo respeitante aos direitos do eclesiástico de Santarém.
[José Manuel Capêlo, As Sedes Templárias em Portugal, Castelo Branco, a Cidade-Capital Templária de Portugal: de 1215 a 1314, Codex Templi, Capítulo VII, p. 177.]

Até breve.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

A importância de Tomar e Castelo Branco como cidades Templárias em Portugal.

Em relação à importância de Tomar como capital templária de Portugal, deveremos reconhecer que ela foi visível aquando da sua formação, começada a 1 de Março de 1160 e acabada no exacto momento em que a sede passou para o recém construído castelo de Castelo Branco, pelo ano de 1214 ou 1215, altura em que a cabeça da Ordem do Templo em Portugal trocou aquela urbe por esta.

Resulta que Tomar passou a identificar-se como um simples priorado, uma normal bailía e uma relativamente importante Comenda, já que era nela que se continuariam a fazer sepultar — na Igreja de Santa Maria dos Olivais, o panteão Templário de Portugal —, os seus Mestres, para onde eram transportados, tivessem morrido onde tivessem. Culto sagrado que os Templários não prescindiam de fazer. Isto verificou-se até ao seu penúltimo Mestre, D. fr. Lourenço Martins [1291-1293], dado que o último, D. fr. Vasco Fernandes [1293-1314], à altura da sua morte [1323], era Comendador de Montalvão, da recém-formada Ordem de Cristo — natural continuadora e sucessora da Ordem do Templo, que D. Dinis formara em Portugal para absorver a maioria dos bens pertencentes àquela Milícia, aliás, maioritariamente constituída por antigos monges-guerreiros Templários — fora sepultado “sob a nave principal e junto ao altar-mor da igreja de Montalvão”, como se julga saber, e nos refere José Manuel Capêlo [
Portugal templário, Relação e sucessão dos seus mestres [1124-1314], A presença Templária em Portugal, p. 169, Zéfiro, Sintra].

A importância de Tomar voltou a ser evidente e tomar a projecção, que o tempo e o modo proporcionaram que tomasse, apenas, aquando do regresso da hierarquia da Ordem de Cristo, vinda de Castro Marim, em 1357, onde tinha a sua sede desde 1319, durante o mestrado de D. fr. Nuno Rodrigues [1356-1372].

Portanto, há que fazer uma revisão geral sobre a matéria e colocar devidamente nos seus lugares os homens, os factos e os registos como eles devem ter de ser colocados, aliás com o rigor e a sem cerimónia que a História exige que se faça.

É evidente que Tomar, dada a beleza de que sempre se rodeou e a preservação que tem tido e sabido manter ao longo de todos estes séculos, não só do seu castelo mas da grande maioria dos seus próprios elementos, como urbe, merecerá uma atenção bem maior do que a que Castelo Branco tem evidenciado. Evidentemente nesta, muito por culpa da sistemática destruição causada pela mão humana, dos que mandam e dos que talham, não só no castelo mas, principalmente, na memória dos Templários que a souberam erguer e fazer preservar durante os cem anos de vigência da Ordem no seu seio, e, igualmente, mantida capital Templária dos 3 reinos, Leão-Castela-Portugal, até 1288, ano da morte do Mestre D. fr. João Fernandes [1283-1228], altura em que se dissolveu, dado os elementos Templários de Castela(-Leão) resolverem, à revelia, tornar-se “independentes” do comando que sempre fora tido por portugueses, excepto no Mestrado de D. fr. Guilherme Fulcon, que tudo indica parece ser oriundo de França ou da Catalunha, ou, quiçá, mesmo de Portugal [Cf. José Manuel Capêlo, ob. cit., p. 155]. A destruição contínua do seu espaço e, como dissemos, principalmente da sua memória, que se continua a verificar até mesmo nos dias de hoje, sem respeito nenhum pela ancestralidade e pelo lugar, pouco deverá constituir de imagem e tempo a que foi, durante cem anos, a capital e a cidade templária mais importante de Portugal.

Por isso, duma coisa devemos ter conhecimento e noção: é que não foi Tomar a cidade templária por excelência, em Portugal, como nos tem sido dito ou pretendido fazer entender, mas sim Castelo Branco. Há que ter plena consciência e franco conhecimento, relação e evidente parecer.

Tem que se atentar mais na realidade da História do que na nomenclatura do mito, para que a verdade histórica seja aquela que deva ser conhecida e não uma outra qualquer que nos querem impingir e fazer que perdure.

Tudo o resto, é um pouco como… cantigas, que a leveza do vento breve traz e a pouca memória dos homens consente
.
Pedro Alvites
Até breve.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Ferreira de Aves.

Por outro lado, já metade da povoação de Ferreira de Aves, em 1146, era pertence dos Templários. Estabelecidos no seu castelo de Soure trocam com os cavaleiros do Hospital as terras que aqui possuíam.
[José Manuel Capêlo, As Sedes Templárias em Portugal, Castelo Branco, a Cidade-Capital Templária de Portugal: de 1215 a 1314, Codex Templi, Capítulo VII, p. 173.]

Até breve.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Doação de Idanha-a-Velha aos Templários, em 1199.

«Eu, el-rei D. Sancho [I], com meu filho el-rei D. Afonso [II], e os demais filhos e filhas, faço escritura e troca firmíssima a vós D. Lopo Fernandes, mestre da Ordem do Templo, e a vossos cavaleiros da cidade de Idanha, a qual vos damos por dois castelos que nos entregaste em terras de Bragança, que são Penas Roias e Mogadouro». [Livro de Mestrados, folha 17, Torre do Tombo, Lisboa.]
Passou-se a carta na Covilhã a cinco de Julho da era de 1237, que é o ano de 1199 [da era cristã]. Confirmam nela D. Gonçalo Mendes, mordomo da Corte; D. Paio Moniz, alferes; D. Raimundo Pais, senhor da Covilhã; D. Martim Lopes, senhor de Trancoso; D. Lourenço Soares, senhor de Lamego; D. Egas Afonso, senhor de Lafões; D. João Fernandes, vedor da Casa ou trinchante de el-rei
.
[António Brandão, fr., Crónica de D. Sancho I e D. Afonso II, p. 106.]

Até breve.

domingo, 15 de novembro de 2009

Confirmação do castelo de Soure aos Templários.

Castelo de Soure.

A transferência da cúria para Coimbra trouxe, naturalmente, para a ordem do dia a questão da segurança da cidade. As medidas sucederam-se. Pouco anos antes, D. Afonso Henriques tinha confirmado à Ordem do Templo a posse do Castelo de Soure e do seu termo (onde se incluíam as povoações de Ega, Redinha e Pombal). A primeira doação deste território tinha sido assinada por D. Teresa em 19 de Março de 1128 (DR, 79). Depois da batalha de São Mamede, o príncipe «confirma» a doação de sua mãe, outorgando, a 14 de Maio de [1129-1130], um diploma de teor semelhante (DR, 96). O diploma de D. Teresa ocupa um lugar especial na história dos Templários em Portugal já que é o primeiro documento que testemunha a presença destes freires entre nós, apenas uma década depois da fundação da Ordem em Jerusalém. Com essa doação, os freires do Templo recebiam um território de vital importância, que permitia controlar os acessos a Coimbra a partir do sul, nomeadamente o itinerário que seguia a velha estrada romana que ligava Lisboa a Coimbra. O diploma de D. Afonso Henriques, de [1129-1130], veio confirmar a confiança que o infante depositava nos freires, que nessa altura estariam, por certo, a reconstruir o antigo Castelo de Soure, erguido por D. Sesnando depois da reconquista de 1064.
[Mário Jorge Barroca, Do vale do Mondego à reconquista definitiva de Lisboa (1147), Vol. 1, p. 40, Da Reconquista a D. Dinis, Nova História Militar de Portugal.]
Até breve.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Chegada dos Templários a Portugal.

Certeza do ano da sua entrada no condado de Portucal não há, no entanto sabe-se de positivo do desejo de D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques em os ter cá e foi por isso que ela e mais dezassete nobres portugalenses doaram aos cavaleiros do Templo, Font-Arcada (1), pois vemo-los assinar todos e mais D. Fernando (2) corregente esse título sem contudo se saber a data.
A doação de Soure, em Março de 1128, por essa senhora, prova também a existência de trabalhos para a fixação dos templários em Portugal
.
[Vieira Guimarães, A Ordem de Cristo, p. 7.]

Notas nossas:

(1). — Cremos que esta Font-Arcada não é outra senão a povoação de Fonte Arcada de Póvoa do Lanhoso, aliás, como anteriormente deixámos expressa a nossa opinião.
(2). — D. Fernando é o conde galego D. Fernão Peres «de Trava».
Até breve.

sábado, 12 de setembro de 2009

O castelo de Penha Garcia. (III)

Pano de muralha do castelo de Penha Garcia.

O aspecto mais curioso desta fortificação reside nas defesas exteriores. Ligando as rochas, foi edificada, provavelmente ao mesmo tempo que o castelo, uma cerca circular exterior, para o lado da actual vila, com uma porta defendida por um torreão quadrangular, visível num dos outros desenhos e por um segundo torreão também quadrado mas não representado por estar escondido entre as rochas. Além desta cerca, a porta da parte residencial do castelo era imediatamente defendida por um reduto. A entrada na acrópole, a partir da porta da cerca, fazia-se, como se poderá ver acompanhando a planta, à boa maneira árabe, por um trajecto com 4 cotovelos, ultrapassando quatro portas. Se atentarmos a que o castelo era inacessível pelo lado do Ponsul, poderemos considerar que, sendo aparentemente simples na sua composição, a sua localização e estrutura tornavam o castelo de Penha Garcia praticamente inexpugnável.
[António Lopes Pires Nunes, Os castelos Templários da Beira Baixa, pp. 80-81.]

Até breve.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Comendas e propriedades da Ordem.

Cruz templária primitiva que marca o início
do estabelecimento da Ordem do Templo em Portugal.
[Foto de Pedro Cunha.]

Foram doadas à Ordem propriedades em Loures [1149] e a comendadoria do castelo de Sintra [1151 ou 1152].
[José Manuel Capêlo, Portugal templário, Relação e sucessão dos seus Mestres [1124-1314], A presença templária em Portugal, p. 71.]

Até breve.

domingo, 16 de agosto de 2009

Final do diferendo entre Templários e bispo de Lisboa.

Em 1159, acaba com o diferendo existente entre os templários e o bispo de Lisboa, D. Gilberto (1) — até aí mantido, porque nenhuma das partes queria ceder e o rei nunca procurou participar — devido ao interesse e pretensão do prelado pelo eclesiástico de Santarém. (2) Este fora doado por D. Afonso Henriques à Ordem do Templo, após a conquista desta cidade, e, consequentemente, anterior à nomeação do bispo, como se viu. D. fr. Gualdim Pais insatisfeito com esta situação, efectuou, assim e sem mais demoras, uma concordata entre as duas partes, onde o beneplácito régio se verificou. Ficou estabelecido que o rei doaria aos templários toda a região de Ceras [1159], dela ficando senhores, não só no seu aspecto eclesiástico quanto no temporal, bem assim como a igreja de Santiago, em Santarém. O restante eclesiástico ficaria a pertencer ao bispado de Lisboa, como tanto o desejava D. Gilberto, nas sempre pretendidas e provocadas reclamações.
[José Manuel Capêlo, Portugal templário, Relação e sucessão dos seus Mestres [1124-1314], A presença templária em Portugal, p. 79.]

Notas do Autor:

(1). — Gilberto (de Hastings), monge de origem inglesa, é nomeado bispo de Lisboa [1148], pelo rei português, depois de ter participado, como cruzado, na conquista desta cidade. Em 1151, foi a Inglaterra pregar a guerra santa contra os muçulmanos da Península, e conseguiu trazer uma esquadra, com o auxílio da qual foi Alcácer [do Sal] investida, sendo repelidos os assaltantes. [Manuel Pinheiro Chagas, História de Portugal, Vol. I, p. 32.]
(2). — Só em Fevereiro de 1166, isto é, vinte anos depois, é assinada, depois de aprovada primeiramente pela Sé Apostólica e contando com o beneplácito de D. Afonso Henriques, a Escritura da Concordata. Pouco tempo depois, morria o bispo Gilberto: a 27 de Abril de 1166. [GEPB, vol. 12, p. 383.]
Até breve.

domingo, 19 de julho de 2009

Extinção da Ordem do Templo em Portugal e criação da Ordem de Cristo.

Em Portugal, as negociações entre o papa e o rei levaram à instituição, por bula pontifícia de 14 de Março de 1319, da Ordem de Cavalaria de Jesus Cristo, sujeita à inspecção dos abades cistercienses de Alcobaça, tendo a sede em Castro Marim e sendo herdeira de todos os castelos e bens móveis e imóveis dos extintos Templários, assim como dos direitos de que estes gozavam, e também dos seus homens e vassalos.
A bula do papa aceitava a nomeação pelo rei de Portugal do primeiro Mestre da nova Ordem, D. Gil Martins, que anteriormente fora Mestre de Avis; os Mestres seguintes seriam eleitos pelos freires da Ordem. Por um documento de 11 de Junho de 1312 sabemos que, segundo ordenação de Gil Martins, a Ordem mantinha 84 freires pelo menos, dos quais 69 cavaleiros, número que posteriormente foi acrescentado. É um número reduzido porque os Templários formavam um corpo de elite
.
[António José Saraiva, O Crepúsculo da Idade Média em Portugal, p. 266.]

Até breve.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Inícios da Ordem do Templo em Portugal.

Cavaleiros Templários.

A Ordem dos Templários, da qual, juntamente com as outras Ordens Militares, teremos de falar em tempo oportuno, conforme o plano do nosso trabalho, tinha recebido o senhorio do castelo de Soure. Os monges cavaleiros, cujo entusiasmo e valor em parte nenhuma se desmentiam, e cujo instituto era o pelejar sem descanso contra os sectários do islamismo, haviam em poucos anos mudado o aspecto daqueles arredores. Cobriam então extensos bosques e matos o tracto de terra que hoje constitui o Estremadura alta, e Afonso Henriques devia ceder com facilidade estes desertos, que eram como barreira natural entre as duas raças inimigas, a essa Ordem composta inteiramente de esforçados homens de guerra. Com a espada numa das mãos e com a enxada ou alvião na outra, eles foram gradualmente contendo ou castigando as correrias dos sarracenos e desbravando ou povoando aqueles arredores (1).
A oeste, porém, de Soure ficava um largo espaço aberto às invasões dos sarracenos, que vinham, sem encontrar resistência, assolar as vizinhanças de Coimbra.
[Alexandre Herculano, História de Portugal, Desde o começo da monarquia até o fim do reinado de Afonso III, Tomo I, Livro I, pp. 415-416.]

Nota do Autor:

(1). — Doações de Soure aos templários de Março de 1128 e de Março de 1129 (Carta de Tomar, no Arquivo Nacional [DR 79, 80 — falso —, 96]. Viterbo, Elucidário, verbetes «Ladera» e «Tempreiros». Bulas relativas aos templários no Arquivo Nacional, Gav. 7, Maço 3, nº. 17, e Maço 9, nº. 35: «Quod… rex portugallensis (a do Maço 9, nº. 35, diz: «Mater… illustris portugallensis regis») quam silvam domui vestrae in perpetuum contulisset, eam cum difficultate maxima de sarracenorum manibus liberantes, per vos et homines vestros studiosius coluistis.» [Papsturkunden 74 a 75, falso].


Até breve.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Cavaleiros e clérigos na Tomar medieval.

Figuração de cavaleiro e freires templários.

Do ponto de vista eclesiástico, Tomar possuía uma estrutura menos comum, até pelo facto de gozar de isenção episcopal, dependendo directamente da Sé Apostólica.
O serviço religioso na vila e termo competia ao vigário de Tomar, acolitado pelos seus capelães. Estes eram, em meados de Quatrocentos, em número de quinze, distribuídos pela igreja matriz de Santa Maria do Olival (um capelão principal e seis coadjuvantes), pelas duas capelanias da vila (geralmente chamadas paróquias ou freguesias, posto que, em rigor, o não fossem) — Santa Maria do Castelo e S. João Baptista — e ainda pelas seis do termo.
Um freire clérigo exercia as funções de vigário de Tomar, usufruindo das rendas e direitos do espiritual da vila. Com tais rendimentos, provia ao seu sustento e ao dos capelães, clérigos e tesoureiros, imprescindíveis à prática cultual da igreja matriz e nas capelas da vila e termo.
O comendador de Tomar reservava para si parte das rendas do temporal de Tomar. Era o alcaide do castelo e mantinha consigo um cavaleiro-freire. Cinco outros comendadores, com dotações mais modestas que o da vila, existiam no termo de Tomar: na Beselga, Prado, Paúl (Cem Soldos), Lousã e Pias. Este último assegurava também a manutenção de um cavaleiro
.
[Manuel Sílvio Alves Conde, Tomar Medieval, pp. 164-166.]
Até breve.

sábado, 30 de maio de 2009

Meritis vestre devotionis.

A bula Meritis vestre devotionis, passada pelo papa Alexandre IV [1254-1261], dá confirmação e parecer favorável ao pedido da Ordem respeitante ao poder temporal e espiritual, de pleno jure, sobre a igreja de Santiago de Santarém, como, inclusive, o da própria Ordem do Templo lhe nomear reitor [pôr por reitor algum presbítero idóneo, da vossa Ordem, que a servirá.]. Foi emitida de Latrão, a 31 de Março de 1257.
[José Manuel Capêlo, Portugal templário, Relação e sucessão dos seus Mestres [1124-1314], A presença templária em Portugal, p. 146.]
Até breve.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

A Ordem do Templo na Tomar medieval.

A Ordem em Portugal.
(pintura de Carlos Alberto Santos.)


A Ordem do Templo — e depois a Ordem de Cristo, herdeira daquela — além das amplas prerrogativas que detinha, por possuir a jurisdição das suas terras, monopolizava, praticamente, as funções clericais no território do seu senhorio.
Ao mesmo tempo, através de vários organismos e agentes, a Ordem era exército, governadora do território, administradora da justiça, cobradora de direitos, gestora, e corpo de especialistas religiosos
.
[Manuel Sílvio Alves Conde, Tomar Medieval, pp. 162-163.]

Até breve.