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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

D. fr. Gomes Martins Silvestre.

Gomes Martins, o filho do rico mercador (1), foi contemporâneo de D. João Lourenço e, segundo supomos pela iconografia do seu túmulo, também cavaleiro templário.
A concluir pela magnífica estátua jazente e pela cena de falcoaria que ilustram o trabalho escultural da sua arca tumular, Gomes Martins foi cavaleiro fidalgo de Monsaraz e, estamos em crer, um dos mais notáveis falcoeiros portugueses do seu tempo
. (2)
[José Pires Gonçalves, Monsaraz da reconquista, Anais, Academia Portuguesa de História, Volume 25, p. 33.]

Notas nossas:

(1). — Seu pai foi o rico mercador Martim Silvestre, que no seu tempo passava por ser, e era, um dos mais ricos .
(2). — D. fr. Gomes Martins Silvestre jaz sepultado na igreja matriz de Santa Maria da Lagoa, em Monsaraz, num riquíssimo túmulo de mármore esculturado.

Até breve.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

D. fr. João Lourenço.

Outra figura de grande relevo na Monsaraz dos fins do século XIII e princípios do século XIV foi a do cavaleiro templário D. João Lourenço, João Lourenço, de Monsaraz, como ele é mais conhecido através dos pergaminhos do seu tempo.
Gozou, por certo, de grande prestígio na vida da Corte e era personalidade muito conceituada e respeitada — «de bom saber e de boa autoridade» foi Rui de Pina quem o disse — junto do próprio rei D. Dinis.
E de tanto saber e autoridade que o monarca não teve dúvidas em o escolher e enviar a Avinhão, como embaixador, para negociar,
in solidum, com o cónego de Coimbra, Pedro Peres, e por forma «que a condição de hum nam seja melhor que a do outro» como se especifica nos termos da carta que os acreditava junto do papa João XXII, a conversão da Ordem do Templo na nova Ordem portuguesa de Cristo, da qual ele próprio, João Lourenço, de Monsaraz, veio a ser o segundo Mestre e sucessor do donatário de Terena, D. Gil Martins, que o rei havia ido buscar ao mestrado de Avis para tomar nas mãos os destinos da nova casa dos cavaleiros de Castro Marim.
[José Pires Gonçalves, Monsaraz da reconquista, Anais, Academia Portuguesa de História, Volume 25, 1979, pp. 31-32.]

Até breve.

sábado, 13 de setembro de 2008

Os templários portugueses a lealdade devida ao rei de Portugal.

Nunca os templários portugueses se afastaram da lealdade devida ao seu Rei; e, enquanto em Castela e em Leão se sublevavam contra os seus soberanos, declarando-lhes guerra aberta, mostravam-se em Portugal sempre possuídos de afeição pelo imperante e pela pátria.
[Heinrich Schæffer, História de Portugal, Vol. I, p. 310, Ed. Escriptório da Empreza Editora, Porto, 1893]
Até breve.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Não resta a menor dúvida…

Imaginar-se um monge empunhando a espada e tirar a vida a um inimigo, normalmente infiel ainda que em algumas ocasiões também cristão, é uma evocação que nos surpreende e que estimula a nossa curiosidade. Se a isso juntarmos o «êxito» político e económico que as Ordens militares adquiriram sob a protecção de reis e papas, essa curiosidade é acrescentada. E mais ainda quando sabemos que sobre os monges das Milícias se construíram todo o tipo de especulações, algumas, as mais inacreditáveis, fruto do interesse político e da criação literária; outras, mais recentes, expressão de uma prolífica imaginação mas muito pouco respeitadora para com a História.
[Carlos de Ayala Martínez, Las ordenes militares hispânicas en la Edad Media (siglos XII-XV), Introducción, p. 9, Marcial Pons S. A., Ediciones de Historia, Madrid, 2007.]
Até breve.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

A ideia de monge-guerreiro. (4)

Os cistercienses souberam extrair da sua Regra a grande sabedoria que esta continha, e utilizaram-na na sua vida espiritual e na vida organizativa das suas comunidades e de toda a Ordem. No prólogo da Regra podem encontrar-se frases que denotam a tradição do cristão como “soldado de Cristo”:

“[…] [3] Minha palavra dirige-se agora a ti, quem quer que sejas, que renuncias às tuas próprias vontades e tomas as esclarecidas e poderosíssimas armas da obediência, para militar por Cristo Senhor, verdadeiro Rei. [...] [22] Se queremos habitar na morada do seu reino, pois que não se chega ali correndo com boas obras, [23] perguntemos ao Senhor com o Profeta, dizendo-lhe: “Senhor, quem habitará na tua morada, ou quem descansará no teu monte santo?”. [24] Feita esta pergunta, irmãos, oiçamos o Senhor que nos responde e que nos mostra o caminho desta morada [25] dizendo: “O que anda sem pecado e pratica a justiça, [26] o que diz a verdade no seu coração e não tem astúcia na sua língua, [27] o que não fez mal ao próximo nem admitiu que o ultrajassem”. [28] O que afastou do olhar do seu coração o maligno diabo tentador e a própria tentação, e o aniquilou, e tomou os seus pensamentos nascentes e os atirou contra Cristo. [...] [39] Quando perguntamos ao Senhor, irmãos, sobre quem moraria em sua casa, ouvimos o que há que fazer para habitar nela, a condição de cumprir com o dever de morador. [40] Por isso, preparemos os nossos corações e os nossos corpos para militar sob a santa obediência dos preceitos, [41] e roguemos ao Senhor que nos conceda a ajuda da sua graça, para cumprir o que a nossa natureza não pode. [42] E se queremos evitar as penas do inferno e chegar à vida eterna, [43] enquanto temos tempo, e nos encontramos neste corpo e possamos cumprir todas estas coisas à luz desta vida, [44] corramos e pratiquemos agora o que se nos aproveitará eternamente. [...] [47] Mas se, por uma razão de equidade, para corrigir os vícios ou para conservar a caridade, se dispõe algo mais estrito, [48] não fujas em seguida, aterrado, do caminho da salvação, porque este tem apenas um estreito começo. [...] [50] Deste modo, não nos afastando nunca do seu magistério e perseverando na sua doutrina, no mosteiro, até à morte, participemos nos sofrimentos de Cristo pela paciência, a fim de merecer também acompanhá-lo no seu reino.”

[Francisco Rafael de Pascual, A Continuidade do Templo nas Ordens Militares e de Cister. Valores e Ideais dos Templários, Codex Templi, Cap. XIV, pp. 312-313, Zéfiro, Sintra, 2007.]

Até breve.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

A ideia de monge-guerreiro. (3)

A Regra de São Bento é um manual de vida espiritual para monges cenobitas, um guia para a organização de um mosteiro, e um admirável resumo da espiritualidade monástica tradicional.
Entre os séculos X e XII, e na medida em que é possível falar do monacato como uma entidade, todos os monges do Ocidente seguem a Regra de São Bento. Este monolitismo, imposto pela legislação carolíngia, adapta-se perfeitamente a uma sociedade simples e estática. Mas as orações e a liturgia dos mosteiros eram diferentes daquelas das catedrais. Tudo se encontrava orientado para o culto, e os monges foram promotores de novas técnicas de arquitectura religiosa e civil, os scriptoriums transformaram-se em “editoras” de todo o tipo de livros que enriqueciam as incipientes bibliotecas de nobres, escolas e universidades. O desenvolvimento desta “manufactura” do livro, promoveu igualmente a circulação de ideias novas.
O ideal monástico exerceu em todos os espíritos do seu tempo, incluindo nos espíritos menos cultivados, um fascínio incomparável. E a espiritualidade dos monges — com uma enorme bagagem cultural, patrística e bíblica — foi recuperada
por outros, clérigos ou laicos, que a levaram à praxis das suas vidas
.
[Francisco Rafael de Pascual, A Continuidade do Templo nas Ordens Militares e de Cister. Valores e Ideais dos Templários, Codex Templi, Cap. XIV, p. 312, Zéfiro, Sintra, 2007.]

Até breve.

domingo, 24 de agosto de 2008

A ideia de monge-guerreiro. (2)

De onde surge a bagagem religiosa em torno da guerra e da milícia espiritual? Os monges que ajudaram a fundar Cister primitivo, eram homens que pensavam e viviam conforme a mentalidade do seu tempo, e que se viram envolvidos na mesma história. Para compreender os fundamentos de Cister, é necessário ter em conta três fontes importantes: a Regra de São Bento — como documento espiritual básico —, os chamados Documentos Primitivos da Ordem de Cister — que pressupõem um “corpus” jurídico” importante — e o Exordium Magnum Ordinis Cisterciensis — como documento literário.
[Francisco Rafael de Pascual, A Continuidade do Templo nas Ordens Militares e de Cister. Valores e Ideais dos Templários, Codex Templi, Cap. XIV, p. 312, Zéfiro, Sintra, 2007.]

Até breve.

sábado, 23 de agosto de 2008

A ideia de monge-guerreiro. (1)

As ordens militares foram o resultado de uma autêntica vocação religiosa e de serviço à Igreja e à sociedade. A expansão muçulmana ameaçava a estabilidade desse império terreno e espiritual cristão, se bem que este, na realidade, não era o único problema com que os reinos ocidentais se deparavam. Nasce assim a ideia do monge-guerreiro, um ânimo de sacrifício que é aplicado à resolução daquele grave problema por uns homens de vocação, desejosos de uma união íntima com Deus e que, sensíveis aos males do seu tempo, e qualificados para lutar contra eles com a mentalidade da época, haviam impregnado de religiosidade e de espírito de serviço a sua própria capacidade de acção.
[Francisco Rafael de Pascual, A Continuidade do Templo nas Ordens Militares e de Cister. Valores e Ideais dos Templários, Codex Templi, Cap. XIV, p. 306, Zéfiro, Sintra, 2007.]
Até breve.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Templários: os cavaleiros do rei de Portugal.

Conquista de Santarém.
Sobre uma das acções combatentes que os Templários tiveram no reino de Portugal, é proveitoso seguirmos, com o que nos deixa escrito, o prof.º Mário Jorge Barroca, no seu bem elaborado trabalho, A Ordem do Templo e a Arquitectura Militar Portuguesa do Século XII.

O ano de 1147 representa um momento de viragem decisiva para os Templários em Portugal. Em 15 de Março desse ano os Freires participam ao lado de D. Afonso Henriques na conquista de Santarém, no que é a primeira acção de armas dos freires ao lado do rei. O monarca, em reconhecimento pelo contributo prestado, assinaria a polémica doação do Eclesiástico de Santarém em favor da Ordem (DMP, DR I, doc. 221, de Abril de 1147*). A doação seria recebida por Hugo Martoniense, Procurador dos Templários, e daria origem, poucos meses depois, a uma acesa e prolongada disputa. Na realidade, depois da tomada de Lisboa, em Outubro de 1147, e da restauração da sua Diocese, os direitos eclesiásticos de Santarém seriam reclamados pelo novo Bispo olisiponense, Gilberto de Hastings. A disputa prolongou-se por mais de uma década, tendo sido apenas resolvida em Fevereiro de 1159. [Mário Jorge Barroca, ob. cit., Portugália, Nova Série, Vol. XVII-XVII, separata, p. 175, Instituto de Arqueologia, Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Porto, 1996/1997.]

* Tb. publicado em Monumenta Henricina, vol. I, Lisboa, 1960, Doc. 2.

Até breve.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Eram os templários místicos?

Só um ingénuo ou um desconhecedor da realidade templária poderá ainda acreditar nisso.
Como é que querem que eles tenham sido místicos, esotéricos, cabalistas, quando exactamente eram uma Ordem religiosa-militar, pronta a matar em combate, a degolar - sem contemplações! - depois da luta, a poupar muito poucos dos seus inimigos declarados? Daí que tivessem, igualmente, a paga - dessa mesma maneira - por parte dos seus opositores.

Deixemo-nos de cretinices e busquemos a verdade, já que ela é séria demais e não provoca histerias místicas quando dela se retira o conhecimento.
Apenas e só!

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Novo selo

Os cavaleiros templários que aparecem em baixo mais não são do que a figuração do selo templário que o artista plástico espanhol Juan Díaz fez, prestando, desta forma, intenção e homenagem, àquele outro mais antigo que os representa num mesmo cavalo, tomados como paradigma e símbolo não só da pobreza mas da generosidade cavalheiresca, actos que assumiram aquando da criação da Ordem do Templo, em Jerusalém, pelo ano de 1118, quando nove cavaleiros cruzados se juntaram para formarem uma Ordem religiosa e militar, única até então nos anais da cavalaria cristã e que se dedicaria à defesa e protecção dos peregrinos que demandavam a Cidade Santa pelo caminho tortuoso e deveras perigoso de Jaffa.

domingo, 22 de junho de 2008

Cavaleiros Templários, desenho de Juan Díaz.