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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Divisa da Ordem do Templo.

Selo templário: dois cavaleiros num só cavalo.
[ Pintura de Juan Díaz.]

Os dois cavalleiros montados no mesmo cavallo não designam (1), como ingenuamente se julgou, a pobreza da Ordem, que não tinha cavallos bastantes para os seus cavalleiros. Significa outra coisa muito differente: a dupla constituição da Ordem, o facto de que tinha um lado Militar e um lado Sacerdotal, ou, em outras palavras, um lado exotérico e outro esotérico, um lado externo e outro interno. O primeiro estava em contacto com a Igreja de Roma e a ella se subordinava e obedecia; o segundo a ninguém humano devia, ou poderia dever, obediência.
[Fernando Pessoa, Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação, textos estabelecidos e prefaciados por Georg Rudolf Lind e Jacinto do Prado Coelho, Edições Ática, Lisboa, s/d .]

Nota:

(1). — Sob a divisa Sigillum Militum Christi, criava-se a figura de um cavalo, levando no dorso um cavaleiro e um peregrino. [A. Vieira d’Areia, O Processo dos Templários, p. 15.]


Até breve.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Comendas templárias.

(…) a Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo contava aproximadamente com mil e quinhentas comendas no momento da sua supressão.
[José Carlos Sánchez Montero, Apogeu e Decadência, Prisão e Julgamento da Ordem do Templo, Codex Templi, p. 285.]

Até breve.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

A luctuosa.

A luctuosa era a obrigação que os vassalos do rei tinham de deixar à Ordem do Templo, na hora da morte, o melhor cavalo que tivessem; caso não tivessem cavalos, os seus herdeiros pagariam 600 maravedis.
[Gonzalo Martínez Díez, Los templarios en los reinos de España, p. 391, Planeta, Barcelona, Espanha, 2001.]
[Tradução nossa, do original em castelhano.]

Até breve.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

A Ordem na gestão e defesa do seu património.

Graças à sua organização e à sua gestão ao longo dos séculos, a Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo converteu-se numa grande potência. Possuía territórios em todos os reinos importantes da Europa e da Terra Santa, com comendas, bailíos, conventos e muitos outros pertences.
O crescimento rápido desta congregação provocou confrontos de diversa índole entre a Ordem e os monarcas — o poder temporal — e com a Igreja — representantes do poder divino na Terra. Os primeiros viam como a sua ideia original de conceder ao Templo territórios para a sua defesa e gestão, estava a converter a Ordem num poder incontestável, num verdadeiro perigo para os territórios dos próprios monarcas. Paulatinamente, os reis encontravam-se numa posição inferior aos monges. Por seu lado, a Igreja comprovava que nenhuma outra Ordem no mundo gozava dos privilégios que o Templo tinha obtido, de modo que uma organização religiosa militar começava a competir com ela. A Ordem nunca se confrontou directamente com nenhum dos máximos poderes e soube ceder, nalguns casos, para continuar a manter determinados privilégios que a situavam num lugar de preferência. Mas quando teve que defender os seus interesses nos tribunais, fê-lo sem se esconder, e as altas instâncias judiciais deram-lhe razão quando lhe pertencia. Nestas disputas também se pode observar que a diplomacia foi uma das grandes bases do Templo ao longo da História
.
[José Carlos Sánchez Montero, Apogeu e Decadência, Prisão e Julgamento da Ordem do Templo, Codex Templi, pp. 284-285.]

Até breve.

sábado, 28 de novembro de 2009

Bens Templários. (I)

Fundados para a defesa da Terra Santa, os Templários focaram sem missão no Oriente desde que as últimas praças caíram em poder dos Turcos (1291). A Ordem estava contudo em plena florescência e possuía na Europa grandes riquezas que excitavam a cobiça dos reis. Em Portugal, consta haver sido saqueada por D. Sancho I e D. Afonso III. Em França Filipe, o Belo, foi mais longe: moveu aos Templários um processo iníquo, para os extinguir e se apoderar dos seus tesouros O papa Clemente V acabou por ceder às instâncias do rei (1312), mas determinou que os bens da suprimida Ordem se unissem aos dos Hospitalários. Desta determinação foram entretanto excluídos os que os Templários possuíam nos reinos da Península, em virtude das razões apresentadas pelos respectivos monarcas.
[Miguel de Oliveira, pe., História Eclesiástica de Portugal, p. 110, Publicações Europa-América, Mira Sintra — Mem Martins, 1994.]
Até breve.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Criação e expansão da Ordem.

(…) deram-se muitos factores que propiciaram, inclusive nos primeiros anos da sua criação, um rápido florescimento e expansão do património da Ordem do Templo. Não se deve esquecer que foi criada por nove cavaleiros, e que só os nobres dos diferentes reinos europeus podiam ostentar o título de cavaleiros. Tratava-se de nobres com um grande património. Este património era cedido na sua integridade, ou em grande parte, à Ordem no momento do seu ingresso, na qualidade de dote: Hugo de Payns, por exemplo, cedeu os seus bens de Payns; Godofredo de Saint-Omer aportou a grande casa que possuía em Ypres (Flandres); Payen de Montdidier entregou o seu senhorio de Fontaine, etc. Pessoas de toda a condição imitaram-nos e multiplicaram as mais diversas doações.
[José Carlos Sánchez Montero, Apogeu e Decadência, Prisão e Julgamento da Ordem do Templo, Codex Templi, p. 281.]

Até breve.

domingo, 25 de outubro de 2009

1.ºs Mestres comuns nos três reinos.

Cavaleiros templários.

Nos reinos de Leão e Castela — em que viria a entrar posteriormente (1) — ficaria, a partir de 1210 ou 1212, sob o comando directo de um Mestre provincial, que tinha a sua sede/base em Tomar. O primeiro, segundos uns, teria sido D. fr. Gomes Ramires [1210-1212]. Mas a certeza do mestrado comum é-nos dada com o sucessor daquele, D. fr. Pedro Alvites (2) [1212-1221], que foi 11º Mestre em Portugal — o 1º nos três reinos — e o fundador de Castelo Branco, aquela que viria a tornar-se [a partir de 1215] na capital da Ordem do Templo em Portugal durante muitos anos (3) e, por conseguinte, a sede templária nos três reinos (4).
[José Manuel Capêlo, As Sedes Templárias em Portugal, Castelo Branco, a Cidade-Capital Templária de Portugal: de 1215 a 1314, Codex Templi, Capítulo VII, nota 30, p. 164.]

Notas do Autor:

(1). — Não há datas seguras mas pensa-se que os Templários se estabeleceram, de facto, nestes reinos por volta de 1160-1170, ficando com as mesmas regalias com que outras Ordens autóctones se estabeleceram.
Nestas, estão os casos de Calatrava [fundada em 1164], de Santiago [fundada em 1170] e de S. Julião do Pereiro [fundada em 1176], que será o núcleo da futura Ordem de Alcântara [fundada em 1213]
.
(2). — Igualmente denominado D. fr. Pedro Álvares «de Alvites» [ou Alvito].
(3). — Até 1314, ano da sua extinção em território português.
(4). — Até 1288.

Até breve.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Suposições e embustes.

Tão pouco têm faltado apreciações sobre o marcado carácter esotérico — oculto, reservado — e exotérico — comum e acessível — da Ordem, tantas vezes tratado — a maior parte das vezes mal — por uma infinidade de literatos e jornalistas. No que se refere a este aspecto, têm-se comentado até à saciedade o uso de simbolismos ocultistas, concepções paganizantes, pretensos saberes milenares e destabilizadores, custodiados em segredo, complots extravagantes, supostas linhagens ocultas de Jesus Cristo, estranhos rituais de iniciação e todo o tipo de sórdidos elementos que em pouco ou nada reflectem o verdadeiro espírito e ideais templários.
[José Carlos Sánchez Montero, Apogeu e Decadência, Prisão e Julgamento da Ordem do Templo, Codex Templi, p. 281, Zéfiro, Sintra, 2007.]
Até breve.

domingo, 4 de outubro de 2009

Morte de S. Bernardo.

S. Bernardo.

Entretanto, em Clairvaux, consumava-se o acto final. S. Bernardo velho, doente, decepcionado e só, morre nos seu humilde mosteiro, rodeado pelos monges. Eram nove horas da manhã do dia 20 de Agosto de 1153. (1)
[José Manuel Capêlo, Portugal templário, Relação e sucessão dos seus Mestres [1124-1314], A presença templária em Portugal, p. 71, e nota 179.]

Nota do Autor:

(1). — Stephen Howarth, ob. cit., p. 91.


Até breve.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Banqueiros.

Navio medieval de transporte de Cruzados,
uma das fontes de riqueza da Ordem do Templo.

A Ordem exerce paralelamente, tanto no Oriente como no Ocidente, para além das suas habituais funções religiosas e guerreiras, uma outra: a de banca. Os empréstimos eram não só concedidos a reis, a parte de uma nobreza poderosa e competitiva, como a uma burguesia que começava a mostrar-se, e a posicionar-se no reino, ainda que timidamente. Uma outra nobreza, paralelamente — por enquanto não tão poderosa e sustentada, mas a tornar-se já capaz, por si própria — numa intentada doação de terras à Ordem, procurava a sua filiação nesta. Por vezes, conseguia-o. As razões eram fortes, até porque o poder do dinheiro ou das doações criara e sustentara as diferenças. Exactamente por isso, tanto de dinheiro emprestado quanto de filiação recusada, nasceram rancores e ódios ocultos. A teia tecida por algumas aranhas iria provocar uma outra bem maior, na sua plena e mais perfeita forma, precisamente dentro de um século.
[José Manuel Capêlo, Portugal templário, Relação e sucessão dos seus Mestres [1124-1314], A presença templária em Portugal, p. 104.]

Até breve.

sábado, 15 de agosto de 2009

Ordem e Identidade.


Ordem, ordo, é o nome que designa uma forma de vida corporativa. Predica-se de toda uma instituição, com sua regra, seus membros e seus bens, um pouco por sinédoque, ou por alargamento de significado, mas o conceito iniciático significa ordem, quer dizer: regulamento, regra de vida, lex vitæ.
(…) Os testemunhos históricos das congregações e sodalícios regulares, demonstram que a ordo aparece como acto conclusivo para um caminho que se potencia, e cujo acto perfeito se revela com a instituição da Ordem, da Regra.
(…) Aderir a uma Ordem significa escolher uma formula vitæ, fórmula de vida, uma regula vitæ, regra de vida, um regime de vida, uma disciplina, aceitar um tratado de Direito, um regulamento canónico e jurídico com todas as suas implicações, e um bilhete de identidade. Professar uma Regra equivale a uma estrita observância de um determinado modo de vida, qual o proposto por essa Regra.
[Pinharanda Gomes, A Regra Primitiva dos Cavaleiros Templários, pp. 5-6, Hugin, Lisboa, 1999.]
Até breve.

domingo, 9 de agosto de 2009

O Mito (IV)

Como sabemos, a eclosão dos trovadores galaico-portugueses coincide com o estabelecimento dos Templários, embora não exista qualquer relação comprovada de causa-efeito na conjugação destes dois fenómenos. Mas o «trobar» medieval e o encantamento das cantigas de amigo parecem, por vezes, convergir com os segredos templários — se os houve. Mas é certo que quando os Templários se extinguiram se assiste a uma retoma do Cancioneiro de Amigo e do Cancioneiro de Amor, designadamente por D. Dinis, para depois o estilo «novo», de influência italiana, se ir instalando. É nessa altura que se dá como que uma translação do discruso poético, e os romances e novelas fazem a sua aparição, com especial protagonismo para o ciclo do Graal e da Matéria da Bretanha (…).
[Paulo Pereira, Templários e Templarismos, Vol. VIII, p. 13, Enigmas, Lugares Mágicos de Portugal.]

Até breve.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Morte de Templários em Xerez de los Caballeros.

Em Fregenal de la Sierra a estrada antiga dividia-se em dois ramais, um que seguia para Cáceres, com passagem por Zafra e Mérida e outro que inflectia para noroeste, vadeava o rio Ardila, atravessava os Portos Tablada e Beltramo para alcançar Xerez de los Caballeros, outra velha e celebrada fortaleza templária da Reconquista onde, na chamada Torre Sangrenta, segundo a tradição, foram massacrados os últimos cavaleiros templários, dos poucos que não se deixaram prender em Medina del Campo e que, naquela torre, decidiram resistir com armas na mão à extinção da sua Ordem, contra as tropas de Fernando IV.
[José Pires Gonçalves, Alguns aspectos das campanhas de Giraldo Sem Pavor na região do Guadiana, Anais, Academia Portuguesa de História, Volume 26, T. I, p. 93.]
Até breve.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Morte de Hugo de Payns e início do mestrado de Robert de Craon.

Hugo de Payns.

A 24 de Maio de 1136, morre Hugo de Payns, fundador da Ordem e seu primeiro Mestre. Tinha sessenta e seis anos, um velho para aqueles tempos (1). Sucede-lhe Robert de Craon, um nobre cavaleiro franco, nascido na Borgonha, que se tornara templário pouco tempo depois da formação da Milícia do Templo, muito provavelmente entre os anos de 1125 e 1128, ocupando o lugar de Senescal [o segundo na hierarquia, depois do Mestre] em Jerusalém no ano de 1131 ou 1132, altura em que regressou à Europa a fim de solicitar apoios e aceitar ofertas.
[José Manuel Capêlo, Portugal templário, Relação e sucessão dos seus Mestres [1124-1314], A presença templária em Portugal, p. 65.]

Nota do Autor:

(1). — Stephen Howarth, Os Cavaleiros Templários, p. 75.


Até breve.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

A autonomia da Milícia Templária.

Foi sob o comando de Robert de Craon que a Ordem do Templo alcançou a sua estrutura hierárquica e organização internacional, obtendo, do mesmo papa (1), a autonomia que lhe permitiu agir com independência em relação às autoridades eclesiásticas e seculares, em cuja jurisdição actuavam. (2) O mesmo seria dizer que ficavam subordinados apenas, e de todo, ao poder papal, nas suas ordens e obrigações.
[José Manuel Capêlo, Portugal templário, Relação e sucessão dos seus Mestres [1124-1314], A presença templária em Portugal, p. 44.]

Nota do Autor:

(1). — Inocêncio II [1130-1143].
(2). — Edward Burman, ob. cit., p. 44.
Até breve.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

O Mito (III)

(…)
Quero dizer, também, isso sim, que todas estas zonas incertas mais próximas da lenda do que da história foram depois amplificadas e mitificadas por uma quantidade imensa de curiosos. De resto, se existe uma área de conhecimento em que abunda a literatura ensaística e os livros de história e de especulação fantasiosa é precisamente esta. O nome dos Templários é suficiente para encher o escaparate inteiro de uma livraria razoavelmente grande… Pois é aqui que reside o grande problema. Para evitar os escolhos da especulação devemos repudiar todas as matérias herméticas ou desencorajar qualquer tipo de investigação que toque no terreno de algo que é ainda polémico e duvidoso? Creio que não, porque — como dizem os Ingleses — corremos o risco de deitar fora o bebé com a água do banho
[Paulo Pereira, Templários e Templarismos, Vol. VIII, p. 11, Enigmas, Lugares Mágicos de Portugal.]

Até breve.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Nascem os monges-guerreiros.

Obediência Templária.

A Ordem do Templo regrando-se e disciplinando-se através duma ideologia bem estabelecida e definida uniu dois dos mais importantes, senão os mais importantes, ideais da Idade Média: o monasticismo e a cavalaria. Assim, originalmente, para além de promoverem a abnegação, a pobreza, a simplicidade, o recolhimento e a pureza num confinamento de vida espiritual, muitos deles, vindos da melhor nobreza europeia, transformavam-se em resolutos e destemidos cavaleiros — para o qual tinham sido criados e instruídos —, prontos a sacrificarem-se pelo sagrado «apelo de Deus», gritado, pela voz do papa em toda a Cristandade, contra «a horda infiel». Nasciam os monges-guerreiros.
[José Manuel Capêlo, Portugal templário, Relação e sucessão dos seus Mestres [1124-1314], A presença templária em Portugal, p. 42.]

Até breve.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

O Mito (II).

Num texto que incluiu na colectânea de ensaios Sobre os Espelhos, Umberto Eco definia assim uma das «Dez maneiras de sonhar a Idade Média»: «A Idade Média da tradição. Lugar em que tomou forma (quero dizer: de um modo iconograficamente estável) o culto de um saber mais antigo, o do misticismo hebreu e árabe, e da gnose. É a Idade Média sincretista que vê na lenda do Graal, na questão histórica dos cavaleiros do Templo, e desde então, através da efabulação alquímica, dos Iluminados da Baviera, até à actual maçonaria de rito escocês, o desenrolar de uma única e contínua história iniciática. Acrítica e antifilológica, esta Idade Média vive de alusões e de ilusões, conseguindo sempre e admiravelmente decifrar, seja onde e com que pretexto for, a mesma mensagem. Felizmente, para nós e para os adeptos, a mensagem perdeu-se, o que faz com que a iniciação se torne num processo sem fim, rosa-cruz e delícia para os privilegiados que resistem, impermeáveis às vestes popperianas da falsificação, devotados aos paralogismos da simpatia universal. Mística e sincretista, esta Idade Média inscreve vorazmente na sua história intemporal tudo o que não pode nem provar-se nem falsificar-se» (pp. 9-100). As especulações em torno dos Templários participam desta concepção da Idade Média.
[Paulo Pereira, Templários e Templarismos, Vol. VIII, p. 10, Enigmas, Lugares Mágicos de Portugal.]
Até breve.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

O Mito (I)

Cavaleiros Templários

Um mito europeu. Eis o que a questão templária convoca. Ordem religiosa e militar, primeira manifestação da internacionalização da guerra e do credo sob chancela de uma Europa cristã, os Templários, em menos de cinto e cinquenta anos, caíram em desgraça. O poder de que dispunham, o medo que causavam, os mistérios que — justificadamente ou não — acabaram por segredar, fizeram desta uma instituição temida e, provavelmente, malquista. O drama do fim de uma instituição que assumia contornos «secretos» (mesmo que o não fosse, foi assim que passou à história) tornou-se também numa lenda, uma das lendas fundadoras da Europa. Falar dos Templários é, também, falar romanticamente de aventura, de cavaleiros andantes, quando por detrás deles se perfila a seriíssima questão da cavalaria tradicional propriamente dita, com os seus códigos de conduta, a sua ética e a sua moral aristocrática e elitista.
A extinção dos Templários é assim, a meu ver, um autêntico fantasma que assombra a cultura ocidental, tal qual um pecado original de que ninguém se consegue redimir. Alimentou uma histórica mística que desde o século XVIII (ou, sobretudo, desde então) não parou de ter sequelas e continuações
.
[Paulo Pereira, Templários e Templarismos, Vol. VIII, p. 10, Enigmas, Lugares Mágicos de Portugal, Círculo de Leitores, Lisboa, 2005.]

Até breve.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Os Templários na Península Ibérica depois da sua extinção como Ordem.

Quando a Ordem foi extinta, em 1314, por ordem do rei de França, que o papa sancionou e validou por todos os reinos da Europa, os reis da Península Ibérica não se conformaram facilmente, porque os Templários constituíam uma força importante na luta contra os Mouros, não pelo número, mas pela qualidade.
[António José Saraiva, O Crepúsculo da Idade Média em Portugal, p. 266.]
Até breve.