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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Origem de Tomar. (I)

Localização actual do castelo e da cidade de Tomar.

O Lugar dos Sete Montes é um trecho de colinas com uma área de cerca de 40 hectares, compreendido num vasto domínio doado pelo rei D. Afonso Henriques aos Cavaleiros do Templo, em 1159. Esse território, conhecido pelo nome de Termo de Ceras, está geograficamente situado a meia distância entre as cidades de Coimbra e Santarém. Os seus principais limites são determinados por vários cursos de água como o rio Zêzere, a nascente; a norte o ribeiro da Murta, a poente pela ribeira da Beselga e, a sul, o trecho final do rio Nabão até desaguar no Zêzere.
É o Lugar dos Sete Montes que vai dar origem à povoação de Tomar
.
[Álvaro José Barbosa, Os Sete Montes de Tomar: memória dos Templários inscrita na paisagem, Codex Templi, Cap. XI, p. 259.]

Até breve.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Doação do castelo Ceras.

Doação de D. Afonso Henriques aos Templários do [arruinado] castelo de Ceras, (1) com todos os seus termos, de direito hereditário. Nesta zona, duas a três léguas afastados para sul (2), virão a ser construídos o castelo e a [futura] urbe de Tomar (3), com vista à sua defesa e povoamento. (4)
(...) Tratou logo D. Afonso Henriques de dotar a nova catedral [de Lisboa], passando para o bispo as rendas eclesiásticas de Santarém, em troca de compensações aos Templários, aos quais primeiro haviam sido conferidas. (5)
[José Manuel Capêlo, As Sedes Templárias em Portugal, Castelo Branco, a Cidade-Capital Templária de Portugal: de 1215 a 1314, Codex Templi, Capítulo VII, pp. 177-178.]

Notas do Autor:

(1). — Alexandre Herculano chama-lhe Cera. Inclusa no mesmo termo, a povoação de Olalhas é doada à Ordem pelo rei português. [Tesouros Artísticos de Portugal, p. 421.]
(3). — Segundo nos refere Manuel Sílvio Alves Conde: O território do antigo termo de Tomar, cuja área total era de cerca de 40.000 hectares, encontrava-se situado entre as latitudes de 39° 45’ 40’’ e 39° 31’ 20’’. Os pontos extremos da longitude correspondiam a 8° 30’ e 8° 14’ W. [Tomar Medieval, p. 21.]
(4). — Com o domínio de Ceras-Tomar, a que se juntava, em 1169, o dos castelos de Cardiga e Zêzere, reforçados em 1171, pela construção do de Almourol, os cavaleiros do Templo passavam a deter importantes posições estratégicas na margem direita do Tejo. Controlavam os acessos a Coimbra, a partir do Sul, e a Santarém, a partir de Leste. [Manuel Sílvio Alves Conde, Tomar Medieval, p. 40.]
(5). — Fortunato de Almeida, História da Igreja em Portugal, Vol. I, p. 93.

Nota nossa:

(2). — Ao contrário do que nos diz o autor, hoje pensamos, pelos dados ao nosso dispor, que o castelo de Ceras e o castelo de Tomar são um e o mesmo castelo. A tradição manteve-os como se fossem dois, mas pelas investigações que especialistas fizeram nos últimos vinte anos, pode-se concluir que o castelo de Ceras e o castelo de Tomar são um único: sendo este construído sobre as ruínas daquele.

Até breve.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

A divisão socio-militar na Ordem do Templo.

O esquema de hierarquização preceituado no foral de 1162 era de tipo sociomilitar e formalmente binário. Na realidade, era ternário, já que pressupunha a existência de uma categoria inferior, embora não a explicitasse. (1)
Os moradores de Tomar eram divididos em grandes e pequenos [“vobis qui in Thomar estis habituri maioribus cuiuscumque ordinis sitis”], cavaleiros (milites) ou peões (peditis, tributarii). Uns e outros diferenciavam-se pela capacidade económica de possuir e manter cavalo e armas para a guerra.
Embora estabelecesse que o tributário adquiria o estatuto de cavaleiro, se obtivesse os meios para tal necessários, o foral nada dizia sobre o limiar com base no qual se estabelecia a diferenciação. Porém, é sabido que, no período da Reconquista, esse limiar costumava ser a posse de “um casal habitado, uma junta de bois, quarenta ovelhas, ou o equivalente de tudo isto em numerário”. A condição de cavaleiro (vilão) correspondia, portanto, ao médio proprietário, ou ao possuidor de fortuna mobilaria equivalente.
O peão teria de dispor dos meios necessários para combater a pé. Tal implicava um mínimo de património imobiliário, ou o exercício autónomo duma profissão
(2). Assim, a peonagem incluía basicamente os pequenos proprietários e os mesteirais.
Abaixo do nível dos peões, existia uma outra categoria, omissa no foral a que nos estamos a reportar. Era a gente vil dos dependentes, assoldados, jornadeiros ou braceiros, que não possuíam bens, nem respondiam por si
.
[Manuel Sílvio Alves Conde, Tomar Medieval, pp. 181-182.]

Notas do Autor:

(1). — Já o foral de 1174 assume a existência desta terceira categoria, ao referir-se a malados e a mouros de alguém [“maurum alicuis”].
(2). — Na segunda metade do século XIV, exigia-se um património mínimo de 300 libras para o ingresso na peonagem. Este limiar correspondia a cerca de metade do exigido aos cavaleiros.
Até breve.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Território de Ceras.

Apossados os templários do território de Ceras, procuraram logo um sítio acomodado para nele estabelecerem a capital da sua Ordem nesta monarquia, e o acharam no lado esquerdo do rio Thomar, e sobre as ruínas, já quase imperceptíveis, da famosa Nabância. Ali fundaram a primeira igreja com o título de Santa Maria do Olival, onde era tradição existira antigamente um mosteiro, e imediato a ela fundaram o seu principal convento, que existiu até que foram extintos.
[fr. Joaquim de Santa Rosa de Viterbo, Elucidário, Tomo II, p. 591.]

Até breve.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Tomar medieval.

castelo de Tomar. Vista aérea.

Porém, terminada a Reconquista, o dispositivo defensivo tomarense ficava distante das fronteiras e ia-se tornando desinteressante e militarmente obsoleto. A alcáçova acabaria por ceder lugar aos Paços Mestrais e ao Convento. Quanto à Almedina, desde muito cedo insuficiente para conter os efectivos populacionais que serviam Tomar, seria suplantada pelo antigo arrabalde.
[Manuel Sílvio Alves Conde, Tomar medieval, p. 72.]

Até breve.

domingo, 30 de novembro de 2008

Castelo de Ceras=castelo de Tomar.

Muralhas da Alcáçova e Torre de Menagem, do castelo de Tomar.


Assim, nada nos garante efectivamente que o castelo de Cera não seja o próprio castelo de Tomar, até por que não faria muito sentido que D. Afonso Henriques propusesse aos Templários a troca de Santarém, uma das mais importantes cidade da época, por um castelo em ruínas. Em suma, no nosso entender, nada obsta a que esse castelo fosse o de Tomar, o qual já deveria ter, à data da doação, alguma edificação militar e talvez uma razoável presença humana. (1)
[Nuno Villamariz Oliveira, Castelos da Ordem do Templo em Portugal, 1120-1314, Vol. I, p. 158, e nota 129.]

Nota do Autor:

(1). — Este é mais um assunto nebuloso para o qual a historiografia e sobretudo a arqueologia ainda não conseguiram apresentar provas convincentes. Já Manuel Osório, em finais do século XIX, considerava que “senhores de Cera, os freires da Ordem do templo de D. Gualdim julgaram azado aquelle logar para estabelecerem alli a capital da sua Ordem; e para defeza d’esta, levantaram nas ruínas do antigo castro de Cera o magestoso castello de Thomar”. A historiografia portuguesa do século XX, baseada sobretudo na obra de Viterbo, tem-se inclinado para a existência de um castelo de Cera, localizado perto da actual aldeia de Ceras, embora sem indicarem o local desses vestígios. Também Mário Jorge Barroca, num artigo recente, sustenta que os cavaleiros optaram pela escolha de Tomar “abandonando definitivamente a ideia de reconstruir o velho e arruinado castelo de Ceras”.
[Cf. Osório, M. “O castelo de Almourol”, Revista de Engenharia Militar, 1896-1897, s. p., e Barroca, M. J., “A Ordem do Templo e a Arquitectura Militar Portuguesa do Século XII”, Portugália, Nova Série, Instituto de Arqueologia, FLUP, Porto, Vols. XVII-XVIII, 1996/1997, p. 191.]

Até breve.

domingo, 19 de outubro de 2008

Visita guiada ao castelo e convento de Christo, em Tomar.


Óptima visita e conhecimentos adquiridos sobre as Ordens do Templo e de Christo, aos rés e aos fundos do castelo e convento de Tomar, numa visita sabiamente guiada pelo coronel Américo José Henriques, em demonstração perfeita de conhecimento, intuição e grande àvontade sobre o que nos propôs ensinar. Variado diálogo acima de tudo. Na passada sexta-feira, 17 de Outubro deste magnífico ano de 2008.
Até breve.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Castelo de Tomar: vista da Casa do Capítulo... em ruína.

Aspecto e pormenor do que resta e do que foi a magnífica Casa do Capítulo, lugar onde os Templários se reuniam para celebrar os seus Concílios-Gerais e menores, bem como para a discussão e eleição dos seus novos Mestres, espaço existente no belíssimo e ainda relativamente bem conservado castelo de Tomar, que, segundo rumores ainda não confirmados, estão a pensar procurar separar do espaço que o confina com o convento de Cristo. Na verdade, só imaginações aberrantes e mentes doentias se poderiam permitir pensar em tamanha obscenidade e em semelhante vergonha.
Desta desoladora visão, a do estado em que se encontra a Casa do Capítulo, fico cada vez mais convicto de que assim continuam as autoridades portuguesas - sejam elas estatais, municipais ou privadas - a tratarem os mais dignificantes e insígnes lugares que contemplam a História de um País, que por acaso é o Nosso, de que nos devíamos orgulhar, honrar e fazer elevar. Mas como sempre somos os mesmos cães danados que, à mínima oportunidade, mordemos a mão a quem nos cria e alimenta, continuando a demonstrar, desta forma, a nossa raiva e o nosso destempero. Na realidade, um povo de danados!
Com lástima... até breve.

domingo, 13 de julho de 2008

Muralha do castelo de Tomar, com o famoso alambor.

O alambor era uma defesa, essencialmente de pedra, imaginada e concebida pelos mestres construtores templários, que consistia numa rampa colocada fora das muralhas dos seus castelos, a que era bastante difícil aos sitiantes fazerem chegar elementos de ataque, como torres e catapultas, ou mesmo pessoal especializado que procedia às minagens das muralhas. Tomar era, em Portugal, um exemplo paradigmático.