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quinta-feira, 19 de março de 2009

Sobre castelos. (IX)

(…) se os primeiros exemplos de castelos com Torre de Menagem se podem encontrar entre aqueles que foram erguidos pelos Templários no mestrado de D. Gualdim Pais, também os primeiros castelos portugueses que ostentam as inovações góticas que reflectem a introdução dos conceitos de defesa activa podem ser apontados entre os castelos das Ordens Militares no Sul de Portugal.
Para a manutenção e o restauro do castelo, bem como para a composição dos elementos da sua guarnição, contribuíam as populações da sua vizinhança e do seu território
.
[Mário Jorge Barroca, Do castelo da Reconquista ao castelo Românico (séc. IX a XII), Portugália, Nova Série, Vol. XI-XII, p. 122.]
Até breve.

sábado, 14 de março de 2009

Sobre castelos. (VIII)

A Torre de Menagem deixa de estar isolada no centro do pátio para surgir muitas vezes adossada ao pano de muralha em locais estratégicos que permitem a defesa de zonas mais sensíveis, com tiro directo a partir do seu nível superior. Com os fins do século XIV e a centúria seguinte, a Torre de Menagem apresenta tendência para se alargar, passando a dispor de amplas áreas destinadas à habitação. Nos andares superiores surgem janelas nobres, amplas e muitas das vezes com duas luzes, procurando, deste modo, alcançar melhor iluminação e arejamento dos espaços interiores. No coroamento destas Torres de Menagem surgem, não só os balcões munidos de matacães, implantados sobre a porta de acesso ao interior, mas também, sobretudo com o século XV, pequenos balcões de ângulo, com sistema de tiro vertical. As novas Torres de Menagem góticas encontram magníficos exemplos nos castelos urbanos de Bragança, Estremoz e Beja.
[Mário Jorge Barroca, Do castelo da Reconquista ao castelo Românico (séc. IX a XII), Portugália, Nova Série, Vol. XI-XII, p. 125.]
Até breve.

terça-feira, 3 de março de 2009

Sobre castelos. (VII)

O número de torres adossadas aos panos de muralha multiplica-se possibilitando a defesa directa dos alicerces dos muros e a manutenção do inimigo à distância. O seu espaçamento seria calculado em função do alcance do tiro, de arco e sobretudo de besta, por forma a que de um torreão fosse possível atingir a base do outro. Esta articulação entre os vários elementos que compunham a muralha tornava a defesa da integridade dos seus muros mais eficaz. Por outro, o adarve ou caminho de ronda alargar-se, traduzindo uma maior espessura das muralhas e facilitando a movimentação das guarnições em caso de cerco. As escadas de acesso ao adarve deixam de ser erguidas na espessura dos muros, como era predominante na fase anterior, para passar a constituir um maciço pétreo adossado ao pano de muralha. Com esta solução, os castelos góticos conseguiam que o adarve preservasse toda a sua superfície disponível para a circulação da guarnição encarregada da defesa dos muros. Coroando estes, as ameias apresentam tendência para serem mais largas e beixas, sendo munidas, ao centro do seu maciço pétreo, de seteiras adaptadas ao tiro de arco e de besta. Ao mesmo tempo as portas de acesso principais passam a estar protegidas por balcões munidos de matacães, permitindo o tiro vertical.
[Mário Jorge Barroca, Do castelo da Reconquista ao castelo Românico (séc. IX a XII), Portugália, Nova Série, Vol. XI-XII, p. 125.]
Até breve.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Sobre castelos. (VI)

A partir dos meados ou fins do século XIII começam a surgir nos castelos portugueses novas soluções arquitectónicas, permitindo a passagem de uma «defesa passiva», típica do castelo românico, para uma «defesa activa», característica do castelo gótico. Esta mudança de conceito, fundamental para se compreender o ritmo de reforma nos castelos portugueses, haveria de se impor decisivamente na centúria seguinte.
[Mário Jorge Barroca, Do castelo da Reconquista ao castelo Românico (séc. IX a XII), Portugália, Nova Série, Vol. XI-XII, p. 125.]
Até breve.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Sobre castelos. (V)

Para a maioria dos castelos que outrora haviam presidido aos destinos das terras começavam a desenhar-se os anos da degradação. As reformas góticas também atingiram os aglomerados urbanos fortificados que, após quase dois séculos em que os seus sistemas de defesa se viram descurados, sofreriam importante movimento de reforma e de amuralhamento nos reinados de D. Afonso IV, D. Pedro e sobretudo D. Fernando.
[Mário Jorge Barroca, Do castelo da Reconquista ao castelo Românico (séc. IX a XII), Portugália, Nova Série, Vol. XI-XII, p. 125.]
Até breve.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Sobre castelos. (IV)

Em 1249, com a conquista definitiva do reino do Algarve pelos cavaleiros de Santiago, a empresa da Reconquista portuguesa encontrava o seu fim. A assinatura do Tratado de Alcanices, que D. Dinis e D. Fernando IV de Castela rubricam em 1297, haveria de consagrar a linha de fronteira entre os dois reinos. A partir de então é sensível que a coroa portuguesa se empenhará sobretudo na manutenção e reforma dos castelos raianos, aqueles onde se apoiava, a partir de então, a segurança e a integridade do reino.
[Mário Jorge Barroca, Do castelo da Reconquista ao castelo Românico (séc. IX a XII), Portugália, Nova Série, Vol. XI-XII, p. 125.]
Até breve.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Sobre castelos. (III)

Mas, em tempo de paz, a vida no castelo medieval devia ser muito diferente. Ganhavam então importância algumas actividades que permitiam manter os homens de armas operacionais. Entre essas actividades, a mais privilegiada foi, obviamente, a caça. Numerosas são as referências às comunidades que deviam correr o monte com o senhor do castelo, sobretudo para as Terras medievais cujos territórios eram mais montanhosos e florestados.
[Mário Jorge Barroca, Do castelo da Reconquista ao castelo Românico (séc. IX a XII), Portugália, Nova Série, Vol. XI-XII, p. 123.]
Até breve.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Sobre castelos. (II)

Muitas são as passagens nas Inquirições do século XIII que nos permitem saber quais as póvoas que deviam ir trabalhar ao castelo, sintoma da frequência com que eram realizadas reparações, mas de entre elas poucas são as referências explícitas à cedência de homens para a guarnição do castelo. As guarnições deviam ser compostas por homens das aldeias mais próximas da fortaleza.
[Mário Jorge Barroca, Do castelo da Reconquista ao castelo Românico (séc. IX a XII), Portugália, Nova Série, Vol. XI-XII, p. 123.]
Até breve.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Sobre castelos. (I)

Castelo.

As Inquirições permitem ainda entrever outros problemas relativos às estruturas militares que presidiam a cada Terra. O castelo românico apresenta desde muito cedo uma cisterna para aprovisionamento de água, elemento vital em caso de cerco.
[Mário Jorge Barroca, Do castelo da Reconquista ao castelo Românico (séc. IX a XII), Portugália, Nova Série, Vol. XI-XII, p. 123.]

Até breve.