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domingo, 20 de dezembro de 2009

O ideal trovadoresco e o Amadis de Gaula. (III)

O livro [Amadis de Gaula] poderia ter sido redigido na corte de Afonso X, o Sábio, em que o galego-português era a língua usada predominantemente na canção e o castelhano na prosa. Seja dito, todavia, que já se cultivava a prosa em português, como o provam as traduções da matéria de Bretanha, os livros de linhagens e a Crónica Geral de Espanha de 1344.
[António José Saraiva, O Crepúsculo da Idade Média em Portugal, p. 45.]

Até breve.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O ideal trovadoresco e o Amadis de Gaula. (II)

Nestas referências não se indica o autor, mas, em 1454, o cronista português Gomes Eanes de Zurara, na Crónica de D. Pedro de Meneses, declara que o Amadis fora escrito no tempo de el-rei D. Fernando «a prazer de um homem chamado Vasco de Lobeira».
No tempo do rei D. Fernando, que começou a reinar cerca de 1345
(1), já os três livros do Amadis eram lidos e citados por autores castelhanos como obra muito conhecida. Portanto, não podemos atribuí-los a este Vasco de Lobeira.
(…) No
Cancioneiro de Colocci-Brancutti é subscrita pelo redactor, João Lobeira. João Lobeira é um cavaleiro-fidalgo, vassalo de Afonso III e de D. Dinis e oriundo da Galiza. Há notícias dele a partir de 1261 e até 1285 (2).
Nada mais tentador do que relacionar o João Lobeira da época de D. Dinis com o Vasco de Lobeira do tempo de D. Fernando e atribuir a este a continuação de uma obra começada por aquele.
[António José Saraiva, O Crepúsculo da Idade Média em Portugal, p. 45.]
Nota nossa:
(1). — D. Fernando começou a reinar em 1367. Nasceu, sim, em 1345. Houve aqui um lapso do nosso autor.
Nota do autor:
(1). — Ver C.(arolina) Michaëlis, Cancioneiro da Ajuda, Vol. II, pp. 523-525.
Até breve.

sábado, 7 de novembro de 2009

O ideal trovadoresco e o Amadis de Gaula. (I)

O ideal trovadoresco expresso nos cancioneiros teve a sua expressão em prosa narrativa escrita, género que se impôs ao público à medida que a arte dos jograis declinava. O tradutor português de um romance de cavalaria, ou o seu copista, fala-nos de gente que lê e leva consigo de um lado para o outro pequenos códices.
O livro em prosa onde mais exemplarmente se espelham os modelos amorosos das cortes de Afonso X ou de D. Dinis é o
Amadis de Gaula, publicado pela primeira vez em Saragoça, em 1508, por Garci Rodriguez de Montalvo, ou, como aparece em edições seguintes, Garci Ordoñez de Montalvo. Este não se apresenta como autor da obra. Diz que corrigiu estes três livros de Amadis, que, por falta dos maus escritores ou compositores, se liam mui corruptos e viciosos, e que trasladou e emendou o livro quarto, etc. Ora, antes de 1379, um autor castelhano alude ao Amadis «em três livros»; e há outra menção castelhana de cerca de 1350.
[António José Saraiva, O Crepúsculo da Idade Média em Portugal, pp. 44-45.]
Até breve.