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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Glossário

Para que haja um melhor conhecimento e enquadramento da época medieval que vimos apreendendo nestes pequenos quadros históricos, que apresentamos diariamente — salvo os raros dias de não publicação por motivos absolutamente alheios à nossa vontade —, achei que seria importante e oportuno, tanto quanto útil, inserir um glossário (1) amplo e diverso que nos possa elucidar melhor quanto ao que pretendemos fazer conhecer. Como já fizemos anteriormente, e em tempo espaçado, daremos nota desses mesmos termos.

Glossário:

abacial: referente ao abade ou à abadia; ábaco: espécie de contador mecânico para fazer cálculos; parte superior do capitel em que assenta a arquitrave; aparador.
abádida: referente aos Abádidas; dinastia muçulmana que dominou em Sevilha no século XI.
abafas: ameaças arrogantes; bravatas.
abalistar: atacar com balista.
abarregado: diz-se de uma propriedade onde não reside o dono e que está por isso exposta aos ladrões; amancebado; amigado.
abcisão: corte rente.
abdicatário: que ou aquele em favor de quem se abdica; o que faz a abdicação.
albardadura: conjunto dos arreios das bestas.
azorrague: látego formado por correias entrelaçadas; chicote.
guelfo: termo introduzido, na Itália, pelo imperador Frederico II, da Alemanha, que pretendia denominar a todos os que eram partidários ou promotores do pontífice e da independência da Itália.
gibelino: termo introduzido, na Itália, pelo imperador Frederico II, da Alemanha, que pretendia denominar a todos os que eram partidários ou promotores do Império ou do Imperador Alemão.
peito: tributo, imposto, dívida.
penável: digno de pena e castigo.
pergamilheiro: oficial que prepara, compõe ou vende pergaminhos.
pestrumeiro: o último, o derradeiro, o que fica para o fim.
poçíma: finalmente; por fim.
prazo: obrigação; qualquer escritura; concerto; ajuste.
talia: que se ajusta; compõe; faz avença.
terra de pagons: assim chamavam os nossos antigos às terras, que os Mouros ocupavam, quer fossem ao norte, quer ao meio-dia ou para a parte do nascente.
Entendia-se, também, ou principalmente, como (…) a que ficava desde Soure e Leiria para o Tejo e Guadiana (…).
Pedro Alvites

Nota:

(1) — Para uma consulta da bibliografia aqui inserida, dar-se-á uma relação num dos dias finais de cada ano.


Até breve.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Glossário

Para que haja um melhor conhecimento e enquadramento da época medieval que vimos apreendendo nestes pequenos quadros históricos, que apresentamos diariamente — salvo os raros dias de não publicação por motivos absolutamente alheios à nossa vontade —, achei que seria importante e oportuno, tanto quanto útil, inserir um glossário (1) amplo e diverso que nos possa elucidar melhor quanto ao que pretendemos fazer conhecer. Como já fizemos anteriormente, e em tempo espaçado, daremos nota desses mesmos termos.

Glossário:

abalienação: direito que havia, entre os Romanos, de transmitir terras e gados ou escravos aos que os podiam adquirir.
abaluartar: guarnecer de baluartes; fortificar.
abarreirar: cercar com barreiras; fortificar; acautelar.
abdominoso: barrigudo; pançudo; que tem o abdómen saliente.
alaboeiro [o m. q alavoeiro]: pastor que cuida dos rebanhos de ovelhas que dão leite [alavão].
albumina: substância viscosa, esbranquiçada, que coagula pela acção do calro e existente em grande quantidade na clara do ovo, no soro do sangue e, em geral, nos líquidos dos organismos animais e vegetais; nome genérico das proteínas solúveis nas águas.
pena de sangue: Era a condenação, multa ou coima, que se impunha àqueles que espancavam, feriam ou matavam alguma pessoa, ainda que sangue não corresse da ferida ou contusão. E também se estendiam aos que diziam palavras desonestas e injuriosas a seu próximo, com as quais lhe faziam vir o sangue às faces, ou como vulgarmente se diz, lhe faziam a cara vermelha.
Também se dizia daquela que se paga por morte de homem de propósito. Antigamente, eram 33 maravedis para o bispo.
pendenças: multas eclesiásticas, em que se comutavam as penitências, que se deviam pelas culpas.
pousadouro: lugar que ficava no fim ou termo de alguma subida, onde naturalmente descansa e depõe o seu peso ou carga ou caminhante ou jornaleiro. É usadíssima esta palavra já dantes do princípio da nossa monarquia.
Pedro Alvites

Nota:

(1) — Para uma consulta da bibliografia aqui inserida, dar-se-á uma relação num dos dias finais de cada ano.
Até breve.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Estafermo.

Estafermo.

Estafermo era um tipo de boneco, geralmente de metal, com uma arma presa numa das pontas e escudo na outra, usada para treino da cavalaria na Idade Média.
O boneco ficava preso a um eixo, sobre o qual poderia girar. Montado, o cavaleiro procurava atingi-lo com a lança, espada ou outra das armas então utilizadas. Ao ser golpeado, o estafermo girava, por sua vez, simulando estar golpeando e forçando o cavaleiro a treinar também a defesa.
Sua construção era feita colocando-se o simulacro de boneco com os braços abertos na horizontal e, onde deveriam ser as mãos, em geral eram presas armas, como uma clava ou espada, e um escudo.
O ataque ao estafermo dava-se a galope, de sorte que a velocidade da acção simulava uma situação real de combate.
Dentre as armas que poderiam ser assentadas numa das mãos do boneco estavam a alabarda, clavas ou maças de pontas com formatos diversos
.
[Retirado de "http://pt.wikipedia.org/wiki/Estafermo" ]
Pedro Alvites
Até breve.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Glossário

Para que haja um melhor conhecimento e enquadramento da época medieval que vimos apreendendo nestes pequenos quadros históricos, que apresentamos diariamente — salvo os raros dias de não publicação por motivos absolutamente alheios à nossa vontade —, achei que seria importante e oportuno, tanto quanto útil, inserir um glossário (1) amplo e diverso que nos possa elucidar melhor quanto ao que pretendemos fazer conhecer. Como já fizemos anteriormente, e em tempo espaçado, daremos nota desses mesmos termos.

Glossário:

ababalhar: conspurcar.
abadar: prover de abade.
abaetar: enroupar-se; agasalhar-se.
abalado: comovido; impressionado.
alanzoador: resmungão; bazófia; tagarela.
alaúde: instrumento antigo de cordas, semelhante à guitarra.
alavanca: barra de ferro ou pau de remover ou levantar corpos pesados; corpo rígido em forma de barra que pode girar em torno de um eixo fixo chamado fulcro.
albente: que alveja.
albirrosado: de cor branca ligeiramente rosada.
albornoz [do ár. al-burnus.]: espécie de gabão com mangas e capuz usado pelos árabes; casaco largo com capuz ou gola grande.
alfoz [do ár. al-huz.] : arredores de um povoação.
algarrada [do ár. al-‘arrada.]: espécie de catapulta antiga.
azémola: besta de carga.
casa do de profundis: lugar em que se reza este salmo, antes que se entre para o refeitório.
emparedadas: assim se chamavam às mulheres que nos começos do século XIII, nos reinados de D. Sancho I e D. Afonso II se recolhiam em algumas casas a fazer penitências e também as nomeavam enceladas e a seus recolhimentos celas.
gonia: prazer; regozijo; descanso; entretenimento; gosto; consolação, alívio.
hisn: o castelo, a fortificação, na terminologia árabe.
malha [O m. q. debulha.]: eram os processos utilizados para se desalojar os grãos das espigas.
morabitino: moeda de ouro com valor que variou ao longo do tempo e que equivalia, em geral, a 20 soldos.
portádigo: portagem, imposto indirecto que incidia sobre a compra e venda de mercadorias entradas no concelho.
perciçoeiro: livro que contém o que se diz, canta ou reza nas procissões.
pinaça: embarcação de pequeno fuste, de vela e remo, não muito segura mas ligeira.
pobramento: tempo ou época em que uma terra, lugar, cidade ou vila se começou a povoar.
pôr em pés: mostrar ser verdade, e ter fundamento o que se conta, diz ou alega.
pôrra: dava-se, em tempos antigos, este nome aos ceptros ou maças que nas catedrais, colegiadas insignes e alguns mosteiros serviam de ornato e magnificência às mais solenes procissões.
rodízios: peça do moinho de água que, movida pela água que lhe cai numa das travessas escavadas, chamadas «penas», faz andar a mó.
solarengo: dependente que trabalha e está sob a tutela do possidente de um solar.
terra-chã: aldeia ou povoação pequena, que não é cabeça de concelho, nem tem muros, torres ou castelos.
zarco: dizem que assim se chamavam os que tinham os olhos azuis e em demasia claros. Igualmente se diz daquele que é vesgo ou torto da vista; zarolho.
Pedro Alvites

Nota:

(1) — Para uma consulta da bibliografia aqui inserida, dar-se-á uma relação num dos dias finais de cada ano.
Até breve.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Glossário

Para que haja um melhor conhecimento e enquadramento da época medieval que vimos apreendendo nestes pequenos quadros históricos, que apresentamos diariamente — salvo os raros dias de não publicação por motivos absolutamente alheios à nossa vontade —, achei que seria importante e oportuno, tanto quanto útil, inserir um glossário (1) amplo e diverso que nos possa elucidar melhor quanto ao que pretendemos fazer conhecer. Como já fizemos anteriormente, e em tempo espaçado, daremos nota desses mesmos termos.

Glossário:

abá [do ar. aba.] : espécie de manto usado pelos beduínos.
abadia: igreja ou mosteiro dirigido por um abade ou abadessa; dignidade ou cargo de abade.
abafo: agasalho; cobertura que resguarda do frio.
abanação: antiga pena de desterro por um ano.
abarbar: pôr á mesma altura; atingir; igualar.
abarroado: obstinado; cabeçudo; teimoso.
abduzir: separar; afastar; tirar do seu ponto.
acusação: acto ou efeito de acusar; denúncia, censura, imputação.
alacar: vergar com o peso ou carga.
ágamo: celibatário; assexuado.
alancar: pôr-se em fuga; sair de baixo de um peso.
alarar: viver na mesma casa.
albicastrense: relativo a Castelo Branco; natural ou habitante desta cidade.
alcácer [o m. q. alcáçar]: castelo; palácio régio afortalezado. [do ár. al-qacr.]
alcáçova [do ár. al-qaçaba.]: fortaleza com residência régia ou senhorial; fosso que cingia a cidade. aleivosia: traição; calúnia; perfídia; deslealdade.
apreciadura: preço, valor monetário da pena aplicada a uma infracção ou a um delito.
cabeça do casal: conjunto de posses, geralmente, constituída por casas, currais e alpendres necessários à vida agrícola, como terras, quintas, hortas, e outras.
loqui ex cathedra: falar de cadeira; isto é, falar como o que é definido pelo poder apostólico. Tanto que se dizia: «Os ditos dos Sumos Pontífices não são infalíveis, senão quando decretam alguma coisa».
meirinho: funcionário régio ou senhorial com competências gerais, nomeadamente cobrar os impostos e outras receitas.
peão: vizinho que se demarca do cavaleiro por não possuir cavalo e fazer a guerra a pé, estando, no caso da Guarda, escusado do fossado.
pouso: a mó inferior dos moinhos, sobre a qual gira a galga.
redil: recinto vedado de forma quadrada onde pernoita o gado.
solar: habitação e domínio de um senhor nobre ou de um vizinho importante.
terra calva: no século XIII, chamavam-se terras calvas às que já estavam limpas de mato, rotas e lavradas.
tribo: conjunto de gente nómada da mesma origem e que obedecem ao mesmo chefe.

Pedro Alvites

Nota:

(1) — Para uma consulta da bibliografia aqui inserida, dar-se-á uma relação num dos dias finais de cada ano.
Até breve.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Glossário

Para que haja um melhor conhecimento e enquadramento da época medieval que vimos apreendendo nestes pequenos quadros históricos, que apresentamos diariamente — salvo os raros dias de não publicação por motivos absolutamente alheios à nossa vontade —, achei que seria importante e oportuno, tanto quanto útil, inserir um glossário (1) amplo e diverso que nos possa elucidar melhor quanto ao que pretendemos fazer conhecer. Como já fizemos anteriormente, e em tempo espaçado, daremos nota desses mesmos termos.

Glossário:

abaçanar: tornar baço; escurecer.
abadengo: que é de um abade ou está sob a jurisdição de um abade; direito de prover de abade.
abajoujado: aparvalhado; atoleimado.
abasia: perda mais ou menos completa da marcha sem perturbação da força muscular nem da sensibilidade.
abegão: feitor; o que trata da abegoaria.
abelhudo: teimoso; intrometido; curioso.
albergue: lugar onde se recolhe alguém por caridade; refúgio para se pernoitar ou repousar; estalagem.
albigense: membro de uma seita religiosa que se espelhou pelo sul da França nos fins do século XII, mormente em Albi, e que condenava o culto externo, o uso de sacramentos e a hierarquia eclesiástica. [ver, cátaro.]
álbum: tábua branca em que, entre os Romanos, se escreviam as deliberações dos pretores.
basbaque: parvo; pateta.
cabo: “receba seu cabo”, receba sua conta, fazenda.
devesa: terreno cercado.
exir: sair.
fossadeira: multa aplicada a quem não cumpria a obrigação de ir ao fossado.
juso: abaixo.
mealha: unidade de conta que corresponde a meio dinheiro.
montádigo: imposto cobrado pela pastagem de gados.
paço: residência do rei ou do senhor que o representa.
poia: pagamento feito ao moleiro, forneiro ou lagareiro, em géneros ou dinheiro.
rancoroso: o que apresenta queixa, queixoso.
semedeiro: carreiro, atalho, caminho estreito.
terradígo: renda ou pensão anual, que se pagava por viver e cultivar em terra alheia.
velos: novelos de lã extraída dos ovinos. Normalmente 5 velos correspondem a uma arroba, isto é, 15 kg.

Pedro Alvites

Nota:
(1) — Para uma consulta da bibliografia aqui inserida, dar-se-á uma relação num dos dias finais de cada ano.
Até breve.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Glossário

Para que haja um melhor conhecimento e enquadramento da época medieval que vimos apreendendo nestes pequenos quadros históricos, que apresentamos diariamente — salvo os raros dias de não publicação por motivos absolutamente alheios à nossa vontade —, achei que seria importante e oportuno, tanto quanto útil, inserir um glossário (1) amplo e diverso que nos possa elucidar melhor quanto ao que pretendemos fazer conhecer. Como já fizemos anteriormente, e em tempo espaçado, daremos nota desses mesmos termos.

Glossário:

aba: parte inferior ou pendente de algumas peças de vestuário; parte inferior e geralmente levantada do chapéu; margem; sopé; orla.
abade: aquele que governa uma abadia; superior de uma ordem religiosa.
abadessa: superiora de certas comunidades religiosas.
abaixado: oprimido; humilhado.
abalançamento: audácia; atrevimento; arrojo.
abardado: cheio; sobrecarregado.
algara [o m. q. fossado.]: incursão militar em território inimigo. [do ár. al-gara.]
barbacã: muro anteposto às muralhas e mais baixo do que estas para defender o fosso.
besteiro: peão militar perito no uso da besta.
carreira: carreiro, caminho, estrada pouco larga.
cavaleiro-vilão: vizinho que participa na guerra com o seu cavalo, beneficiando de certos privilégios e isenções.
colheita: imposto anual pago pelo concelho ao rei.
destravessa: consistia em lavrar o terreno em sentido cruzado com o da primeira lavra [a decrua], com o fim de cortar melhor o terreno, esboroar os torrões e preparar o campo para o cultivo.
encoutar: tradução em português do termo latino inquietare, no sentido de alguém ser chamado por outrem à justiça.
ferrado: vasilha para ordenhar e para onde se munge o leite das cabras e ovelhas.
grilhão: objecto metálico que serve para prender alguém pelos pulsos; cadeia; algema.
herdade: O termo herdade (que hoje se toma por uma grande e dilatada fazenda, a que os Latinos chamavam latifundium, tapada ou demarcada sobre si), na sua origem, nada mais significava, que alguns bens de raiz, vindos por herança, avoenga e sucessão de pais e filhos, ou também por sucessão testamentária, em que alguém era instituído por herdeiro. Porém, desde o século IX até o XV, não significava mais que um casal, quinta, herdamento, prédio rústico, villa, granja, celleiro, propriedade, aldeia, alcaria, e toda aquela fazenda, que rendia ou podia render algum fruto, para quem a cultivasse ou fizesse cultivar; prescindindo de ser a tal herdade de mais ou menos extensão, e não sendo, da sua essência, o estar incluída dentro de certos muros, marcos ou balizas mas antes constando, muitas vezes, de courelas, peças ou belgas mui separadas e diversas.
manaria: tributo pago por morte de quem não deixava herdeiros directos. No foral latino: “et non intret ibi nuncium neque manaria”, o que foi incorrectamente apreendido na tradução portuguesa, onde se refere: “e nom entre y mandadeyro nen mande alguum homen”.
mealha: unidade de conta que corresponde a meio dinheiro.
montádigo: imposto cobrado pela pastagem de gados.
malha [O m. q. debulha.]: eram os processos utilizados para se desalojar os grãos das espigas.
pego: ponto mais fundo de um rio ou lago.
pouso: a mó inferior dos moinhos, sobre a qual gira a galga.
redil: recinto vedado de forma quadrada onde pernoita o gado.
semedeiro: carreiro, atalho, caminho estreito.
suso: acima.
terra calva: no século XIII, chamavam-se terras calvas às que já estavam limpas de mato, rotas e lavradas.
velos: novelos de lã extraída dos ovinos. Normalmente 5 velos correspondem a uma arroba, isto é, 15 kg.


Pedro Alvites

Nota:
(1) — Para uma consulta da bibliografia aqui inserida, dar-se-á uma relação num dos dias finais de cada ano.
Até breve.

sábado, 22 de agosto de 2009

Glossário

Para que haja um melhor conhecimento e enquadramento da época medieval que vimos apreendendo nestes pequenos quadros históricos, que apresentamos diariamente, salvo os raros dias de não publicação por motivos absolutamente alheios à nossa vontade, achei que seria importante e oportuno, tanto quanto útil, inserir um glossário (1) amplo e diverso que nos possa elucidar melhor quanto ao que pretendemos fazer conhecer. A partir de hoje, e espaçadamente, daremos nota desses mesmos termos.


Glossário:

adarve: passeio estreito ao longo das muralhas de um castelo; caminho de ronda.
agareno: descendente de Agar; árabe. Nome porque eram conhecidos os árabes na Península Ibérica, para os diferençar dos magrebinos ou mouros.
alambre: pessoa muito esperta.
alão: cão de fila corpulento; pedra grande de lousa com que se encimam as paredes de pedra miúda para que esta se não solte.
albarda: sela grosseira cheia de palha, própria para b estas de carga, como machos ou burros. Casaco grosseiro.
búzio: pequena trombeta feita com as conchas daqueles gastrópodes, em que os pastores ou guardadores de gado tocavam para, dessa forma, fazer reunir os animais à sua guarda.
Castelo Branco de Moncarchino: nome porque era conhecida a urbe de Castelo Branco antes do Mestre templário, D. fr. Pedro Alvites, lhe ter dado o nome que actualmente tem e que não é mais do que a evidente coincidência de nomenclaturas — como denomina Nuno Villamariz Oliveira, no seu magnífico trabalho Castelos da Ordem do Templo em Portugal — entre Castelo Branco e Chastel Blanc, uma das principais fortificações erguidas pela Ordem do Templo no então condado de Tripoli, na actual Síria [Vol. I, p. 278, Lisboa, 2000 (edição policopiada)].
coima: pena aplicada ao delito, multa.
devesa: grande extensão de terreno baldio, limpo e batido.
dinheiro: moeda equivalente, no geral, a 1/12 do soldo.
fanega [o m. q. fanga.]: medida para cereais, de quatro alqueires.
galga: mó de eixo horizontal, nos lagares de azeite e moinhos.
honrar: tornar a terra honrada, isto é, imune, privilegiada.
infanção: nobre de categoria superior ao cavaleiro, mas inferior ao rico-homem.
juiz: autoridade judicial máxima dentro do concelho.
levada [o m. q. açude.]: corrente ou queda de água de água procedente de um rio, que vai dando movimento à mó do moinho.
mongal ou mangual: instrumento de malhar e debulhar os cereais que se compõe de dois paus, um dos quais está ligado ao outro por uma correia. Segundo algumas opiniões teriam sido os Suevos os que introduziram o mangual e as malhas como método de debulha.
omízio: homicídio.
pegulhal: direito de apascentar um certo número de ovelhas suas com as do seu senhor.
pousada: o mesmo que aposentadoria; obrigação dos vizinhos de acolherem em suas casas, gratuitamente, pessoas estranhas ao concelho.
quebrada: ladeira, declive, depressão com saliências em terreno montanhoso.
ripo: espécie de dente ou gadanho, com um pequeno cabo para soltar as azeitonas dos ramos [ripar].
raussata: “mulher raussata”, mulher raptada, violada.
soldo: moeda de prata; 20 soldos correspondiam, em geral, a 1 morabitino.
terra gallega [ou gualega]: a que não era de campo fértil e rendoso, mas sim de charneca, delgada e não muito rendosa.
taleigo: designação dada às quantidades de sacas cheias de trigo ou farinha, consoante eram transportadas antes ou depois da maogem do cereal.
vizinho: morador e contribuinte do concelho, detentor da plenitude dos direitos e deveres foraleiros.

Pedro Alvites


Nota:

(1) — Para uma consulta da bibliografia aqui inserida, dar-se-á uma relação num dos dias finais de cada ano.