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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Juromenha: castelo de Geraldo, o Sem Pavor.

Torres almohadas do castelo de Juromenha.

Após a conquista de Évora, definitivamente liberta do domínio sarraceno em Setembro de 1165, Geraldo instalou o seu quartel general nesta cidade e daí lançava as suas frequentes e devastadoras cavalgadas em terras da mourama, mas, pouco tempo depois, na fase preparatória do primeiro assalto contra Badajoz, em 1169, a base logística avançada do caudilho português contra esta importante poderosa praça muçulmana parece ter-se deslocado para Juromenha, alcandorada na margem direita do Guadiana e a dominar do alto os teatros planos e abertos da margem esquerda do rio onde, mais tarde, supomos que já nos tempos de D. Dinis, veio a edificar-se a povoação cristã de Olivença e onde hoje verdejam, em pleno verão, os coloridos prados que os espanhóis souberam conquistar às águas do plano Badajoz.
[José Pires Gonçalves, Monsaraz da reconquista, Anais, Academia Portuguesa de História, Volume 25, pp. 16-17.]

Até breve.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Geralda.

Geralda ou Giralda é topónimo atribuído a uma curta linha de colinas com o recorte suavemente ondulado de serrania de baixo relevo, separada do outeiro de Monsaraz pelo vale do Limpo e outrora certamente integrada na espessa mancha da Mata.
Julgamos tratar-se de antropónimo da Reconquista directamente preso ao nome do fronteiro de Évora, Geraldo ou Giraldo Sem Pavor a evocar e a fixar a sua passagem por estes branhais montaxarenses quando, depois do assalto e conquista da capital do Alentejo, admitimos se tenha vindo esconder nas espessuras desta mata perto de Monsaraz a qual, mais tarde e a lembrá-lo, teria passado a ser conhecida pela
serra do Geraldo ou simplesmente pela Geralda, local donde ele, pela calada da noite, teria partido para mais um dos seus audaciosos e irresistíveis golpes de mão à conquista da Medina muçulmana que, triunfalmente, continuava a campear no alto do outeiro onde hoje se encontra a vila de Monsaraz. O próprio facto do topónimo montexarense ter assumido a forma feminina de Geralda também não pode causar espanto pois o próprio Ibn Khaldoun, talvez o maior historiador árabe de todos os tempos, também se refere, por vezes, ao próprio Gerlado sob forma feminina e trat-o por «Ibn-Geranda», filho de Geralda (1).
[José Pires Gonçalves, Monsaraz da reconquista, Anais, Academia Portuguesa de História, Volume 25, pp. 15-16, Lisboa, MCMLXXIX (1979).]

Nota do Autor:

(1). — Ibn Khaldoun, Historie des Berberes, edição do barão de Slane, Tomo II, p. 198, Paris, 1927.
Até breve.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

El Camiño (II).

E se na crónica de Ibn Sáhibe se encontra expressa referência a uma estrada que, nos tempos de Giraldo, vinda dos lados do Andaluz e da tão arabizada cidade de Niebla, conduz a Badajoz e que o cronista árabe, nessa época, já identifica, com rigor toponímico, por «Camiño» (1) e, ainda hoje, a povoação de Valverde del Camiño se situa, precisamente, na mesma via ( a actual estrada espanhola nº 435) que, mais para norte de Valverde e, portanto, mais perto de Badajoz, atravessa a aldeia de Valle de Matamoros, parece lógico admitir que o temerário golpe da matança levado a cabo por Giraldo e pelo seu grupo nos homens do comboio mouro, pudesse, de facto, ter ocorrido na antiga estrada rasgada no vale que se insinua nos sopés das colinas erguidas junto desta aldeia de Valle de Matamoros.
Tão frequentada era esta estrada durante a Idade Média que ainda hoje se podem observar, no coração de Xerez de los Caballeros, as ruínas de um pequeno «hostal», destinado a agasalhar e a assistir os mercadores e peregrinos que por ali transitavam no trajecto ascendente a caminho de Badajoz ou então a caminho de Niebla ou Sevilha, no regresso à Andaluzia
.
[José Pires Gonçalves, Alguns aspectos das campanhas de Giraldo Sem Pavor na região do Guadiana, Anais, Academia Portuguesa de História, Volume 26, T. I, pp. 94-95.]

Nota do Autor:

(1). — Martim Velho, idem (2), p. 139. (Este arabista português, que utilizou, no seu trabalho, o texto arábico de Ibn Sáhibe, não hesita em traduzir o topónimo que identifica o local onde ocorreu a batalha entre o grupo de Giraldo e o comboio almóada partido de Sevilha para socorrer Badajoz, pelo termo castelhano de «El Camiño»).

Nota nossa:

(2). — Martim Velho, Trechos da Crónica de Ibn Sáhib respeitantes a D. Afonso Henriques, a Giraldo Sem Pavor e ao território português, Boletim da Junta Distrital de Évora, 7, 1966, pp. 127-147.

Até breve.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

El Camiño (I).

A estrada da actual rede viária espanhola que, entre Xerez de los Caballeros e Barcarrota, atravessa o «pueblo» de Valle de Matamoros é a número 435, precisamente a mesma que, partindo da actual Huelva, circula por Valverde del Camiño, prossegue por Jabugo — a terra dos mais afamados presuntos da Espanha — vai articular-se com Galaroza, continua por Fregenal de la Sierra, Puertos Tablada e Beltramo, Xerez de los Caballeros, Barcarrota, Almendral e, depois de ter mergulhado por densos montados de azinheiras e sobreiros, passa por Albuera e alcança, finalmente, Badajoz.
Este «Camiño» que, partindo agora de Huelva e, muito provavelmente, de Niebla, no tempo dos almóadas, e passando pela pequena e moderna cidade que, vinda dos lados de Aracena e Sevilha, prossegue para Fregenal de la Sierra, devia ter sido uma das principais artérias comerciais e militares do sul da Espanha medieval que enlaçava importantes centros urbanos como seriam, por certo, as duas cidades de Sevilha e Niebla, no Andaluz, postadas às margens do Guadalquivir e do Tinto, com Badajoz, a capital do vastíssimo reino aftácida, edificada à margem do Guadiana.
[José Pires Gonçalves, Alguns aspectos das campanhas de Giraldo Sem Pavor na região do Guadiana, Anais, Academia Portuguesa de História, Volume 26, T. I, pp. 94-95.]
Até breve.